sábado, 15 de maio de 2010

Igreja Católica desembarca do PT

Enviado por Ruy Fabiano* - 15.5.2010

Na origem do PT, no início da década dos 80 do século passado, há a convergência inédita de três segmentos da sociedade: sindicalistas da indústria automobilística, esquerda acadêmica e comunidades eclesiais de base, representando a ala progressista da Igreja Católica.

A articulação entre eles permitiu que o partido, mais que qualquer outro, antes ou depois, se enraizasse na sociedade, expandisse seus tentáculos e produzisse uma militância ativa e disciplinada, que nenhum outro até hoje logrou constituir.

O projeto de cada um desses segmentos era – e é – distinto. A uni-los, havia a luta comum contra a ditadura. Associaram-se à frente democrática, então comandada pelo PMDB de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, sem se permitir grande proximidade.

Derrubada a ditadura, mantiveram distância dos sucessivos governos, tornando-os alvo de críticas sistemáticas.

Passou a uni-los a questão social, cada qual focando-a a seu modo, sem conflitos que ameaçassem a convergência. Os sindicalistas tinham – e têm – visão utilitária, pragmática. Lutam por conquistas trabalhistas concretas, nos termos do sindicalismo de resultados, inicialmente criticado por Lula – e hoje marca das três centrais que dominam o setor.

Já a esquerda acadêmica e o clero progressista conferem tom ideológico à questão social, que compatibilizaram sem dificuldades com o discurso sindical. Lula mesmo já disse mais de uma vez que “nunca fui de esquerda; fui torneiro-mecânico”. Mas tem ciência de que a aliança de seu partido é pela esquerda.

Essa aliança manteve-se até aqui sem maiores conflitos. Eis, porém, que o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) promove a primeira cisão grave – aparentemente incontornável – nesse pacto partidário. A Igreja Católica está desembarcando dele. Caminhou lado a lado com a esquerda acadêmica até que a agenda de ambos – humanismo x religião - entrou em conflito.

Enquanto os uniam causas institucionais (fim da ditadura) e questões sociais (capitalismo x socialismo), foi possível conciliá-las.
Quando, porém, a agenda da esquerda passa a incluir questões comportamentais de vanguarda, que põem em xeque a moral cristã – aborto, casamento e adoção de crianças por casais gays, proibição de símbolos religiosos em locais públicos -, o convívio chegou ao limite.

O enunciado da ruptura foi dado na 48ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), esta semana, em Brasília. Os bispos deixaram de lado suas diferenças ideológicas – os progressistas, que compatibilizam cristianismo e marxismo, e os ortodoxos, que consideram os dois credos incompatíveis – e desancaram em uníssono o PNDH 3.

O governo já recuou em diversos pontos da questão: suprimiu a liberação do aborto, a proibição de símbolos religiosos, mas não as cláusulas que se referem aos gays, cujas conquistas foram alvo de foram condenação veemente por parte dos bispos, que reiteraram proibição a que ingressem na Igreja.

Como coroamento desse processo, a Assembléia produziu um manifesto em que recomenda aos fiéis que votem em "pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana.

Embora o manifesto não faça menção explícita ao PNDH 3, o cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer cuidou de fazê-lo, ao declarar que, naquele decreto, "além da descriminalização do aborto, há outras distorções inaceitáveis, como a união, dita casamento, de pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por pessoas unidas por relação homoafetiva e a proibição de símbolos religiosos”.

Será possível desfazer o impasse e conciliar as agendas? Pior: será possível dissociar Dilma Rousseff do PNDH? Na quarta-feira, em Porto Alegre, ela declarou que "estive presente em cada programa do governo". De fato, o PNDH foi concebido e executado na Casa Civil da Presidência da República.

