terça-feira, 27 de outubro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
E o futuro do PT?
domingo, 18 de outubro de 2009
Inserir especiais na sociedade
Até o fim do ano, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Paulo vai fechar sua escola especial, que desde 1981 ensinou a ler e escrever mais de 700 crianças com deficiência intelectual - a maioria com síndrome de Down.
Diferentemente do que possa parecer, essa é uma boa notícia. Trata-se de mais um passo para inserir definitivamente essas crianças na sociedade, obedecendo a uma nova lei. Promulgado no ano passado pelo governo federal, o Decreto nº 6.571 determina que alunos com necessidades educacionais especiais - com deficiência intelectual e física - sejam acolhidos em classes comuns do ensino regular, acabando de vez com as "classes especiais".
Ponto para nós: o Brasil é pioneiro ao tornar lei o que em muitos países é apenas recomendação. A coordenadora do serviço Educacional da APAE, Liliane Garcez explica: "Em 2007, orientamos os pais dessas crianças a matricular os filhos em escolas perto de casa e nos propusemos a fazer um acompanhamento por cinco anos. Estivemos em 300 instituições conversando sobre a adaptação dos estudantes".
Portanto, nos próximos anos, aumentam as chances de que crianças com e sem deficiência convivam nas escolas, sejam públicas ou privadas. Estudiosos em inclusão social no mundo inteiro vêm comprovando os benefícios que a presença dessas crianças nas classes regulares traz ao grupo.
A inclusão implica melhor qualidade de ensino para todos. À medida que o docente pensar em novas propostas para esse público específico, atingirá também os 40% dos alunos com alguma dificuldade de aprendizado. Parece inacreditável, mas até recentemente era muito comum que um estudante sem nenhuma deficiência que não conseguisse se alfabetizar aos 7 anos fosse encaminhado a uma classe especial da rede pública.
"Há cinco anos, essas salas viviam cheias de crianças sem deficiência alguma. Estavam lá por um fracasso escolar", alerta Daniela Alonso, psicopedagoga e especialista em inclusão.
Outro benefício prontamente identificado é o convívio com a diversidade. Na opinião de Liliane Garcez, da APAE, é na escola que aprendemos a ser cidadãos e a conviver com as diferenças. "Esse aprendizado traz grandes ganhos hoje e para o futuro. Até mesmo as empresas valorizam a inteligência emocional. Essas crianças serão profissionais mais flexíveis para lidar com opiniões diversas e respeitar o próximo", acredita ela.
Mesmo assim, vai ser difícil, e que ninguém duvide: o Brasil está diante de um imenso desafio educacional. As escolas terão que cultivar um novo olhar, acolhendo todos os estudantes, e combater o preconceito, que é poderoso, sobretudo na rede pública.
Um estudo recém-concluído, encomendado pelo Ministério da Educação e realizado em 501 escolas públicas de todos os estados brasileiros, revelou que 96,5% dos entrevistados assumem ter algum preconceito contra alunos com necessidades especiais. Os pesquisadores encontraram até casos de tortura contra eles.
Só a convivência e a transformação da escola em local comum a todos poderão mudar esse cenário. Muitas vezes a resistência parte dos próprios professores que, principalmente na rede pública, já enfrentam uma infinidade de problemas, como violência, remuneração baixa e classes lotadas. Nesse cenário, a obrigação de acolher um deficiente é vista como mais uma tarefa espinhosa.
"Será muito complicado mudar essa cultura de uma hora para outra, mas só com a prática os professores aprenderão a lidar com isso. Não há outra forma e todos terão que se esforçar", acredita Cláudia Dutra, secretária de educação especial do Ministério da Educação (MEC).
Existem 695.699 estudantes com necessidades especiais no Brasil, segundo o censo escolar de 2008. Cerca de 54% deles frequentam o ensino regular, um grande progresso em relação a 1998, quando 87% estavam em classes separadas dos demais. Estima-se ainda que cerca de 5% das crianças com deficiência em idade escolar estejam em casa, privados de educação e do convívio social.
