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domingo, 11 de novembro de 2012

O bode de plantão, por Mary Zaidan

Não falha nunca. Ao final de cada eleição, a reforma eleitoral volta à baila como essencial, inadiável. Passam-se alguns meses e ninguém mais fala disso. No máximo se faz uma maquiagem aqui, outra acolá, nas regras para o pleito seguinte, e pronto.

Em 2010, mal as urnas deram a vitória a Dilma Rousseff, Lula anunciou que se dedicaria de corpo e alma para provar que o mensalão era uma farsa e aprovar a reforma política, a mãe de todas. Só se dedicou à primeira empreitada. E sem sucesso. De reforma política nada mais falou.

Desta vez, coube a José Dirceu reavivar o tema. Réu condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, o ex-ministro saiu na defesa do financiamento público das campanhas e da inclusão da regulamentação da mídia na pauta do PT de 2013.

Assim como Lula, é pouco provável que Dirceu esteja interessado na reforma política. Quer mesmo a regulamentação da mídia, nome pomposo para controle e, consequentemente, limitações à imprensa que tanto incomoda o PT, a si e aos seus. Sem meias palavras, censura.

Aliás, chega a ser cômico um partido que considera caixa 2 crime menor, a ponto de admiti-lo diante da Corte Suprema, propor financiamento público de campanhas. E ainda fazê-lo em nome da moralização do pleito, sob o argumento de que as doações privadas são portas para a corrupção.

Em suma, candidamente, o PT culpa o sistema e não o ladrão. É como dizer: só roubei o carro do vizinho porque ele deixou a garagem aberta.

Mas partido algum tem interesse real na reforma política. Todos fingem dar importância a ela, mas tergiversam na hora do vamos ver. Na Câmara dos Deputados e no Senado, há anos o assunto passa de urgência urgentíssima para gaveta engavetadíssima.

O Parlamento deixa crescer vácuos nas regras eleitorais, obriga a Justiça a tampá-los emergencialmente em cada pleito, e depois reclama que a Justiça está ocupando os espaços legislativos.

Enquanto isso, questões como voto facultativo - já praticado e não legalizado, como se viu na ausência de 30% dos eleitores nas eleições municipais -, sistema eleitoral, voto distrital puro ou misto, regulamentação das lacunas da Ficha Limpa e outras tantas ficam no limbo. E a quem isso apoquenta? A ninguém.

Conclui-se, então, que a reforma política tem relevância menor do que a ela se atribui. Tornou-se um bom encosto para enfeitar discursos. Um bode de plantão para se tirar da sala.

Foi o que Lula fez. É o que Dirceu repete agora.

Corumbá

 

Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Caíram as pedras do muro

Enviado por Sandro Vaia – 12/10
Sim, o ex-presidente Lula tem razão: estamos preocupados com o Palmeiras ameaçado pelo fantasma da série B.

Mas ao contrário do que ele pensa e expõe na sutileza de sua metáfora, a gente sabe que se cair, levanta a cabeça, disputa a segundona com toda honra, e volta grande como sempre foi, e quem sabe com mais juízo e mais competência. Esse é o destino dos grandes.

É muito mais fácil manter a cabeça erguida com as infelicidades do futebol do que com uma condenação incontestável pela mais alta Corte do País por vários crimes de corrupção.

Por isso, a frase do ex-presidente é descabida e desrespeitosa para com a inteligência do brasileiro.

Se ele quis se referir especificamente à influência do julgamento do mensalão no resultado das eleições, pode estar lamentavelmente próximo da verdade.

Segundo uma medição da Datafolha – com todos os pés atrás que as pesquisas de opinião estão merecendo, principalmente em função da volatilidade da opinião pública- apenas 19% dos eleitores sofreria alguma influência dos resultados do julgamento do mensalão na escolha dos dirigentes municipais.

Acontece que a comprovação cabal da existência do mensalão e a consequente demolição da tese do “simples Caixa 2” por parte da Justiça, tem muito mais a ver com a construção dos fundamentos de um sistema politico ético para o futuro do que com o imediatismo do resultado eleitoral que conheceremos daqui a 20 dias.

Os comentários patéticos do ex-presidente, as cartas deprimentes dos condenados Dirceu e Genoíno, as notas do partido e das suas linhas auxiliares, como a CUT, são um desrespeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito.

O julgamento foi feito inteiramente dentro das regras do jogo democrático. Grande parte dos juízes da Corte foram nomeados pelos 3 últimos governos.

A única suspeição que pode ser arguida é exatamente sobre um dos juízes que mais absolveram.

Um juiz que trabalhou para um dos réus durante cinco anos. Foi seu subordinado funcional e esperava-se que em função disso se declarasse impedido de participar do julgamento. Mas participou e absolveu o mais vistoso dos acusados, exatamente seu ex-chefe.

A repercussão imediata do resultado do julgamento nas eleições é o que menos importa. A opinião pública, como observa César Maia, na base social, se cristaliza em ondas que requerem tempo.

Mudanças de hábitos e costumes políticos só se consolidam dentro de um tempo histórico.

Mas como as pedras do Muro de Berlim jamais serão recolocadas, os costumes políticos do Brasil, depois do episódio do Supremo, jamais serão os mesmos. A impunidade caiu, foi posta abaixo.

Corumbá

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail:svaia@uol.com.br

domingo, 17 de outubro de 2010

PT busca fato novo e Lula intensifica mais ainda sua participação na campanha de Dilma

As pesquisas de intenção de voto e o comportamento de Dilma Rousseff e da cúpula de sua campanha comprovam que a candidatura presidencial petista está em um mau momento.

A diferença entre José Serra e Dilma Rousseff se reduz rapidamente e ambos os lados sabem disso. Os tucanos lutam para não permitir o famigerado “salto alto” e os petistas tentam, aflitos, estancar a perda de votos.

Tanto Serra quanto Dilma focarão os maiores colégios eleitorais nesse momento. O tucano visa compensar a vantagem de Dilma no Nordeste abrindo vantagem em São Paulo e em Minas Gerais. A petista quer intensificar a ação nestes estados justamente para não permitir que isso ocorra. Além disso, quer reduzir a vantagem de Serra no Paraná e vencer no Rio Grande do Sul.

De qualquer forma, é fato que o momento é melhor para Serra e que Dilma busca um fato novo. Algo que surja para modificar a agenda da campanha que tem constrangido a petista.

Pois bem. Enquanto este fato novo não surge, as informações de bastidores e alguns novos comerciais eleitorais de Dilma demonstram que uma mudança já foi feita: Lula vai intensificar mais ainda sua participação na campanha de Dilma.

