domingo, 10 de julho de 2011

Cotado para ministro,Maggi é alvo de inquérito no STF

O senador Blairo Maggi (PR-MT), cotado para assumir o Ministério dos Transportes, é alvo de investigação que corre no STF. O Ministério Público Federal acusa Maggi de crimes ambientais cometidos em Mato Grosso no ano de 2007, quando ele era governador do Estado. Além do processo do Supremo, Maggi figura como réu numa ação civil aberta em 2008. Corre na 5ª Vara da Justiça Federal no DF.

Nessa mesma ação, encontra-se acomodado no banco de réus o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, apadrinhado de Maggi.

A encrenca ambiental nasceu de um surto de queimadas que infelicitou Mato Grosso. As chamas consumiram parques e reservas localizadas no Estado. Incomodado, o juiz Julier da Silva, 1ª Vara Federal de Cuiabá, determinou que a Polícia Federal identificasse os responsáveis.

Realizaram-se perícias. Perscrutaram-se imagens de satélite. Detectaram-se licenças ambientais ilegais concedidas pelo governo Maggi.

Acionado, o Ministério Público responsabilizou Maggi e servidores de órgãos ambientais do Estado pelas queimadas.

A denúncia subiu para o STJ, o tribunal que tem poderes para julgar governadores. A eleição de Maggi para o Senado levou os autos ao STF, o foro dos congressistas.

Comentário:

Parece que o governo Dilma está com uma tremenda crise ética: pula de desonesto em desonesto! Ou será que Dilma resolveu expor todos os desonestos do governo Lula para se livrar da pressão do governo anterior? Incrível a quantidade de desonestos e de substitutos desonestos no ministério da Dilma! Herança? De quem?

Corumbá

Fonte: Blog do Josias

Boqueio do Blogue

Desde o dia 05/06/2011, identifiquei que não conseguia mais acessar o meu “Blog do Corumbá”.

Na verdade, não sei bem o motivo pois não estou conseguindo nem ter informações. Ou o link está com problemas ou fui bloqueado. Prefiro a primeira alternativa.

Sempre que tento postar uma nova informação, recebo a mensagem: “Blog indisponível neste momento. Tente novamente mais tarde”.

Se alguém souber o motivo desta “indisponibilidade” que já dura seis dias, me diga.

Provisoriamente, estou usando este blogue “Análises do Corumbá” para postar mensagens, notícias e comentários dos dois blogues.

Peço desculpas a todos pelos inconvenientes.

Corumbá

domingo, 26 de junho de 2011

Os segredos de Sarney e Collor

Enviado por Mary Zaidan - 26.06.2011

|

Então está tudo certo. Não passou de mais um mal entendido da série de incompreensões que insiste em perturbar os primeiros meses do governo Dilma Rousseff. A presidente, que antes não queria, depois queria, e agora não quer de novo, enterrou de vez essa história de sigilo eterno para documentos ultrassecretos.

Livrou-se da indução hipnótica dos ex-presidentes José Sarney e Collor de Mello, que queriam porque queriam trancafiar segredos para todo o sempre.

Quem estalou os dedos e quebrou o encanto foi o Itamaraty. Assegurou que o Paraguai não reivindicará territórios de volta, que não há conflitos passados que perturbem o Acre nem qualquer outra fronteira geográfica ou de amizade entre os países com os quais o Brasil se relaciona ou se relacionou desde o descobrimento.

Só resta saber por quais sigilos Sarney e Collor tanto se bateram. Queriam esconder o que?

Como vão guardar em segredo absoluto suas motivações, permite-se liberdade plena para qualquer tipo de conclusão. E, a julgar pela folha corrida de ambos, nada indica ser boa coisa.

Não vamos descobrir nunca. Talvez as próximas gerações até consigam, caso o Senado não modifique a proposta da Câmara de abrir os documentos ao público em, no máximo, 50 anos.

Mas a realidade não se pode esconder.

Donos e herdeiros de clãs que dominam seus estados e dão cartas em outros tantos, Sarney e Collor fizeram glória e fortuna exatamente nos maiores paraísos de miséria do país.

Em todos os indicadores sociais, o Maranhão de José Sarney só ganha das Alagoas de Collor de Mello. Os dois estados têm os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) – Maranhão, 0,683, e Alagoas, 0,677 - ; lideram os rankings de analfabetismo e de mortalidade infantil - Alagoas com 66 mortes por mil de crianças até um ano de vida e o Maranhão com 39 em mil -, e o de menor expectativa de vida. Somam-se aí taxas pornográficas de saneamento: o Maranhão tem apenas 1,4% de esgoto tratado, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico.