Para atender a todos, a lei engloba três grupos. No primeiro, estão crianças com deficiências física, mental, auditiva, visual e múltipla (duas ou mais das anteriores); no segundo, as com transtornos globais de desenvolvimento, como autismo; por fim, há as crianças com altas habilidades, antes chamadas de superdotadas.
O decreto também se traduz em dinheiro. A partir de 2010, a rede pública receberá uma verba do Fundo da Educação Básica (Fundeb) para oferecer apoio complementar no contraturno - período contrário ao das aulas.
"A matrícula de cada criança ou jovem da educação especial será computada em dobro, aumentando o valor per capita repassado à instituição. Isso vai possibilitar o investimento na formação de professores, na implantação de salas de recursos multifuncionais e na reformulação do espaço físico", explica Cláudia Dutra, do MEC.
Muitas escolas já têm ou vão ganhar um professor itinerante especializado. Mas a ideia não é deixar na mão do especialista a responsabilidade pelo aluno. Cabe ao professor ensinar e integrá-lo à classe.
Ele vai fazer o que mais sabe: lecionar, não importa se a criança tem ou não deficiência.
Como professor e orientador de crianças, torço muito para que tudo dê certo pois vai ser muito bom para todos os envolvidos, os especiais, os professores, os demais alunos, a escola, o país. Basta querermos, eu acho!
Corumbá
sábado, 17 de outubro de 2009
Dilma e a candidatura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, terminaram nesta sexta-feira uma caravana por áreas afetadas pelas obras da transposição do São Francisco.
A viagem, que passou por alguns dos principais redutos eleitorais de Lula, acontece em um momento oportuno para a pré-candidatura à Presidência de Dilma Rousseff – que, depois de um período de crescimento quase contínuo, enfrenta alguns contratempos.
Nas pesquisas de intenção de voto mais recentes, os índices da ministra caíram ou estacionaram.
Nos seis cenários divulgados pelo Ibope no dia 22 de setembro, por exemplo, Dilma recuou de três a quatro pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.
A ministra tem dito que pesquisa é apenas um "retrato do momento" e argumentado que o que vale é a eleição, em outubro do ano que vem. Mas, neste momento em que os partidos estão discutindo as alianças, uma boa posição nas pesquisas faz diferença.
Quanto maiores os índices de intenção de voto, maiores também são as chances de atrair aliados ou de, no mínimo, reduzir o custo político da negociação.
Alianças são importantes para todos os candidatos, mas, no caso de Dilma Rousseff, uma política que nunca disputou uma eleição e é menos conhecida do que seus adversários mais prováveis, elas ganham mais relevância.
Além de palanques nos Estados, as alianças garantem mais tempo no programa eleitoral gratuito – uma ferramenta-chave para tornar Dilma Rousseff mais conhecida e facilitar a sua associação ao presidente Lula, sobretudo no eleitorado com menos acesso à informação impressa.
Nas últimas semanas, a ministra passou a enfrentar também a sombra cada vez mais forte de outras duas possíveis candidaturas com potencial de disputar fatia do seu eleitorado e de seu tempo de TV: Marina Silva (PV) e Ciro Gomes (PSB).
Um crescimento de Dilma Rousseff nas pesquisas neste momento – crucial para a definição de alianças – também seria uma forma de desestimular ou enfraquecer candidaturas concorrentes. Neste contexto, a visita ao sertão nordestino, onde Lula tem um eleitorado fiel e índices de aprovação recorde, não deixa de ser no mínimo conveniente.
A viagem de Lula à região já estava prevista há algum tempo e, segundo uma fonte do Planalto, não ocorreu antes por conta da intensa agenda internacional do presidente.
Quando questionado sobre se a viagem não era uma maneira de promover a candidatura de Dilma em seus redutos eleitorais, o presidente negou. Claro que negou, ia afirmar que estava fazendo campanha fora de época?