*Ruy Fabiano é jornalista

Corumbá

sábado, 8 de maio de 2010

Aluno não gosta de estudar

Texto de Bahige Fadel*, em 08/05/2010

Embora não fosse uma grande novidade, causou-me preocupação o resultado de uma pesquisa realizada recentemente com estudantes universitários. Ao serem interrogados sobre suas preferências no período de estudos, a grande maioria respondeu que prefere as baladas e as festinhas universitárias. Apenas 16% dos alunos disseram que gostam de estudar.

Dirá o leitor: “O resultado da pesquisa é normal. É lógico que os jovens prefiram as baladas e as festinhas às aulas. Qualquer um responderia dessa forma. Seria mentiroso se não fosse assim.”

Como eu sei que a observação do leitor será essa, fico, ainda, mais preocupado. É que tenho a convicção de que não deveria ser assim. Estou certo de que isso ocorre, porque os estudantes não têm plena certeza de seus reais objetivos. Quando se tem um objetivo em mente, a gente se dedica integralmente a esse objetivo e tem prazer em realizar o que deve ser feito para atingi-lo.

Quando me falam que a escola de antigamente era melhor que a de hoje, que os professores de antes eram muito melhores, sou totalmente contrário. Sempre fui de opinião de que a escola de hoje e os professores atuais são bem melhores que os de antigamente. O que mudou foi a situação, foram as circunstâncias.

O leitor dirá que há um paradoxo entre essa afirmação e os resultados da pesquisa. Como é que a escola e os professores de hoje são melhores, se os alunos não gostam de frequentar essa escola com esses professores? Como é que na escola de antigamente, que, segundo minha opinião, era pior, os alunos manifestavam mais interesse?

Não vejo paradoxo algum. Confirmo que, antigamente, era um orgulho para toda a família quando uma pessoa conseguia frequentar a escola. Imaginem, agora, que sentimento dominava as pessoas, quando alguém da família conseguia matricular-se numa faculdade. Sem dúvida, muito grande. Era motivo de notícia em jornal: “Filho da terra matricula-se na Faculdade de Medicina.” E nem precisavam chegar ao ensino universitário. Os mais velhos hão de lembrar com que orgulho se falava da menina que conseguia formar-se na Escola Normal.

Hoje, ao contrário, poucas pessoas desejam a carreira de professor do ciclo I do ensino fundamental (professor primário).

Minha preocupação aumenta, pois vejo que, com escolas melhores, o interesse dos alunos, como a pesquisa confirma, está cada vez menor. A preferência do aluno, ao chegar à universidade, é participar das baladas e das festinhas universitárias, que, evidentemente, não são regadas a suco de laranja.

Nos ensinos fundamental e médio, esse desinteresse se confirma, ao vermos o elevado índice de evasão escolar, principalmente no período noturno e as salas de aula às moscas, nas sextas-feiras, em boa parte das escolas, principalmente no período noturno também.

Há solução para esse problema? – perguntará o leitor. Evidentemente que há. Mas a solução não é tão fácil nem se concretizará em curto espaço de tempo. É preciso que haja um trabalho sistemático, envolvendo as escolas, as autoridades, as famílias e a sociedade de uma maneira geral.

Deverá ser um trabalho educativo de fôlego, que não se esgotará em alguns meses ou alguns anos. É preciso que haja a conscientização de todos para a importância da educação, que deverá conviver em harmonia com uma nova sociedade, que oferece às pessoas alternativas de vida, mas que nenhuma delas dispensa a educação de boa qualidade.
* Bahige Fadel, de Botucatu (SP), supervisor de ensino aposentado e atualmente professor do Total COC.

E-mail: bahige@uol.com.br.

Corumbá

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A vitória santista

Enviado por Raphael Curvo* em 6/05/2010

Antes de escrever sobre a raça do Santos, vou dar uma passada pela nossa classe política que passivamente vê e aceita os desmandos e aberrações do presidente ante a legislação eleitoral brasileira. É coisa de escracho. É ainda mais triste o papel desempenhado pela justiça no faz de conta que penaliza um infrator. Olhe que estou mencionando o Presidente da República, aquele que, por dever de ofício, deveria ser o número um em respeito à Lei e não seu principal infrator. Fico a pensar qual será o comportamento do presidente a partir do momento em que a campanha política chegar às ruas.