A exposição de Lula foi a resposta encontrada por alguns petistas para estancar a perda de votos de Dilma. Entre os que defendem correções de rumo e criticam o marqueteiro João Santana por algumas escolhas está o próprio Lula.

Acontece que as mesmas pessoas que defendem esta tese de tomar alguns caminhos novos têm um forte receio de que os opositores desta tese estejam corretos.

Os petistas que defendiam menos Lula e mais Dilma afirmam que quanto mais o Presidente for utilizado, mais a população terá a certeza de que Dilma não consegue se defender sozinha.

Daí para pensarem que ela não consegue governar sozinha é um “pulo”.

Muitos petistas morrem de medo deste “pulo”, mas não sabem o que mais podem fazer além de exibir Lula ao extremo, maior e único real avalizador da candidatura de Dilma.

Enquanto petistas batem cabeça, o tucanato opera o milagre de fazer Geraldo Alckmin e Aécio Neves se empenharem por José Serra.

Definitivamente o “momentum” não é do PT.

Para tentar mudar esse quadro, alguns gritaram: “Lula neles!”

Foram atendidos.

Vejamos o resultado.

Corumbá

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Novos candidatos?

Enviado por Ateneia Feijó – em 12/10/10

O aparecimento inesperado de uma outra Dilma Rousseff no debate de domingo na TV Bandeirantes causou espanto. A aparição foi logo no minuto inicial. A mulher-Lula meiga e sorridente das campanhas eleitoral e publicitária desincorporou o presidente divinizado dando lugar a uma Dilma até então desconhecida do grande público.

Agressiva, partiu para cima de José Serra querendo lhe cortar as asas logo de saída. Visivelmente espantado com a metamorfose da candidata petista, o tucano revidou com algumas bicadas cuidadosas, evitando que ela se transformasse também em uma personagem "vitimizada".

Como estariam se sentindo, em suas casas, os eleitores telespectadores? Assim, apanhados por aquela onda propagada no ar, transportando estratégias novas no segundo turno da campanha eleitoral à presidência da República?

Seria o efeito Marina Silva? Parece que sim. Seus 20 milhões de votos que derrubaram previsões de institutos de pesquisa teriam convencido os responsáveis pelas campanhas do PT e do PSDB de que o melhor caminho é outro: menos marketing e mais autenticidade.

Entretanto, para esse tipo de movimento é necessário equilíbrio racional e emocional. Nada fácil. Principalmente para quem pratica uma política do século passado dependente, entre outras coisas, de militantes aprisionados ideologicamente a um mundo inteiramente reduzido ao binário direita e esquerda. Que induz ao desejo obsessivo de poder e à busca de unanimidade. Qualquer que seja.

Voltando à Dilma aflorada no debate da Band... O que mais parecia lhe importar naquele momento era acabar com a polêmica sobre o aborto, na qual a envolveram manchetes de jornais, capas de revistas e internet. Tinha ainda o resultado da pesquisa Datafolha mostrando-lhe 48% das intenções de voto contra 41% de Serra. Uma diferença bem menor do que a imaginada. Havia também a constatação de que a maior parte dos votos de Marina teria se transferido para Serra.

Há quem considere a polêmica sobre o aborto motivo da queda de Dilma. Não é bem assim. Afinal, as igrejas mais conservadoras e o fundamentalismo religioso estão presentes principalmente no seu reduto eleitoral: Norte e Nordeste. Onde é Deus no céu e Lula na terra. Além do mais, entre os evangélicos, ela tem o apoio do vice-presidente José Alencar e do reeleito senador Marcelo Crivela, da "poderosa" Igreja Universal.

Independentemente do sensacionalismo na mídia, a discussão sobre o tema foi dimensionada nas ruas e nos lares das classes emergentes exatamente por ser de natureza íntima; mexer com família e sentimentos. Em um país cuja população tem dificuldade em falar sobre temas que envolvam entendimento histórico, econômico, político, científico... posicionar-se em relação a um tabu é uma oportunidade de dar sua opinião. E exercê-la apaixonadamente.

No primeiro turno houve uma tentativa de constranger Marina Silva com a questão do aborto, tentando desqualificá-la como fundamentalista. Ela tirou de letra, assumindo com sinceridade sua posição pessoal, ao mesmo tempo em que se declarava cidadã candidata a presidência de um Estado laico e, portanto, disposta a fazer um plebiscito para a própria sociedade decidir a questão. Sem estresse. Apenas foi ela mesma.

Ateneia Feijó é jornalista

Corumbá

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O súbito encanto de Marina Silva