"Eu acho que, em uma obra dessa, a gente não pensa em fazer lançamento de candidatura, até porque a eleição está muito longe", disse na quarta-feira, em Barra, na Bahia.
Mas, em outro momento da viagem, Lula deixou escapar uma menção espontânea, se não ao caráter, pelo menos à aparência eleitoral da iniciativa.
"No nosso projeto original de fazer essa viagem, não estava previsto fazer comício. Estava previsto fazer visitas às obras." Depois disse que, na opinião dele, visita e comício é a mesma coisa.
Ah bom!
Corumbá
baseado em texto de Asdrúbal Figueiró
sábado, 10 de outubro de 2009
O aborto e a ética
| Discutir a questão do aborto tem se tornado cada vez mais polêmico e complicado. O porquê, todavia, eu não sei. Afinal, convenhamos, a lógica elementar – antes de qualquer critério ligado à fé ou à ideologia – nos diz que o direito à vida, por óbvio, deve sempre prevalecer sobre algum outro. Mas pretendo iniciar este texto a partir da minha concepção pessoal sobre o aborto. Eu nunca fui favorável à prática do aborto, mas entendia, a partir de uma ótica bastante liberal, que isso era uma questão individual, razão por que o Estado não precisaria se imiscuir na contenda. Alguém quer fazer? Que faça, mas que arque com as consequências morais da escolha – que, admita-se, não devem ser pequenas. Há pouco mais de um ano, passei por uma experiência, digamos assustadora. Estive frente a frente com a morte. Um órgão, um transplante e uma equipe competente e dedicada de médicos, juntos principalmente com a vontade de Deus, me restituíram a vida. Não vou entrar nos detalhes dos pensamentos que me passaram nesses momentos mas passei a ter um enorme respeito pela vida, sua fragilidade e o que ela representa em nosso crescimento pessoal. Da mesma forma, aprendi a partir de um despertar inesperado de sentimentos novos, que o aborto é intolerável. Mas, alto lá! Isso eu já sabia… Qual foi a principal mudança, então? Bem, passei a ver o aborto como aquilo que efetivamente é: algo criminoso e abjeto que deve, sim, ser combatido pelo Estado. Como se operou tal transformação? O que a embasou? Explico: A discussão histórica em torno do aborto se dá entre o chamado grupo “pró-escolha” e aquele “pró-vida”. O primeiro defende que a mulher é senhora de seu corpo e, portanto, pode decidir o que fazer com ele. O segundo, por outro lado, apega-se à defesa intransigente do direito à vida, razão pela qual rejeita uma intervenção como o aborto. Sob o aspecto estrito do choque de direitos, entendo que o aborto simplesmente não se pode justificar. O direito à vida é a essência da civilização, situando-se acima de qualquer outro de forma definitiva. Permitir que haja uma escolha que termine causando a morte de outrem é condescender com a barbárie. Simples assim. Percebam: nenhuma debate retórico pode negar o óbvio. Mais recentemente, porém, os grupos “pró-aborto” passaram a adotar outro enfoque. A discussão central foi espertamente modificada: em vez de debater o choque de direitos – que condenava o aborto à derrota –, passou-se a discutir o início da vida humana. E aí apareceram uma enxurrada de teorias. Há a posição conhecida da Igreja Católica, que fala no início da vida com a fecundação. Há uma corrente científica que fala na vida a partir da segunda semana de gestação. Há aqueles que ligam o início da vida ao desenvolvimento completo do sistema nervoso do feto. Além de tantos outros, cada um mais especialista que o outro no assunto. O que eu acho? Bem, eu me recolho a minha insignificância humana e digo que não tenho autoridade para dizer quando começa a vida do ser humano. Nem eu, nem ninguém! Por isso me oponho, inclusive, ao aborto dos chamados “fetos anencéfalos”, já que a civilização, para que seja entendida como tal, não pode agir como senhora da vida e da morte. Em outras palavras, o ser humano não pode decidir quando uma