O atentado frustrado em New York (USA) foi um alívio à turma presidencial brasileira – Amorim, o Garcia “top-top”, Franklin Martins e cia. O terror tem como um dos principais financiadores o Irã do Ahmadinejah, idolatrado pelo presidente do Brasil que para lá viaja no dia 17 deste. Personagens como esse é que estão como principais na agenda internacional do governo brasileiro. A demanda política com o Irã é de longo prazo e esse encontro de nada servirá à equação de tensão no oriente médio. Tem sabor de vingança à frustração de Doha.

Mas vamos ao que mais interessa do que esse samba de criolo doido que é o governo do Brasil. Os meninos da Vila Belmiro ressuscitaram o futebol arte que parecia enterrado pela geração de técnicos que tomaram conta do futebol brasileiro. Estes treinadores fazem dos nossos astros do futebol, em todos os clubes, meros objetos de suas manipulações. Determinam faixas de campo em que cada um deles pode agir e empregar seu talento. Limitam a sua criatividade com a observação dos riscos e traçados em quadro negro sobre como se deve proceder no transcorrer das partidas. Aprisionados pelas táticas de seus treinadores, jovens talentos são oprimidos na sua evolução na arte de jogar futebol. Temerosos pelo seu futuro e daqueles que dele dependem, os jovens jogadores se vêem aprisionados, melhor dizendo, se auto aprisionam. Ser criativo e ousado torna-se um grande risco ao seu exercício profissional.

Esta é a verdade no nosso futebol. Os treinadores tem pavor do talento que pode ofuscar a sua propalada capacidade em dirigir um time de futebol. Domingo passado esta situação ficou as claras com o treinador santista. Aliás, o Dorival Jr. já havia demonstrado esse seu medo quando resolveu ainda no primeiro jogo da decisão, mudar a característica do time vencedor e de exuberante futebol. Manteve a mesma postura no jogo contra o Atlético mineiro pela Taça Brasil. Colocou na defensiva um time que só sabe atacar. Com isso facilitou a vida do bravo adversário, o Santo André e do time de Minas Gerais. Neymar e Ganso são verdadeiras nitroglicerinas à vaidade do Dunga. Talentos nesse nível podem ofuscar e retirar méritos que julga ser só dele caso ganhe a Copa. Não há outra plausível explicação ao deixar de lado jogadores como os acima citados e Ronaldinho Gaúcho em favor de Josué, Kleberson, Gilberto Silva, Júlio Batista, Adriano e cia. Saibam os senhores leitores, e quantos estão comigo, se não levar esse trio, a seleção volta nas quartas de final.

Em razão da estupidez do Dorival Jr, quase acontece uma das maiores injustiças no futebol brasileiro: o Santos FC não ser campeão. Marco de uma nova era no futebol do Brasil, esse time santista terminou o campeonato paulista com 10 pontos de vantagem sobre o Santo André. Mais, em três confrontos venceu dois, um inclusive, na casa do adversário. É uma diferença considerável e a injustiça se faria com apenas uma vitória do Santo André por dois gols. É mais ou menos a diferença entre o presidente Obama, com 7.740.557 indicações e o presidente do Brasil com 12.371 indicações na lista da revista TIME na relação das mais influentes personalidades do mundo. Quem é o cara? Faltava aos meninos da vila calar o último argumento dos contrários que diziam que a gurizada iria tremer em decisões.