Enviado por ARNALDO JABOR – 05/10/2010

Não, o Palácio de Inverno de São Petersburgo da Rússia em 1917 ainda não será tomado pela onda vermelha.
Não. Agora, o PT vai ter de encarar: estamos num país democrático, cultural e empresarialmente complexo, em que os golpes de marketing, os palanques de mentiras, os ataques violentos à imprensa não bastam para vencer eleições... (Por decência, não posso mostrar aqui os emails de xingamentos e ameaças que recebo por criticar o governo). O Lula vai ter de descobrir que até mesmo seu populismo terá de se modernizar. O povo está muito mais informado, mais online, mais além dos pobres homens do Bolsa-Família, e não bastam charminhos e carismas fáceis, nem paz e amor nem punhos indignados para a população votar. Já sabemos que enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados, que enquanto não acabarem as regras políticas vigentes, nada vai se resolver. Já sabemos que mais de R$ 5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas e nenhum carisma esconde isso para sempre. Já sabemos que administração é mais importante que utopias.
A campanha à que assistimos foi uma campanha de bonecos de si mesmos, em que cada gesto, cada palavra era vetada ou liberada pelos donos da "verdade" midiática. Ninguém acreditava nos sentimentos expressos pelos candidatos. Fernando Barros e Silva disse na Folha uma frase boa: "Dilma parece uma personagem de ficção e Serra a ficção de uma personagem." Na mosca.
Serra. Os erros da campanha do Serra foram inúmeros: a adesão falsa ao Lula, que acabou rindo dele: "O Serra finge que me ama"...
Serra errou muito por autossuficiência (seu defeito principal), demorando muito para se declarar candidato, deixando todo mundo carente e zonzo, como num coito interrompido; Serra demorou para escolher um vice-presidente (com a gafe de dizer que vice bom é o que não aporrinha), fez acusações ligando as Farc à Dilma, esculachou o governo da Bolívia ainda no início, avisou que pode mexer no Banco Central e, quando sentiu que não estava agradando, fez anúncios populistas tardios sobre salário mínimo e aposentados. Nunca vi uma campanha tão desagregada, uma campanha antiga, analógica numa época digital, enlouquecendo cabos eleitorais e amigos, todos de bocas abertas, escancaradas, diante do óbvio que Serra ignorou. Serra não mudou um milímetro os erros de sua campanha de 2002. Como os Bourbon, "não esqueceu nada e não aprendeu nada".
A campanha do primeiro turno resumiu-se a dois narcisismos em luta.
Dilma. Enquanto o Serra surfava em sua autoconfiança suicida, a Dilma, fabricada dos pés ao cabelo, desfilava na certeza de sua vitória, abençoada pelo "Padim Ciço" Lula.
Seus erros foram difíceis de catalogar racionalmente, mas os eleitores perceberam sutilezas na má interpretação da personagem, como atrizes ruins em filmes.
O sorriso sem ânimo, riso esforçado, a busca de uma simpatia que escondesse o nítido temperamento autoritário, suas palavras sem a chama da convicção, ocultando uma outra Dilma que não sabemos quem é, sua postura de vencedora, falando em púlpitos para jornalistas, sua arrogância que só o salto alto permite: ser pelo aborto e depois desmentir, sua união de ateia com evangélicos, a voracidade de militante - tarefeira, para quem tudo vale a pena contra os "burgueses de direita" que são os adversários, os esqueletos da Casa Civil, desde os dossiês contra FHC, passando pela Receita Federal (com Lina Vieira e depois com os invasores de sigilos), sua tentativa de ocultar o grande hipopótamo do Planalto que foi seu braço direito e resolveu montar uma quadrilha familiar. Além disso, os jovens contemporâneos, mesmo aqueles cooptados pelo maniqueísmo lulista, não conseguem votar naquela ostentada simpatia, pois veem com clareza uma careta querendo ser cool.
Marina. Os erros dos dois favoritos acabaram sendo o grande impulso para Marina. No meio de uma programação mecânica de marketing, apareceu um ser vivo: Marina. Isso.
Uma das razões para o segundo turno foi a verdade da verde Marina. Sua voz calma, sua expressão sincera, o visível amor que ela tem pelo povo da floresta e da cidade, tudo isso desconstruiu a imagem de uma candidata fabricada e de um candidato aferrado em certezas de um frio marqueteiro.
Marina tem origem semelhante à do Lula, mas não perdeu a doçura e a fé de vencer pelo bem. Isso passa nas imperceptíveis expressões e gestos, que o público capta.
Agora teremos um segundo turno e talvez vejamos um PSDB fortalecido pela súbita e inesperada virada. Desta vez, o partido terá de ser oposição, se defendendo e não desagregado como foi no primeiro turno, onde se esconderam todos os grandes feitos do próprio PSDB, durante o governo de FHC.
Desde 2002, convencionou-se (Quem? Por quê?) que o Lula não podia ser atacado e que o FHC não poderia ser mencionado. Diante dessa atitude, vimos o Lula, sua clone e seus militantes se apropriarem descaradamente de todas as reformas essenciais que o governo anterior fez e que possibilitaram o sucesso econômico do governo Lula, que cantou de galo até no Financial Times, assumindo a estabilização de nossa economia. E os gringos, desinformados, acreditam.
Além disso, com "medinho" de desagradar aos "bolsistas da família", ninguém podia expor mentiras e falsos dados que os petistas exibiam gostosamente, com o descaro de revolucionários "puros". Na minha opinião, só chegamos ao segundo turno por conta dos deuses da Sorte. Isso - foi sorte para o Serra e azar para a Dilma.
Ou melhor, duas sortes:
O grande estrago causado pela súbita riqueza da filharada de Erenice, ali, tudo exibido na cara do povo, e o reconhecimento popular do encanto sincero de Marina.
Isso salvou a campanha errática e autossuficiente do José Serra, que apesar de ser um homem sério, competentíssimo, patriota, que conheço e respeito desde a UNE, mas que é das pessoas mais teimosas do mundo.
Duas mulheres pariram o segundo turno. Se ouvir seus pares e amigos, poderá ser o próximo presidente. Se não...

Corumbá

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Como a vitória de Dilma no primeiro turno foi abortada

Análise de  José Roberto de Toledo – O Estado de São Paulo

A queda de Dilma Rousseff (PT) na pesquisa Ibope foi homogênea. Ela caiu praticamente em todos os segmentos de renda e escolaridade, perdeu eleitores no Sul, no Sudeste e no Nordeste, e entre homens e mulheres. Há sinais de que a internet e a religião podem ter tido papel chave nesse movimento.

A consistência na queda sinaliza que não se trata de oscilação eventual da candidata do PT, mas, possivelmente, a retomada de uma tendência de queda que ela havia demonstrado no começo da semana passada. Sugere também que a causa é algo que atinge indiscriminadamente eleitores de todas as classes sociais e regiões do País.

A novidade da reta final da campanha foi a queda de Dilma entre os eleitores evangélicos. Até o começo da semana, a petista havia perdido 7 pontos nesse segmento. Entre outros motivos, por causa da polêmica na internet sobre sua opinião a respeito do aborto.

Vários vídeos explorando a mudança de posição da petista sobre o assunto viraram hits de audiência no YouTube. Em um deles, ela aparece defendendo, durante entrevista em 2007, a descriminação da prática. Em outro vídeo, um pastor pede aos fiéis para não votarem em ninguém do PT, por causa das posições do partido sobre o aborto. O clipe de 11 minutos tinha sido visto 2,8 milhões de vezes até ontem.

A grande beneficiária da queda de Dilma foi a evangélica Marina Silva (PV), que cresceu entre irmãos de fé e empatou com José Serra (PSDB) nesse segmento, que soma 20% do eleitorado.

A campanha de Dilma acusou o golpe e agiu rápido para estancar a sangria de votos. Organizou uma reunião de última hora com líderes religiosos na quarta-feira e estimulou bispos e pastores evangélicos, como Edir Macedo, da Igreja Universal, a pregarem o voto na petista.

Num primeiro momento, a estratégia pareceu funcionar e as pesquisas realizadas no meio da semana passada mostraram Dilma estabilizada, inclusive entre os evangélicos.

A pesquisa de véspera indica que a onda de rejeição à petista se estendeu dos evangélicos para os católicos. Dilma manteve sua intenção de voto entre os primeiros, mas caiu entre os fiéis da Igreja. Bispos e padres católicos também pregaram contra a descriminação do aborto nas últimas semanas.

O efeito só está aparecendo agora.