vida é viável e quando pode ser descartada. Quem faz isso são os bárbaros, não nós. Há ainda outro aspecto que me preocupa bastante: quem guardará os guardiões? Isto é, uma vez decidido que um determinado feto, portador de uma determinada moléstia, é – como é mesmo que eles dizem? - “inviável”, quem vai impedir que essa fresta aberta não se transforme na porta que nos levará, todos, ao inferno eugênico? Pensem bem: hoje são os anencéfalos, amanhã podem ser os portadores de Síndrome de Down. Talvez um dia, diante dos infindáveis “progressos da ciência”, seja possível até mesmo “descartar” alguém que nasce com os pés chatos… Estou exagerando? Não creio… De fato, hoje, a ciência parece provar empiricamente que os tais fetos anencéfalos são mesmo condenados à morte. Mas e depois? Por que essa ligeireza, essa pressa mesmo, em optar pela solução mais rápida? Por que não pensar que o futuro virá para salvar vidas, em vez de apostar que ele ratificará teorias de morte? Há coisa de poucos séculos atrás, crianças siamesas seriam atiradas em precipícios com base nas teorias de então… Vamos continuar atirando as nossas, hoje? A discussão parece ampla, eu sei. Difícil que seja diferente quando se trata deste tema. Mas me encaminho para um direcionamento conclusivo, garanto. Há coisa de alguns dias, o diretório nacional do PT, o partido que nasceu sob a bandeira da ética, da transformação social e do progresso, decidiu punir os deputados federais Luiz Bassuma e Henrique Afonso. Os dois tiveram seus direitos políticos suspensos pelo partido e, agora, não podem votar nem receber votos, muito menos discursar em nome do PT. Mais que isso: caso a direção nacional não reveja tal punição, os dois parlamentares não receberão a legenda petista para disputar a reeleição no próximo ano. Ao me deparar com a notícia acima, perguntei: o que terão feito de tão grave? Vai ver foram apanhados com dólares na cueca… Talvez tenham criado um mensalão para comprar apoio no Congresso… Quem sabe fabricaram dossiês contra adversários políticos… Ou então quebraram o sigilo bancário de um caseiro… Que nada! Todas essas práticas, sabemos, são abertamente aceitas pela tal “ética” petista. Qual foi, então, o pecado dos deputados? Bem, tiveram a audácia de falar contra o aborto. Percebam a que ponto chegou a inversão de valores ditada pela agenda politicamente correta e progressista: a ética petista, que não vê problema em perdoar os mensaleiros, pune com rigor aqueles que defendem os fetos; a moral do partido que preside o Brasil, capaz de receber de braços abertos gente como Sarney, Collor, Calheiros e Maluf, não tolera que se garanta aos bebês o direito de vir ao mundo; os valores da legenda que não viu problemas em “dar outra chance” para Delúbio, são os mesmos que negam aos bebês a única chance que estes têm. A construção que vou fazer pode soar um tanto forte, mas é inevitável: quando a ética petista é aplicada, inocentes morrem! Aliás, não morrem. São assassinados! Notem que não se trata mais nem de se dizer contra ou a favor do aborto. Estamos falando do que é ética e moral, algo que o mundo ocidental civilizado já descobriu há muito tempo, mas que o Brasil do PT insiste em subverter. Bem, verdade seja dita: a crise moral que se vê em episódios como o aqui relatado não é apenas do PT. É de todo o consenso progressista e politicamente correto que tomou o mundo de assalto. A gente moderna e humanista que pretende criar o tal “outro mundo possível”, não tolera a fome na África, o lucro do capitalismo e o desmatamento da Amazônia, mas consegue descartar seus próprios filhos com uma desenvoltura embasbacante. Vivemos, pois, sob a autocracia do pensamento que se mobiliza pelos filhotes de golfinhos, que critica a Coca-Cola e o tabaco, ao mesmo tempo em que não vê problema em estimular o assassinato de bebês. Assassinato, eu disse? Sim, disse. Porque