Pois bem, mesmo com sete homens na linha contra nove do adversário, se superaram e mostraram gigantesca personalidade ao segurar o placar e o título. A postura louca de Dorival Jr. de exaurir o poder ofensivo do Santos com substituições do Neymar e Robinho, foi contida pela personalidade de Paulo Henrique, o Ganso, que se recusou a sair e deixar a mercê do massacre adversário o resto do time. E não foi só ele, Rodrigo Mancha também não aceitou a sua substituição. O Santos FC há muitos anos vem, de épocas em épocas, provocando mudanças no comportamento do futebol brasileiro. A orientação deve vir do treinador, mas o futebol aplicado é dos jogadores. Não se pode reprimir talentos, a arte de jogar futebol, o espetáculo da bola pela rigidez das táticas de pranchas e quadros negros dos vestiários. Organizar uma defesa é válido, mas aos atacantes significa impedi-los de serem ofensivos e concretizar o êxtase do futebol, o gol. Fora a cautela, que retorne ao futebol brasileiro a filosofia do jogo ofensivo, de muitos gols.

*Raphael Curvo – santista, jornalista, advogado pela PUC-RIO e pós graduado pela Cândido Mendes-RJ

Corumbá

domingo, 25 de abril de 2010

Condecorações

As condecorações outorgadas pelas autoridades de   um País se destinam a premiar, publicamente, atuações destacadas de qualquer pessoa ou entidade em inúmeros  campos de atividade.

Quanto maior o cuidado na premiação, maior o valor que a comenda tem para quem a recebe. Distribuir condecorações a rodo, sem maiores critérios, só faz com que a comenda perca significado, valor.

E é isso que tem acontecido em nosso outrora valoroso País.

A Ordem de Rio Branco se destina a premiar pessoas que se tenham destacado no campo das relações internacionais, podendo ser conferida em um de vários graus.

Como é fácil de entender, o grau máximo é (ou era, até há dias passados) outorgado a poucas pessoas, brasileiras ou estrangeiras, que realmente tenham contribuído de forma significativa para as relações internacionais do Brasil.

O verbo está no passado porque na presente semana a maior comenda que o País, através do Ministério das Relações Exteriores, concede a pessoas físicas foi concedida às Senhoras Marisa Letícia Lula da Silva, à cônjuge do Ministro Celso Amorim, à do Vice-Presidente da República e, ainda mais surpreendentemente, à funcionária que sucedeu à Senhora Dilma Rousseff na Casa Civil, Sra.(Srta.) Erenice Guerra.

Que grande contribuição essas Senhoras deram para o Brasil, no âmbito das Relações Exteriores, de forma a merecerem que lhes fosse concedida a mais alta comenda que o País concede a uma pessoa física ?

Com relação às esposas do Sr. da Silva e do Sr. Amorim, só posso imaginar que tenha sido o fato de suportarem as incontáveis viagens ao exterior feitas pelos respectivos maridos (!!), sem considerar que, pelo menos no caso da Sra.. Marisa Letícia, ela acompanhou o marido em muitas dessas viagens !

Mas no outros dois casos, nem isso!

Então, onde foi parar o extremo cuidado que o governo federal tomava “antes” de aprovar a outorga da comenda da Ordem de Rio Branco ?

Vale aqui um parêntese: o Ministério da Aeronáutica já havia concedido sua mais alta condecoração à Sra.. Marisa Letícia Lula da Silva há alguns anos (nem comento…).

O Presidente da Silva tem cometido grande quantidade de atos falhos, tanto em assuntos internos do Brasil como, e lamentavelmente, nas relações internacionais. O prestígio que havia conquistado (“esse é o cara”, disse o Presidente Obama) já não mais existe, a ponto de o diário “El País”, da Espanha, ter publicado ser o Sr. da Silva uma grande fraude !

O caso de Honduras foi emblemático: até o mais respeitado jurista das fileiras do PT, Sr. Dalmo Dallari, escreveu em artigo que o ocorrido naquele País não tinha sido golpe, mas sim, o cumprimento de um dispositivo constitucional. Isso não sensibilizou o Governo brasileiro, que manteve sua posição, ao ponto de não reconhecer o resultado das eleições hondurenhas.