Corumbá

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Em defesa da democracia e da liberdade de imprensa

Nota assinada por Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, que acaba de ser distribuída:

Merece total repúdio do povo brasileiro a tentativa de intimidação da imprensa, por parte do PT, da campanha Dilma e de setores sindicais. A convocação de um ato destinado a esse fim explicita a vocação autoritária desses apoiadores.

Não se espantam com a corrupção e com os malfeitos, queixam-se das notícias que revelam corrupção. Querem uma imprensa e uma opinião pública subordinadas. Não é coincidência que os mesmos que preconizam um “controle da imprensa” se juntem para tentar tirar legitimidade de uma vitória de José Serra.

Nunca antes na história deste país se viu tanta desfaçatez. O presidente da República apequena e mancha a investidura que recebeu para jogar-se numa aventura ilegal, subvertendo as leis e as normas básicas do jogo democrático.

Sob o pretexto da popularidade, os patrocinadores da chapa oficialista consideram-se inimputáveis. Instituíram o vale-tudo: abuso da máquina, uso de dinheiro público e violações de direitos constitucionais.

Ao convocar um ato para intimidar a imprensa, têm a cara-de-pau de evocar a democracia, quando o que querem é abalar um dos seus pilares: a liberdade de expressão e de informação.

Causa perplexidade que chamem de jogo sujo o direito à informação, ao mesmo tempo em que inundam o país com panfletos mentirosos a respeito dos adversários.

O povo brasileiro não é bobo. Não se deixará intimidar, nem se deixará levar por previsões que dão como terminada, e com resultado apurado, uma eleição em que ninguém ainda votou. Querem ganhar no grito, na pressão e na ameaça.

Não passarão. No dia 3 de outubro, longe das pressões do Poder e de seus asseclas, os eleitores brasileiros se manifestarão. Livres. Das urnas sairá a vontade popular.

Em defesa da democracia, da liberdade, em defesa de um país decente.

Corumbá

domingo, 19 de setembro de 2010

Gaspari: ‘Companheira Dilma e comissária Rousseff’

Enviado por Elio Gaspari em 19/09:

Num primeiro momento, Dilma Rousseff dissera que o ‘Erenicegate’ era problema do governo, não de sua campanha.

Neste sábado (18), a candidata atualizou o bordão de Lula ‘Não sabia de Nadinha’ da Silva: “Não cheguei a tomar conhecimento”, disse ela.

Até aqui, o Brasil vinha sendo apresentado a uma presidenciável extraordinária, gerente impecável, gestora de êxitos retumbantes. Ao dizer que não sabia o que se passava ao redor de Erenice Guerra, Dilma pede para ser vista como boba involuntária, não como cúmplice espontânea.

Todo mundo tem o direito de dizer o que bem entende. Mas aquela personagem da propaganda eleitoral perdeu o nexo.

Todo mundo tem o direito de votar e eleger quem quiser. Mas tem que ter noção do que virá em seguida.

Um artigo levado às páginas deste domingo (19) pelo repórter Elio Gaspari ajuda a entender o porquê. Vai abaixo o texto:

“Segundo a superstição petista, Dilma Rousseff é uma executiva altamente qualificada. Que seja. Ela teve um loja de cacarecos panamenhos chamada ‘Pão e Circo’, no centro comercial Olaria, em Porto Alegre, mas a aventura durou 17 meses.

Fora daí, seu currículo ficou na barra da saia da viúva. Nele, embutiu um doutorado pela Unicamp que nunca foi concluído, mas deixou de mencionar sua única, banal e pitoresca passagem pela atividade privada.

Nomeada ministra de Minas e Energia, por Nosso Guia, assistiu ao loteamento de sua pasta e a ida do engenheiro Silas Rondeau para a presidência da Eletronorte. Qualificava-se com títulos da Universidade Sarney, onde teve como orientador o eletrizante empresário Fernando, filho do ex-presidente.

Em 2004, a ministra fritou o presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, engenheiro nuclear, doutor pela UFRJ, com passagens por sete universidades estrangeiras. Para o seu lugar, turbinou Rondeau, que acabou substituindo-a no ministério.

Em maio de 2007, um assistente do doutor foi preso pela Operação Navalha. Acusado pela Polícia Federal de ter recebido R$ 100 mil de uma empreiteira, Rondeau deixou o cargo. Denunciado por gestão fraudulenta e corrupção passiva, ele se tornou o sétimo ministro de Nosso Guia apanhado pelo Ministério Público.

Rondeau subiu na vida por conta da aliança política com José Sarney, Erenice foi para a Casa Civil com credenciais típicas do comissariado: a fidelidade ao aparelho petista e à comissária Rousseff. Juntas, deixaram as impressões digitais no episódio da montagem de um dossiê com as despesas de Fernando Henrique Cardoso no Alvorada.

Há dias, um cálculo da Rede Guerra de Trabalho e Emprego informava que, em 15 anos, Erenice, seus três irmãos e dois filhos passaram por pelo menos 14 cargos.

Há mais: foram pelo menos 17, distribuídos pelos setores de urbanismo, educação, saúde, transportes, segurança, energia, planejamento e pela burocracia legislativa. Israel, filho da doutora, tinha uma boquinha na Terracap e José Euricélio, irmão dela, bicou na editora da Universidade de Brasília e estava na teta da Novacap..

Corumbá

terça-feira, 7 de setembro de 2010

COMPETÊNCIAS

Enviado por Jânio de Freitas - Folha de São Paulo

Ex-governador de Pernambuco, ex-prefeito de Recife, o senador peemedebista Jarbas Vasconcelos está sob o risco de protagonizar o grande vexame eleitoral. Só a diferença de 56 pontos entre os seus 17% e os 73% de Eduardo Campos já é maior do que o necessário para uma eleição em primeiro turno.

Jarbas Vasconcelos não queria candidatar-se. José Serra precisava, porém, de candidatos com posição forte para ajudá-lo no Nordeste. Depois de muita recusa seguida de muita relutância, Jarbas cedeu ao compromisso de que o PSDB lhe daria todo o apoio material e o suporte político possível. Continua esperando.

Nunca foi provável que impedisse a reeleição de Eduardo Campos, mas ninguém imaginava o que se passa. E os competentes do PSDB ainda se queixam do Nordeste.

Corumbá

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O grande perdedor do debate? É você, eleitor

Querem uma opinião isenta, objetiva e sem paixões sobre o debate da Band? Tenho essa: Plínio precisa urgentemente de um neto que o impeça de aparece em rede nacional defendendo ideias que, de tão velhas, provavelmente têm a idade dele. Gostaram? Bom, se não gostaram tenho outra opinião: Marina deve entender – e rápido! – que o discurso do oprimido que “passou dificuldades na vida” só funciona com Lula. Tá boa essa? Não?! Bom, então mais uma: Dilma precisa desistir desse negócio de participar de debate. E precisa, também, contratar uma fonoaudióloga. Esta última providência, aliás, é a mais urgente!