é disso que estamos falando quando o assunto é aborto. Ou alguém consegue, sem se deixar sugar pela verborreia da retórica contorcionista, diferenciar isto de um homicídio puro e simples? Caso não conheçam o assunto, trata-se daquilo que o progressismo americano chama de “partial-birth abortion”, ou aborto com nascimento parcial. É o procedimento mediante o qual o bebê, já no último trimestre da gestação – isto é, praticamente pronto para vir ao mundo –, é morto covardemente a fim de interromper a gravidez. Repito: desafio qualquer um a me demonstrar como isso não seria um assassinato. Desnecessário dizer que, em fase tão adiantada da vida, o bebê já sente, ouve e, inclusive, se comunica com o mundo exterior. E aqui, chegando ao final do texto, deixo diante de todos minha perplexidade. Que progressismo é esse, onde o “novo mundo”, a “justiça social” e a tal “igualdade dos homens” deve ser alcançada por meio de uma moral e de uma ética que tolera semelhante barbaridade? Serei eu realmente tão conservador? Ou é a inversão de valores promovida pelo politicamente correto que subverteu o norte do mundo? Como acreditar em propósitos de paz perpétua quando o interlocutor não vê problema em admitir o homicídio de crianças? Eu defendo o direito que as crianças têm de virem ao mundo, e não só o direito delas, eu defendo o direito à vida, seja em que condições forem. Não me acho no direito de decidir sobre a vida de quem quer que seja. Talvez tenha ficado retrógrado e ultrapassado com o tempo. Mas não posso concordar com o assassinato de inocentes. Posso estar errado, mas tenho a consciência tranquila. com a colaboração de Yashá Gallazzi |
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Lula, FMI e nós
Lula tem um passado de lutas contra o FMI. São históricas as passeatas em que ele participou ou mesmo comandou com os “Fora FMI”! Isso deve ter deixado marcas nele. E acho que essa atitude do “Brasil” com o FMI tem algo de “vingança”.
Com o objetivo de ampliar a capacidade de empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI), em abril deste ano, durante reunião em Londres, os líderes do G20 acordaram que os países mais fortes - os que têm recursos disponíveis - dariam aportes de forma que o FMI obtivesse mais 500 bilhões de dólares para ajudar os países em dificuldade, principalmente os afetados pela crise econômica internacional. O Brasil foi convidado a dar sua contribuição. O convite foi prontamente aceito.
De acordo com nota divulgada nesta segunda-feira (05/10) pelo Ministério da Fazenda, o Brasil vai adquirir 10 bilhões de dólares em bônus do FMI. Na nota, o Ministério explica que o Banco Central está autorizado a comprar ativos do FMI que poderão ser convertidos em moedas de liquidez internacional imediatamente, se necessário. Desta forma, ainda de acordo com a nota, esta operação apenas altera a composição das reservas internacionais do País o que contribui para a sua diversificação.
A primeira impressão é a de que esta operação é benéfica ao Brasil. Porém, ela é prejudicial. Não apenas pelo custo fiscal, mas também pelo custo-oportunidade, ou seja, perdemos dinheiro ao não aplicá-lo em investimentos mais rentáveis ou ao não diminuir nossas dívidas em outros contratos e sob outras modalidades, livrando-nos de juros.
Se olharmos pelo lado dos investimentos internos, veremos que este valor despendido fará muita falta. Vejamos, por exemplo, a situação calamitosa em que se encontram os estados e municípios brasileiros. Para o municípios, o governo custou a liberar o montante de 1 bilhão de reais para compensar as perdas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e, para os Estados exportadores, dificulta a compensação real da Lei Kandir. Enquanto isso, para o FMI o Brasil libera 10 bilhões de dólares, quase 20 bilhões de reais, ou seja, 20 vezes o que é dado aos nossos municípios.