A posição do Brasil no problema iraniano também está contribuindo para a perda de prestígio e de reconhecimento do Brasil como um País confiável. Aliás, já que começamos o presente texto mencionando condecorações, penso ser bem possível que o Governo do Sr. Ahmadinejad condecore o Presidente do Brasil pelo incondicional apoio que tem recebido do Sr. da Silva…

Em termos pessoais, a maior gafe internacional do Sr. da Silva foi a de se recusar a visitar o túmulo do ex-Presidente de Israel, que representa para aquele País o que os túmulos dos soldados desconhecidos representam em outros Países.

E a maior evidência que nós brasileiros podemos ter da perda de prestígio do Sr. da Silva são os exatos 120 segundos que durou o recente encontro de nosso Presidente com o Sr. Obama em Washington !

Encerrarei com uma referência ao dia de hoje, em que homenageamos Joaquim José da Silva Xavier, nosso herói Tiradentes, condenado à morte por desejar a independência do Brasil.

Tiradentes deu a vida por seu ideal de ver o Brasil independente do jugo de Portugal. “Independência ou Morte” era o lema da época.

Incrivelmente, nos dias atuais, há um grupo de maus brasileiros que está conspirando para que o Brasil volte a ser dependente, submetido a um regime político que foi responsável pela morte de milhões de pessoas por esse mundo afora, tanto que hoje só existe nos países mais atrasados em todos os sentidos: Coreia do Norte e Cuba e hoje se está insinuando em algumas republiquetas da América Latina.

É óbvio que me refiro ao comunismo.

É lamentável que haja brasileiros que ainda defendam esse sistema!

baseado em texto de Peter W. Rosenfeld

Corumbá

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lula obriga Ciro Gomes a jogar a toalha

Enviado por Lucia Hippolito - 23.4.2010

 

Para quem acompanhou a performance desastrada... e desastrosa de Ciro Gomes na campanha eleitoral de 2002, vamos combinar que houve muitos progressos.

O deputado está quase zen.Aliás, em conversa comigo no estúdio do CBN Rio, esbanjou simpatia, respondeu a todas as minhas perguntas, e também às perguntas de ouvintes, internautas e twitteiros.Não fugiu de temas espinhosos.

Reconheceu que aprendeu muito, que caiu facilmente em cascas de banana, que não estava preparado para as agruras da campanha eleitoral. Mas, goste-se ou não dele, o que fizeram com o moço agora em 2010 não é justo. Afinal, Ciro Gomes não chegou à política ontem. Não é um neófito.

Prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda, candidato a presidente, deputado federal, ministro da Integração Nacional...

Para tudo terminar com um domicílio eleitoral transferido para São Paulo a mando do presidente Lula, que hoje nem o recebe no Alvorada?! Convenhamos que merecia tratamento melhor...

Não pelo estado-maior da campanha de Dilma. Eles não devem nada a Ciro, nem Ciro a eles.

Mas o PSB estimulou a candidatura do deputado à presidência, talvez para negociar mais caro sua adesão à candidatura da ministra Dilma. E agora fica esse jogo de empurra para saber quem é que vai comunicar a Ciro Gomes que sua candidatura não só subiu no telhado, como já caiu lá de cima.

O fato é que Ciro não será candidato a presidente, como também não o será a governador de São Paulo nem a deputado federal. Se Dilma for eleita,Ciro não terá cargo no governo federal. No caso da eleição de Serra, aí, então, muito menos.

Tudo por obra e graça do presidente Lula. Francamente!

Sua Excelência adora receber elogios, agrados, fidelidade, renúncias. Mas é absolutamente frio com aqueles que podem representar algum obstáculo aos seus projetos. Joga ao mar sem dó nem piedade.

Como fez com Dirceu, Genoíno, Palocci, Gushiken e outros tantos companheiros.

Boa mesmo é a companhia de Sarney, Renan, Jader, Geddel e aquela moçada amiga do PMDB.