Ao querer manter debaixo do tapete atos de quando ocupavam o Palácio do Planalto – único motivo plausível para tanto empenho no sigilo eterno de documentos – Sarney e Collor, que, como se vê, não têm qualquer apreço pela população de seus estados, condenando-as à pobreza eterna, perpetuam-se como símbolos do que há de mais nocivo ao país.

E isso não é segredo.

Corumbá

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Qual a sua contribuição?

por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br

Na semana passada, quando me propus estudar o tema Colaboração, para o Grupo de estudos dos Valores Humanos, o fiz pensando no Facebook e no impacto da convivência com as redes de relacionamento em nossa vida. Como sou uma pessoa muito observadora, tenho prestado atenção nos meus amigos do Facebook e nos seus posts, e percebi que alguns posicionamentos se repetem.

Algumas pessoas fazendo denúncias, mostrando escândalos, maus tratos aos animais, coisas muito triste de se ver, e qual seria o intuito? Chocar? Dizer que o nosso mundo é difícil e que alguém precisa fazer alguma coisa?

Pois bem, todos nós já sabemos que o mundo é difícil. Todos nós sabemos um monte de coisas, mas e qual atitude nos cabe? O que podemos fazer para o mundo ser um pouco melhor? Qual a sua contribuição?

Sou totalmente favorável à informação, acho que devemos estar conscientes de tudo o que nos cerca, lembrando que a realidade é sempre relativa à consciência e nível de compreensão, porque, muitas vezes, infelizmente, as pessoas criticam coisas que não se deram o tempo de compreender com o aprofundamento necessário.

Na verdade, sou contra a crítica pura e simples. Acho que para toda descoberta negativa, temos que ter uma ação pessoal, mesmo quando o problema não bate à nossa porta. Se sabemos de um fato muito ruim, como violência, falta de condições de pessoas pobres, ou da falsidade dos políticos, temos que pensar em seguida qual o nosso papel para mudar isso. Se sou médico, dentista, professor, publicitário, empresário, terapeuta, não importa. O que vale é pensar o que cada um pode fazer para melhorar esse mundo que é nosso.

Nós fazemos o mundo. Aliás, essa é mais uma frase que poderia estar estampando o Facebook de alguém. Pois tenho observado que muita gente está gastando tempo pesquisando mensagens lindas, pensamentos iluminados, citações de pensadores famosos. O que acho muito bacana. Tem dias que meu Facebook fica lotado desses pensamentos. Então, não sei se me animo pensando que o nosso mundo tem esperança, ou se desconfio de tantas citações maravilhosas. Afinal, quem está atrás da tela do computador continua sendo uma pessoa normal, com desafios diários como todos nós.

O que vem em minha mente é o pensamento de que precisamos de mais ações positivas para de fato melhorar o nosso mundo. Espiritualmente, sabemos que antes de uma ação precisa acontecer um impulso que gera um pensamento e depois uma atitude. Assim, espero que para todas as mensagens iluminadas e cheias de boas intenções aconteça em seguida uma atitude firme, forte e com perseverança. E que aquele que postou um pensamento iluminado o coloque em prática. E que esse impulso vença a barreira do esquecimento, porque no Facebook alguns minutos podem ser o tempo que essa mensagem apareça na tela.

Pode ser que você concorde comigo e, se assim for, pense na sua vida. Qual a sua colaboração? Porque viver apenas para realizar os pequenos atos diários de conquista da individualidade, da auto-suficiência é uma passo importante da vida, mas não deveria ser o único objetivo das pessoas. Todos temos que nos desenvolver na profissão, cuidar da família, da cidade onde moramos, mas... e depois o que vem? Os desejos nunca vão terminar, sempre almejaremos algo mais para preencher o vazio existencial que nos acompanha.

Fica a minha indagação: O que podemos fazer de melhor para o nosso mundo? Para preencher de verdade o coração?

 

por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br
Maria Silvia Orlovas é uma forte sensitiva que possui um dom muito especial de ver as vidas passadas das pessoas à sua volta e receber orientações dos seus mentores.
E-mail: morlovas@terra.com.br

Corumbá

Branco, honesto, contribuinte, eleitor, hetero... Pra quê ?

Enviado por: Ives Gandra da Silva Martins*

Hoje, tenho eu a impressão de que o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.

Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior.

Os índios, que, pela Constituição (art. 231), só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também - passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 185 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados.

Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.

Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Rousseff o direito de terem um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências - algo que um cidadão comum jamais conseguiria!

Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse 'privilégio', porque cumpre a lei.

Desertores, assaltantes de bancos e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir' aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.

E são tantas as discriminações, que é de perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema?

Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.

( * Ives Gandra da Silva Martins é renomado professor emérito das universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado do Exército e presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo ) .

INCISO IV DO Art. 3º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL A QUE SE REFERE O DR. IVES GRANDA, NA ÍNTEGRA:

"promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

Corumbá

sábado, 4 de junho de 2011

Aviso alemão

Enviado por Cristovam Buarque (*) - 04.06.2011

|

Em 2009 fui a Chernobyl. Trinta anos depois do acidente, ainda não foi fácil conseguir autorização para visitar o lugar e as ruínas do reator nuclear. Consegui permissão para ir até o local por, no máximo, seis horas de permanência.

A paisagem que tive a oportunidade de ver foi assustadora, desoladora, uma devastação nuclear sem explosão. Silenciosa, sem fumaça.

Pude visitar prédios, escolas, restaurantes, centros de diversão, tudo abandonado, fantasmagóricos, apesar da beleza do branco da neve ao redor.

Uma roda gigante de um parque de diversão infantil mantinha-se intacta à espera da inauguração que seria no dia seguinte ao conhecimento da tragédia.

As casas estão invadidas pelas árvores que crescem dentro delas. Em breve, tudo será uma floresta, apenas o mausoléu do reator se manterá rodeado pelos prédios mais altos.

Tudo indica que o horror começou por um erro dos dirigentes da Usina, que permitiu um engenheiro testar até que ponto seria possível o reator funcionar em segurança. Ele perdeu o controle e o reator explodiu, emitindo as terríveis radiações.

Durante algumas horas o governo soviético, apesar da “Glasnost”, preferiu manter a informação em segredo até que, na Finlândia, analistas perceberam o forte aumento de radiação naquela região e revelaram o assunto ao mundo.

A partir da divulgação, o governo soviético decidiu esvaziar as duas cidades: a velha e modesta quase medieval Chernobyl, com suas casinhas de madeira; e a nova, ostentosa e moderna, um retrato menor de Brasília, sede oficial dos serviços e das residências de servidores da usina.

Dezenas de milhares de pessoas já contaminadas foram obrigadas a sair da cidade em poucos minutos, levando somente a roupa do corpo, que logo depois foi retirada e jogada em meio ao lixo classificado como contaminado.

Depois de quase seis horas caminhando e conversando com os fiscais da área afetada, olhando para os medidores de radioatividade espalhados pela cidade; ao sair precisei passar por um detector de radiação que media todo o corpo para saber se voltaria para o hotel ou seria levado para o isolamento de algum hospital do país.

A visita mostra um quadro assustador, pior é a percepção que vem ao conversar com pessoas que moravam a 200 km e até hoje carregam os efeitos na saúde dos familiares.

Ainda mais ao ler sobre os milhares de mortos ao longo desses 30 anos; as pessoas que carregam doenças por toda a vida; e outras que transmitem doenças aos filhos que ainda não nasceram.

Aquela visita me fez mudar a posição de ver a alternativa nuclear como energia limpa. Com Fukushima consolidou meu antagonismo ao uso de reatores nucleares como forma de gerar energia.

Pelo menos enquanto não evoluírem a engenharia civil, para garantir resistência absoluta nas edificações; e a engenharia nuclear, para garantir o armazenamento seguro dos resíduos.

Não se trata de dizer “nuclear-jamais”, mas definir uma moratória de 20 anos à espera de uma evolução na engenharia.

Neste momento, construir usinas nucleares é uma temeridade que beira o crime. Até mesmo manter as atuais é viver sob risco de tragédia em algum momento.

Ao invés de novas centrais nucleares, o Brasil precisa reduzir seu consumo de energia e investir em novas fontes; renováveis e menos perigosas.

A decisão do governo alemão na semana passada, definindo prazo para desativar todas as suas usinas nucleares é um alerta que o Brasil não tem o direito de ignorar.

Suas usinas estão em locais mais protegidos que as nossas; seus sistemas de defesa civil são melhor organizados; sua dependência de energia nuclear é de 23% do total da demanda de energia enquanto a nossa é de apenas 3%. E a Alemanha não tem as alternativas de fontes energéticas que temos.

Se a Alemanha está assustada, será um crime fecharmos os olhos. Sobretudo ao lembrar que importamos a velha tecnologia que os alemães desenvolveram e agora já não serve para eles.