Além disso, o governo federal se recusa a aumentar os recursos da saúde na regulamentação da Emenda Constitucional 29, nega-se a aprovar os projetos que acabam com o fator previdenciário e recuperam o valor das aposentadorias e não recompõe adequadamente os recursos perdidos na crise pelos estados e municípios, com a desculpa de não ter recursos.
Parece que as questões que deveriam ser prioritárias para o governo brasileiro não o são. Portanto, não percebo benefícios práticos nessa operação, apenas o poder de posar de credor internacional diante dos olhos do Mundo. Ou seja, pura vingança de Lula com o dinheiro dos outros.
Entendo que o Brasil, ao investir 10 bilhões de dólares em bônus do FMI, mostra a liderança do País entre os emergentes e isto é interessante. Porém, tudo tem a sua hora. E o momento é de olhar internamente, perceber os problemas enfrentados pelos entes federados e buscar soluções. Comprar bônus do FMI é vendar os olhos para os problemas internos e passar uma imagem fantasiosa para o mundo.
Enfim, vejo este “empréstimo” como uma grande demagogia. Afinal, o governo mostrará que além de não precisar de apoio financeiro do FMI, o Brasil está em condições de emprestar um montante expressivo de recursos ao Fundo. Enquanto isso, os estados e municípios brasileiros pedem socorro.
Corumbá
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Nessa Olimpíada perdemos. Sempre
Não deixa de ser pedagógico o fato de as Nações Unidas terem divulgado o seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) apenas 48 horas depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter decretado que o Brasil passara a ser um país de "primeira classe", porque o Rio fora escolhido para sede da Olimpíada de 2016.
Não, presidente, o Brasil é de 75ª classe, a sua classificação no IDH, vexatória como sempre.
Aliás, toda vez que sai um ranking internacional que mede algum aspecto do desenvolvimento humano, o Brasil passa vergonha.
Ficou, desta vez, quase empatado com a Bósnia-Herzegovina. Ajuda-memória: a Bósnia-Herzegovina é aquele pedaço da antiga Iugoslávia que passou faz pouco menos de 20 anos por um genocídio --e nada é mais devastador para o desenvolvimento humano que uma guerra como aquela.
O Brasil, ao contrário, não tem uma guerra desse tipo desde a do Paraguai, no remoto século 19. Não obstante, empaca no desenvolvimento humano desde sempre.
O que torna ainda mais desagradável o resultado é o fato de que, nos 15 anos mais recentes, o país teve dois governos de eficiência acima do padrão usual e de proclamadas intenções sociais, algumas realizadas, outras nem tanto ou nada.
O Brasil de fato passou a ter, nos últimos anos, um peso internacional inédito na sua história, mas o IDH só dá total razão ao que Clóvis Rossi escreveu domingo, para a o jornal FOLHA DE SÃO PAULO: "Nada de perder a perspectiva: os que fizeram a viagem [rumo à primeira classe] são poucos, pouquíssimos políticos, um bom número de diplomatas e funcionários públicos graduados, um número crescente mas ainda pequeno de empresários. É uma vanguarda que, se olhar para trás, verá que a grande massa ainda come poeira".
A ONU assinou em baixo. E de quebra desmontou a falácia dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) como as grandes potências de um futuro próximo. A Rússia ficou pouco acima do Brasil, no 71º lugar; a China, bem abaixo, no 92º. A Índia, então, é de terceira classe no capítulo desenvolvimento humano (134º posto).
Na Olimpíada da Miséria ainda somos campeões e, se hoje, com toda essa euforia de conquista, abrirmos os olhos para o desenvolvimento de nossos jovens, principalmente cultural, terá valido a pena o esforço e passaremos, aí sim, a ser um grande país para se viver!
baseado em texto de Clovis Rossi
Corumbá