O debate promovido pela Band foi morno, sem graça e pouco – ou quase nada – decisivo. A culpa é do formato rígido criado pela justiça eleitoral, que tratou de transformar disputas políticas em meros embates numéricos. Ganha aquele que tiver os melhores números para apresentar (não necessariamente verdadeiros…), e que souber aliar isso a uma desenvoltura minimamente aceitável. Não dá, por exemplo, para tentar defender o governo Lula, tido pelos petistas como o mais perfeitamente maravilhoso e eficiente da história do mundo gaguejando a cada três palavras, como fez a ex-terrorista.

Não houve um candidato que dominasse o debate. Considero que Serra “venceu por pontos”, pois foi inegavelmente mais claro em suas falas, além de ter demonstrado que consegue, com muito mais propriedade que os demais, se ajustar às regras do programa televisivo. Obviamente que isso é devido à maior experiência eleitoral de Serra: quem participou de mais debates, se sai melhor do que quem nunca antes participou de um.

Marina foi uma decepção. Mostrou que não tem programa – só “bandeiras”- o que é algo muito grave, afinal ela está há algum tempo fora de qualquer cargo, só preparando sua candidatura. Além disso, em que pese a falta geral de encanto dos candidatos desta eleição, o rosto e a voz de Marina são espantosamente ruins diante das câmeras. Isso é algo que ela provavelmente vai trabalhar, não apenas para os próximos debates, mas para as próximas eleições.

Plínio, dizem, foi a “sensação” do debate. Não concordo. Ele agiu como um legítimo wild card, ou seja, como alguém que está lá sabendo que é “café-com-leite”. O socialista sabe que não tem nenhuma chance de vencer, por isso sente-se livre para não apresentar nada de concreto. Pôde gastar todo o tempo que lhe foi dado para fazer algumas piadas, elaborar um punhado de ironias muito bem aplicadas e, principalmente, desfilar uma infinidade de clichês esquerdistas que não suportam 30 segundos de confronto com a lógica. Eu, por exemplo, não entendo por que ninguém perguntou a Plínio como diabos ele pretende limitar todas as propriedades. No papo, ou na bala mesmo?

Dilma foi a que mais surpreendeu negativamente. Até eu, que sou um “porco direitista, reacionário, conservador, preconceituoso” que voto em Serra, nunca pensei que a ex-terrorista fosse tão despreparada para o exercício do contraditório. Francamente, não há nem o que discutir: Dilma se atrapalhou para dar “boa noite”, logo no início do programa. Sem falar que estourou praticamente todos os tempos que teve. Sempre imaginei que ela não era boa de debate, mas nunca pensei que fosse assim tão péssima! De resto, a fala de Marta Suplicy(-Favre-Belisário-Wermus), companheira de Dilma, resume tudo: “Tanta preparação pra isso?!” Pois é… Quando alguém como Marta, capaz de tomar uma descompostura de ninguém menos que Paulo Maluf, reclama do desempenho de alguém num debate, é porque a coisa foi feia mesmo.

Mas, aos meus olhos, o grande derrotado do debate da Band foi mesmo o formato ridículo que nasceu a partir das infindáveis normas impostas pela justiça eleitoral, a começar pela imposição de convidar vários candidatos, não apenas os principais. Por que diabos um sujeito velho como Fidel Castro – na idade e nas ideias – deveria ter o mesmo espaço que os dois favoritos, Serra e Dilma? Ora, não sejamos politicamente corretos. Vamos aos fatos: Plínio não é igual aos dois principais candidatos. Logo, não deve ser tratado como eles, pois isso não é… democrático!

E o que dizer dessa limitação absurda de tempo? Marina vem pergunta: “Serra, como você vai resolver o problema da saúde pública?” Aí o mediador se vira pro tucano e avisa: “Dois minutos, candidato.” Dois minutos?! Pra falar sobre saúde pública?! Seria preciso uma semana… É um formato vencido, que não engrandece em nada a democracia. A grande vantagem de um debate eleitoral é ver os candidatos partindo pra cima, atacando, na esperança de nocautear o oponente. Do jeito que é hoje, eles são todos estimulados a jogar na retranca, esperando um erro do adversário, coisa que, com o batalhão de assessores que cerca cada um, se torna praticamente impossível.

Debates bons eram os de antigamente, quando Brizola chamava Maluf de “filhote da ditadura”, e este respondia dizendo que o pedetista não havia estudado o suficiente, sem apalear para chicanas ridículas como o tal “direito de resposta”. Ou quando Lula acusava Collor de ser um Pinóquio, e o alagoano respondia chamando o petista de analfabeto. E ninguém ousava se meter no duelo, que era travado livremente por dois políticos. Sem falar que o povo adorava isso! E ainda adora. Acho engraçados esses marqueteiros de agora, que não querem discutir política ou ideologia por medo das tais ofensas pessoais (as baixarias). Ué, mas nós adoramos isso! Não fosse assim, as novelas não teriam tanta audiência.

Enquanto as regras engessadas que regem os debates brasileiros não forem flexibilizadas, continuaremos vendo duelos de gerentões, cada um esgrimindo números ao seu bel prazer, sem que seja possível, sequer, contradizer aqueles que mentem de forma deliberada. Nunca mais poderemos ver uma cena épica como a do debate entre Montoro e Quadros, onde este aplicou aquele que, a meu ver, é o maior golpe de mestre da história dos debates televisivos brasileiros. Procurem o vídeo no YouTube, está lá. Aquilo era política. O que temos hoje é algo mais chato do que campeonato juvenil de curling.

baseado em texto de Yashá Gallazzi

Corumbá

 

domingo, 6 de junho de 2010

País assiste à flexibilização das fronteiras ideológicas

Enviado por Josias de Souza:

Prisioneiros do próprio impudor, PSDB e PT baniram do debate eleitoral de 2010 um tema antes obrigatório: corrupção. Desapareceu da cena política brasileira a presunção de superioridade moral. As legendas que polarizam a disputa integraram-se à perversão comum a todas as siglas.

Nos últimos 16 anos - dois mandatos de Fernando Henrique e dois de Lula - o brasileiro assistiu a uma notável flexibilização das fronteiras éticas e ideológicas. A "social-democracia" tucana e o "socialismo" petista provaram-se capazes de ceder a todas as tentações -da maleabilidade nos costumes às alianças esdrúxulas.