Grande presidente Lula! Amigo de seus amigos!

Corumbá

domingo, 18 de abril de 2010

Ora Celso Amorim vá a….

Enviado por Giulio Sanmartini em 18/04/2010

A concessão de comendas às mulheres de presidentes brasileiros pode causar problemas, dúvidas ou indignação. Conheço uma que causou problemas ao escritor e humorista Millôr Fernandes. Em 1959 ele tinha na TV. Tupi do Rio de Janeiro, um programa intitulado “Treze lições de um ignorante”, suspenso por ordem do presidente Juscelino Kubitschek, que até hoje é dourado com a absurda fama de ter sido liberal e democrata, mas não hesitou em usar a censura, quando percebeu que sua mulher fora ironicamente criticada Millôr, ao dizer: “Dona Sarah Kubitschek chegou ontem ao Brasil depois de 5 meses de viagem à Europa e foi condecorada com a Ordem do Mérito do Trabalho.”

Não sei se no intervalo, outra primeira dama foi condecorada, mas a atual Marisa Letícia Lula da Silva, acabou de ter a sua segunda. A primeira foi no dia 7 de dezembro de 2007 quando recebeu, em cerimônia realizada na Base Aérea de Natal (BANT), no Rio Grande do Norte, a Medalha do Mérito Santos-Dumont. Logo me assaltou uma dúvida: Por que a “primeira patroa” recebeu condecoração brasileira  criada para homenagear civis e militares, brasileiros ou estrangeiros, por destacados serviços prestados a Força Aérea Brasileira (FAB)? Qual serviço prestara à FAB  a homenageada? Conclui, como uma grande boa vontade, que fora pelo fato de ter acompanhado o marido em suas inúmeras viagens no Aero-Lula, com uma tripulação da FAB, sem nunca dizer nada.

Mas agora parece que a coisa entrou no perigoso terreno da galhofa dona Marisa foi condecorada com a Ordem de Rio Branco. (14/4). Essa ordem é destinada a galardoar os que, por qualquer motivo ou benemerência, se tenham tornado merecedores do reconhecimento do Governo Brasileiro, servindo para estimular a prática de ações e feitos dignos de honrosa menção, bem como para distinguir serviços meritórios e virtudes cívicas.

Pombas! a “primeira patroa”, com relação à diplomacia teve somente uma passagem indigna, fez uso do Itamaraty para facilitar-lhe o recebimento  da dupla da dupla nacionalidade junto ao consulado italiano.. Os descendentes de italianos até a 5ª geração tem esse direito, mas para qualquer mortal no Brasil, que também queira ser italiano, há uma espera de média de 6 anos, e Marisa Letícia a recebeu em dias. Mas a  aparte feia da coisa é a mulher de um presidente que não acredita no país governado por seu marido e como se não bastasse, ao ser perguntada por que como mulher do presidente pedira a dupla nacionalidade, sem o mínimo pejo, respondeu: “É, o amanhã nunca se sabe, não é mesmo?”

Pois é, a uma brasileira que não respeita seu país  foi dada a comenda do Rio Branco, que tem como dístico a expressão em latim “Ubique Patriae Memor” (Em qualquer lugar, terei sempre a Pátria em minha lembrança).

Mas o  pior de tudo foi a explicação  que seu o chanceler Celso Amorim, para esse puxa-saquismo explicito: “apoio à atuação do marido na política internacional justificam a homenagem” – afirmou ele..

Ora Celso Amorim, tenha a paciência e “vá a merda!”.

Corumbá

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A história acabou?