(*)Cristovam Buarque é Professor da Universidade de Brasília e Senador pelo PDT/DF

Corumbá

sábado, 28 de maio de 2011

Crise é para profissionais

Enviado por Ruy Fabiano(*) - 28.5.2011

Não há nada de estranho na tutela explícita que Lula exerceu esta semana sobre a presidente Dilma Rousseff.

Afinal, trata-se de uma invenção sua, imposta ao partido e ao país, levando ao mais alto cargo da República alguém que jamais exerceu qualquer função eletiva. Lula agiu em defesa de sua obra.

É natural também que Dilma, diante de um quadro de crise política – as denúncias contra seu principal ministro, Antonio Palocci, e a derrota parlamentar na votação do Código Florestal -, não soubesse como agir. Não é do ramo.

Sua formação não a adestrou para o corpo a corpo da política, em que a hierarquia não tem a verticalidade linear vigente na tecnocracia. Um parlamentar não é um funcionário, que obedece a ordens do superior. Tem votos e autonomia.

Se o próprio partido não o comanda, já que não há no país fidelidade partidária, muito menos alguém de fora, do Executivo.

Essa deficiência de Dilma já era conhecida de Lula. Por isso, insistiu na presença de Palocci na Casa Civil, como braço político do governo. Ocorre que, ao se tornar ele próprio o pivô da crise, deixou o governo maneta.

A arrogância com que, na sequência, Dilma agiu aprofundou o abismo entre ela e o Congresso. Queixou-se da “exploração política” do caso. Espantoso seria se não tivesse havido.

A política se nutre sobretudo dos desvios de seus agentes, e o PT, quanto a isso, fez escola. Não perdia um só lance. Não havendo, tratava de fabricá-lo – que o diga o ex-chefe da Casa Civil de FHC, Eduardo Jorge, crucificado por ter deixado o governo e aberto um escritório de consultoria, mesmo sem ter mandato parlamentar, sem ocultar os seus clientes e sem ganhar tanto em tão pouco tempo.

No caso do Código Florestal, Dilma não percebeu que o tema estava sendo tratado de forma suprapartidária. Sem os votos do PMDB e do PT, jamais haveria um placar tão acachapante como aquele (410 a 63). E estava claro que o resultado seria aquele.

Bastava ter acompanhado o noticiário dos jornais ou os discursos de gente de sua própria base parlamentar.

A senadora petista Gleisi Hoffmann, do Paraná, fez, por exemplo, dias antes da votação do Código, um duro discurso de defesa do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), por sinal integrante da base governista, denunciando as ONGs ambientalistas como instrumentos de interesses econômicos internacionais.

A senadora Kátia Abreu, presidente da CNA, certamente subscreveria aquelas palavras. Dilma, no entanto, deu mais ouvidos às ONGs e a Marina Silva, ex-rival nas eleições presidenciais, emitindo ordens à Câmara para que adiasse mais uma vez a votação.

Como não foi obedecida, mandou recados ameaçadores por intermédio do líder petista Cândido Vaccarezza, que, depois de dizer que não era seguro para a Câmara indispor-se com o Executivo, informou que a presidente considerava aquela votação “uma vergonha”. Nada menos.

O pior veio depois, quando ameaçou o vice-presidente Michel Temer de demitir todos os ministros do PMDB se não contivesse a rebelião da bancada. Lula, um animal político, sentiu cheiro de CPI no ar e sinais de deterioração na bancada governista.

Não teve dúvidas: desembarcou em Brasília e agiu como chefe político que é: de Dilma e do PT.

Os efeitos de sua intervenção não se conhecem ainda. Afinal, não é mais chefe de Estado. A caneta e o Diário Oficial estão nas mãos de Dilma: é ela quem nomeia e demite – e até agora não equacionou as nomeações do segundo escalão.

A ameaça que fez de demitir os ministros do PMDB, além de ofensivas ao vice-presidente, que não é seu funcionário, não passa de bravata.

Se não tem condições de demitir seu chefe da Casa Civil sem enfrentar uma crise política de grandes proporções, que dirá a demissão coletiva de todos os representantes do partido a que seu governo está coligado.

A presidente vive seu batismo de fogo na política, do qual sai chamuscada, na expectativa de que não se transforme num incêndio e que tenha que recorrer, mais uma vez, ao bombeiro Lula.

Sua sorte é o momento de autismo da oposição, mais preocupada com a sucessão de 2014 que com a realidade presente.

*Ruy Fabiano é jornalista

Corumbá