Impossível, por exemplo, mencionar o mensalão sem especificar o sobrenome. Há o mensalão do PT, o mensalão do PSDB mineiro, o mensalão do DEM de Brasília.

Na composição das alianças, a integridade dos ovos não vale mais nada. Só importa o proveito da omelete, convertida em tempo de TV. Os candidatos nem se preocupam em varrer as cascas para baixo do tapete. Acham que não devem nada para o eleitor, muito menos explicações.

A união do impensável com o inacreditável não assusta mais. Até a imprensa trata as coligações com notável indulgência.

Sobre o pano de fundo da decomposição, a ex-militante Dilma Rousseff é uma nova mulher. Dá as mãos a José Sarney, um sobrevivente da ditadura que ela se jacta de ter combatido.

José Serra abraça Orestes Quércia. E esquece que, junto com FHC, Franco Montoro e Mario Covas, deixara o PMDB para não chamar de companheiro quem agora admite como aliado.

O PT de Dilma converte em heróis da resistência políticos incontroversos como Renan Calheiros e Jader Barbalho. O PSDB de Serra silencia. A reação soaria a pantomima. Renan foi ministro de FHC. Da Justiça! Jader mandou e, sobretudo, desmandou na Sudam e no Senado da era tucana.

Quem observa a sucessão de 2010 tem a impressão de que a política perdeu pelo caminho algo essencial: o recato. Quem se assombra com o já visto não imagina o que está por vir.

Institucionalizou-se a impudência sem culpa. A adesão de ex-puros a ex-inimigos, mais que estratégia, tornou-se comunhão de estilos.

A corrupção virou uma bandeira órfã porque, generalizada, a desfaçatez fez da anomalia algo, por assim dizer, normal. Formou-se um insuperável déficit estético.

Corumbá

domingo, 16 de maio de 2010

13 motivos para suspeitar que a pesquisa da Vox Populi foi feita sob encomenda.

Suspeitar é elogio…

1. No Centro-Oeste, onde está localizado grande parte do agronegócio e onde governadores são fazendeiros, Marina Silva(PV) alcançou o dobro de intenções de votos (12%) do que no Norte(6%), seu "habitat eleitoral". Um fenômeno assolou o Centro-Oeste: Serra caiu 13% e Dilma também perdeu 1%. Os números da Vox Populi contrastam com as pesquisas de todos os institutos que fizeram levantamentos locais, registrados nos TRE(S), inclusive da própria Vox Populi.

2. A justificativa para o crescimento espantoso de Dilma Rousseff foi a superexposição obtida com os comerciais do PT. Em alguns lugares, mostrou a pesquisa, apenas em alguns lugares. No Centro-Oeste ela caiu 1%. No Nordeste, ela ficou exatamente com os mesmos números. No Sul ela perdeu 4%. A candidata só aproveitou a superexposição no Sudeste e no Norte, onde cresceu, em cada região, estrondosos 8%. Não é super engraçado? Então anotem mais essa: a pesquisa pergunta se o eleitor falou sobre politica nos últimos dias, justamente para ver o efeito da propaganda. Pois não é que 78% não falaram, contra 76% da pesquisa anterior? E que, no Sudeste, este número foi de 81%?

3. Estranhamente, a Vox Populi informa que realizou pesquisa em Porto Alegre, mas não fez entrevistas na cidade, segundo dados depositados no TSE. Estranhamente...

4. Aproximadamente 40% da amostra da pesquisa publicada ontem repetiu municípios da pesquisa anterior, realizada em abril, que por sua vez repetiu praticamente 100% das cidades onde a empresa realizou a mesma pesquisa em janeiro de 2010. O Brasil tem mais de 5.500 municípios e a empresa informa ao TSE que a escolha dos locais a serem pesquisados é feita de forma aleatória.

5. Há cidades, neste universo, como Capão Leão, no Rio Grande do Sul, onde os roteiros indicados para os entrevistadores foram exatamente os mesmos, nas três pesquisas realizadas pelo instituto. As mesmas ruas. Os mesmos bairros três vezes consecutivas. Exemplos de cidades repetidas nas três pesquisas realizadas pelo instituto em 2010: Araguari(MG), Buritama(SP), Careiro(AM), Igaratá(SP), Marizópolis(PB), Presidente Médici(RO), Serra Talhada(PE), Crateús(CE), Tatuí(SP) e Taquara(RS).

6. Em São Paulo, o número de bairros foi reduzido em relação a pesquisas anteriores. Foram retirados da amostra locais como Perdizes e Bela Vista, justamente onde predomina o eleitorado tucano, conforme votações obtidas por seus candidatos nas últimas eleições. No entanto, foram mantidas nas três pesquisas bairros como Grajaú e Jardim Ângela, maiores colégios eleitorais do PT.

7. A pior avaliação de José Serra (PSDB) está no Centro-Oeste; apenas 36% tem uma imagem positiva do tucano. No Nordeste, por exemplo, 49% têm uma opinião favorável sobre Serra. No Sudeste, a avaliação positiva de José Serra é de apenas 50%, enquanto Dilma Rousseff alcança 55%. Não é impressionante?

8. É assombroso que 12% dos entrevistados não saibam responder que tipo de imagem tem sobre José Serra, no Centro-Oeste. No Norte e Nordeste, por exemplo, só 3% e 4% do eleitorado, respectivamente, não têm opinião a respeito. Mas o mais incrível é que, no Centro-Oeste, pela mesma pesquisa, 96% conhece José Serra, mas 12% não sabe responder o que pensa sobre ele.

9. No que se refere às citações espontâneas, o Sudeste também apresenta um dado surpreendente: Serra tem apenas 14% de citações espontâneas, contra 17% de Dilma. Já no Nordeste, o tucano é citado espontaneamente por 13% dos eleitores e a petista por 22%. A conclusão é que o tucano é tão popular em São Paulo quanto em Pernambuco.

10. Onde Dilma Rousseff alcança a sua melhor performance na votação espontânea? No Norte, pois lá 29% citam a candidata na hora! Para quem tem um percentual de 41% na região, segundo a Vox Populi, é realmente um milagre.

11. Outro dado incrível! Somente 34% dos eleitores do Nordeste não sabem responder qual é o seu candidato, na pesquisa espontânea. No Sul, tido como tão politizado, 45% não sabem em quem vão votar. O Sudeste, tão desenvolvido, tem 48% de alienados. O Centro-Oeste, por sua vez, apresenta 41% de desinteressados. E o Norte, para completar, também não está bem informado, mas está sem segundo lugar no Brasil, com 41%. As regiões até então tidas como as menos politizadas tiveram um salto de qualidade que merece tese de doutorado.