Enviado pelo deputado Ciro Gomes em 15/04

Jamais imaginei, após trinta anos de vida Pública, viver uma situação política como a em que me encontro. A pouco mais de 60 dias do prazo final para as convenções partidárias que formalizam as candidaturas às eleições gerais de 2010, não consigo entender o que quer de mim o meu partido- o Partido Socialista Brasileiro.
A se dar crédito às pesquisas eleitorais, eu estaria falando por algo ao redor de 15 milhões de brasileiros, apesar de não dispor de nenhuma máquina como as portentosas estruturas do governo federal ou do governo de São Paulo ou de, notoriamente, não ser o mais querido da nossa grande mídia ou de nosso baronato. É muita coisa. É coisa mais que suficiente para irrigar em meu coração um profundo sentimento de gratidão e, mais que isso, um grave sentido de responsabilidade para com nossa Nação. Modesto, mas real e grave!
A se seguir pelo conselho pragmático que avilta a política brasileira, é óbvio que o partido só tem a ganhar apresentando uma candidatura. Os partidos que disputaram, cresceram. Os que não disputaram definharam. Merecidamente, diga-se de passagem.
A se por um olho minimamente sério sobre a realidade brasileira presente, mais óbvio e moralmente mais importante ainda é a tarefa de apresentar uma candidatura à presidência!
É fato notório o mal que faz ao Brasil esta polarização amesquinhada, porém mutuamente conveniente, entre o PT e o PSDB. É a imposição ao Brasil ,por um preço cada vez mais impagável, da briga provinciana dos políticos de São Paulo. Lá eles são iguais, especialmente nos defeitos. Isto definitivamente não é verdade no Brasil!
Esta disputa pelo mero mando propiciado pelo poder, ou, pior, por seu aparelhamento patrimonialista e corrupto só garante uma coisa: o Brasil não muda na sua essência de mais desigual entre todos os países do mundo organizado! Claro que com Lula a coisa tem melhorado…Com os neoliberais acanhados do PSDB, a coisa vinha piorando…
A democracia brasileira, jovem e imperfeita como ainda é, aguenta que, ao invés de uma ampla opção arbitrada pelo povo, o jogo do poder seja decidido em gabinetes de Brasília onde a linguagem é um misto de pressões e trocas? Lembremo-nos de que, por regra, as burocracias partidárias se eternizam, o que quer dizer que basta a ação de pressão e/ou ofertas fisiológicas sobre uma mera meia dúzia de pessoas. Assim mesmo: sobre SEIS pessoas fechadas e isoladas em gabinetes de Brasília ou de São Paulo pode-se hoje definir as opções TODAS a serem “escolhidas” pelo povo nas eleições. Isto não é, infelizmente uma hipótese. É o que está acontecendo no Brasil aqui e agora. Omitir-se sobre isto é criminoso!
O sistema eleitoral prevê dois turnos por respeitar a realidade do Pais. Uma federação cheia de maravilhosas contradições! Uma realidade de grande fragmentação partidária, parte por seqüelas de uma ordem política viciada, parte, entretanto, por expressão de muitas realidades que pedem muitos olhares sobre a vida dura de nossas maiorias. As alianças se impõem e são naturais no segundo turno.
A quem interessa tirar do povo as opções que no passado recente permitiram a um sindicalista chegar à presidência? A história acabou? Não há mais o que criticar ou discutir?  Oito de Lula, quatro de Dilma, mais oito de Lula é o melhor que podemos construir pro futuro de nosso Pais? A única alternativa é voltar a turma da privataria como diz o Elio Gaspari ? E estas transas tenebrosas de PT com PMDB é o melhor que nossa política pode oferecer como exemplo de prática aos nossos jovens?
O que é o PSB? Um ajuntamento como tantos outros, ou a expressão de um pensar audacioso e idealista sobre o Brasil? Vai se decidir isto agora.  
Eu cumprirei com disciplina e respeito democrático o que decidir meu Partido. Respeito suas lideranças. Mas, tenham meus companheiros clareza: eu não desisto! Considero meu dever com o Brasil, lutar até o fim. Se for derrotado, respeito. Mas amanhã algum brasileiro mais atento dirá que alguns não se omitiram quando se quis tirar o povo da jogada.

Corumbá