12. De uma hora para a outra, as mulheres deixaram de votar em José Serra. Agora ele tem apenas 35% dos votos entre as mulheres e 34% entre os homens. Dilma, no entanto, continua sendo preferida pelos homens e rejeitada pelas mulheres: 42% contra 34%. Onde as mulheres que largaram José Serra foram, somente milagres estatísticos podem dizer.

13. Por fim, tendo em vista todos os dados acima apresentados, a rejeição de José Serra no Centro-Oeste subiu para 31%! Dilma fica com apenas 15%. No Sudeste, Serra também é mais rejeitado do que Dilma: tem 20% contra 15% da petista.

A conclusão é que Serra conseguiu o impossível: fazer tudo errado, enquanto Dilma fez tudo certo nos últimos 30 dias.

Corumbá

sábado, 15 de maio de 2010

Igreja Católica desembarca do PT

Enviado por Ruy Fabiano* - 15.5.2010

Na origem do PT, no início da década dos 80 do século passado, há a convergência inédita de três segmentos da sociedade: sindicalistas da indústria automobilística, esquerda acadêmica e comunidades eclesiais de base, representando a ala progressista da Igreja Católica.

A articulação entre eles permitiu que o partido, mais que qualquer outro, antes ou depois, se enraizasse na sociedade, expandisse seus tentáculos e produzisse uma militância ativa e disciplinada, que nenhum outro até hoje logrou constituir.

O projeto de cada um desses segmentos era – e é – distinto. A uni-los, havia a luta comum contra a ditadura. Associaram-se à frente democrática, então comandada pelo PMDB de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, sem se permitir grande proximidade.

Derrubada a ditadura, mantiveram distância dos sucessivos governos, tornando-os alvo de críticas sistemáticas.

Passou a uni-los a questão social, cada qual focando-a a seu modo, sem conflitos que ameaçassem a convergência. Os sindicalistas tinham – e têm – visão utilitária, pragmática. Lutam por conquistas trabalhistas concretas, nos termos do sindicalismo de resultados, inicialmente criticado por Lula – e hoje marca das três centrais que dominam o setor.

Já a esquerda acadêmica e o clero progressista conferem tom ideológico à questão social, que compatibilizaram sem dificuldades com o discurso sindical. Lula mesmo já disse mais de uma vez que “nunca fui de esquerda; fui torneiro-mecânico”. Mas tem ciência de que a aliança de seu partido é pela esquerda.

Essa aliança manteve-se até aqui sem maiores conflitos. Eis, porém, que o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) promove a primeira cisão grave – aparentemente incontornável – nesse pacto partidário. A Igreja Católica está desembarcando dele. Caminhou lado a lado com a esquerda acadêmica até que a agenda de ambos – humanismo x religião - entrou em conflito.

Enquanto os uniam causas institucionais (fim da ditadura) e questões sociais (capitalismo x socialismo), foi possível conciliá-las.
Quando, porém, a agenda da esquerda passa a incluir questões comportamentais de vanguarda, que põem em xeque a moral cristã – aborto, casamento e adoção de crianças por casais gays, proibição de símbolos religiosos em locais públicos -, o convívio chegou ao limite.

O enunciado da ruptura foi dado na 48ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), esta semana, em Brasília. Os bispos deixaram de lado suas diferenças ideológicas – os progressistas, que compatibilizam cristianismo e marxismo, e os ortodoxos, que consideram os dois credos incompatíveis – e desancaram em uníssono o PNDH 3.

O governo já recuou em diversos pontos da questão: suprimiu a liberação do aborto, a proibição de símbolos religiosos, mas não as cláusulas que se referem aos gays, cujas conquistas foram alvo de foram condenação veemente por parte dos bispos, que reiteraram proibição a que ingressem na Igreja.

Como coroamento desse processo, a Assembléia produziu um manifesto em que recomenda aos fiéis que votem em "pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana.

Embora o manifesto não faça menção explícita ao PNDH 3, o cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer cuidou de fazê-lo, ao declarar que, naquele decreto, "além da descriminalização do aborto, há outras distorções inaceitáveis, como a união, dita casamento, de pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por pessoas unidas por relação homoafetiva e a proibição de símbolos religiosos”.

Será possível desfazer o impasse e conciliar as agendas? Pior: será possível dissociar Dilma Rousseff do PNDH? Na quarta-feira, em Porto Alegre, ela declarou que "estive presente em cada programa do governo". De fato, o PNDH foi concebido e executado na Casa Civil da Presidência da República.

*Ruy Fabiano é jornalista

Corumbá

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lula obriga Ciro Gomes a jogar a toalha

Enviado por Lucia Hippolito - 23.4.2010

 

Para quem acompanhou a performance desastrada... e desastrosa de Ciro Gomes na campanha eleitoral de 2002, vamos combinar que houve muitos progressos.

O deputado está quase zen.Aliás, em conversa comigo no estúdio do CBN Rio, esbanjou simpatia, respondeu a todas as minhas perguntas, e também às perguntas de ouvintes, internautas e twitteiros.Não fugiu de temas espinhosos.

Reconheceu que aprendeu muito, que caiu facilmente em cascas de banana, que não estava preparado para as agruras da campanha eleitoral. Mas, goste-se ou não dele, o que fizeram com o moço agora em 2010 não é justo. Afinal, Ciro Gomes não chegou à política ontem. Não é um neófito.

Prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda, candidato a presidente, deputado federal, ministro da Integração Nacional...

Para tudo terminar com um domicílio eleitoral transferido para São Paulo a mando do presidente Lula, que hoje nem o recebe no Alvorada?! Convenhamos que merecia tratamento melhor...

Não pelo estado-maior da campanha de Dilma. Eles não devem nada a Ciro, nem Ciro a eles.

Mas o PSB estimulou a candidatura do deputado à presidência, talvez para negociar mais caro sua adesão à candidatura da ministra Dilma. E agora fica esse jogo de empurra para saber quem é que vai comunicar a Ciro Gomes que sua candidatura não só subiu no telhado, como já caiu lá de cima.

O fato é que Ciro não será candidato a presidente, como também não o será a governador de São Paulo nem a deputado federal. Se Dilma for eleita,Ciro não terá cargo no governo federal. No caso da eleição de Serra, aí, então, muito menos.

Tudo por obra e graça do presidente Lula. Francamente!

Sua Excelência adora receber elogios, agrados, fidelidade, renúncias. Mas é absolutamente frio com aqueles que podem representar algum obstáculo aos seus projetos. Joga ao mar sem dó nem piedade.

Como fez com Dirceu, Genoíno, Palocci, Gushiken e outros tantos companheiros.

Boa mesmo é a companhia de Sarney, Renan, Jader, Geddel e aquela moçada amiga do PMDB.

Grande presidente Lula! Amigo de seus amigos!

Corumbá

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A história acabou?

Enviado pelo deputado Ciro Gomes em 15/04

Jamais imaginei, após trinta anos de vida Pública, viver uma situação política como a em que me encontro. A pouco mais de 60 dias do prazo final para as convenções partidárias que formalizam as candidaturas às eleições gerais de 2010, não consigo entender o que quer de mim o meu partido- o Partido Socialista Brasileiro.
A se dar crédito às pesquisas eleitorais, eu estaria falando por algo ao redor de 15 milhões de brasileiros, apesar de não dispor de nenhuma máquina como as portentosas estruturas do governo federal ou do governo de São Paulo ou de, notoriamente, não ser o mais querido da nossa grande mídia ou de nosso baronato. É muita coisa. É coisa mais que suficiente para irrigar em meu coração um profundo sentimento de gratidão e, mais que isso, um grave sentido de responsabilidade para com nossa Nação. Modesto, mas real e grave!
A se seguir pelo conselho pragmático que avilta a política brasileira, é óbvio que o partido só tem a ganhar apresentando uma candidatura. Os partidos que disputaram, cresceram. Os que não disputaram definharam. Merecidamente, diga-se de passagem.
A se por um olho minimamente sério sobre a realidade brasileira presente, mais óbvio e moralmente mais importante ainda é a tarefa de apresentar uma candidatura à presidência!
É fato notório o mal que faz ao Brasil esta polarização amesquinhada, porém mutuamente conveniente, entre o PT e o PSDB. É a imposição ao Brasil ,por um preço cada vez mais impagável, da briga provinciana dos políticos de São Paulo. Lá eles são iguais, especialmente nos defeitos. Isto definitivamente não é verdade no Brasil!
Esta disputa pelo mero mando propiciado pelo poder, ou, pior, por seu aparelhamento patrimonialista e corrupto só garante uma coisa: o Brasil não muda na sua essência de mais desigual entre todos os países do mundo organizado! Claro que com Lula a coisa tem melhorado…Com os neoliberais acanhados do PSDB, a coisa vinha piorando…
A democracia brasileira, jovem e imperfeita como ainda é, aguenta que, ao invés de uma ampla opção arbitrada pelo povo, o jogo do poder seja decidido em gabinetes de Brasília onde a linguagem é um misto de pressões e trocas? Lembremo-nos de que, por regra, as burocracias partidárias se eternizam, o que quer dizer que basta a ação de pressão e/ou ofertas fisiológicas sobre uma mera meia dúzia de pessoas. Assim mesmo: sobre SEIS pessoas fechadas e isoladas em gabinetes de Brasília ou de São Paulo pode-se hoje definir as opções TODAS a serem “escolhidas” pelo povo nas eleições. Isto não é, infelizmente uma hipótese. É o que está acontecendo no Brasil aqui e agora. Omitir-se sobre isto é criminoso!
O sistema eleitoral prevê dois turnos por respeitar a realidade do Pais. Uma federação cheia de maravilhosas contradições! Uma realidade de grande fragmentação partidária, parte por seqüelas de uma ordem política viciada, parte, entretanto, por expressão de muitas realidades que pedem muitos olhares sobre a vida dura de nossas maiorias. As alianças se impõem e são naturais no segundo turno.
A quem interessa tirar do povo as opções que no passado recente permitiram a um sindicalista chegar à presidência? A história acabou? Não há mais o que criticar ou discutir?  Oito de Lula, quatro de Dilma, mais oito de Lula é o melhor que podemos construir pro futuro de nosso Pais? A única alternativa é voltar a turma da privataria como diz o Elio Gaspari ? E estas transas tenebrosas de PT com PMDB é o melhor que nossa política pode oferecer como exemplo de prática aos nossos jovens?
O que é o PSB? Um ajuntamento como tantos outros, ou a expressão de um pensar audacioso e idealista sobre o Brasil? Vai se decidir isto agora.  
Eu cumprirei com disciplina e respeito democrático o que decidir meu Partido. Respeito suas lideranças. Mas, tenham meus companheiros clareza: eu não desisto! Considero meu dever com o Brasil, lutar até o fim. Se for derrotado, respeito. Mas amanhã algum brasileiro mais atento dirá que alguns não se omitiram quando se quis tirar o povo da jogada.

Corumbá

domingo, 11 de abril de 2010

MARQUETEIRO DE DILMA TENTOU INFLUENCIAR OPINIÃO DE JORNALISTAS

Enviado por Reinaldo Azevedo em 10/04/2010

 

Podem espalhar para que todos fiquem sabendo:

Enquanto acontecia o evento dos partidos de oposição em Brasília, João Santana, marqueteiro do PT, ficou disparando torpedos para os celulares dos jornalistas que cobrem política, muitos deles presentes ao encontro. E o que eles diziam?

Contra todas as evidências e contra a percepção dos presentes, afirmava que o evento estava ruim, que os discursos eram equivocados, que esse e aquele cometiam erros, que havia um monte de problemas… Em suma, o marqueteiro Santana tentava pautar os tais formadores de opinião. Até parecia que Santana estava com vontade ajudar…

A multimilionária campanha de Dilma Rousseff contratou os interneteiros que cuidaram da campanha de Obama. Essa foi uma prática corriqueira dos seus homens de marketing: criar um movimento de opinião contra os adversários — naquele caso, primeiro no próprio Partido Democrata; depois, para atingir os republicanos. Qual é a tese? Mais importante do que o sucesso ou insucesso de um evento em si, o que conta e a repercussão. E Santana tentou estragar o que os próprios petistas consideravam estar sendo um sucesso.

Certo! Não se pode condená-lo por tentar, não é? Mas informar o seu esforço é uma informação que tem de ser tornada pública. A pressão de Santana vai funcionar? Vamos ver.

Ah, sim: não adianta Santana negar. Ele sabe que é verdade. E sabe também que SMSs ficam registrados nos celulares, não é?

Ah, sim: os blogueiros do Planalto, aqueles pagos para fazer o blog do Lula, também deram plantão do Twitter, tentando pôr o evento pra baixo, comparando-o com o Dilma e sustentando, claro, que o comício ilegal da petista estava muito melhor. Eles, obviamente, não chamaram o comício de “ilegal”.

Corumbá