sábado, 28 de agosto de 2010

Guerrilheiros Virtuais

Enviado por Carlos Vereza em 26 de agosto de 2010

Mais três sigilos da receita federal foram violados pelos bucaneiros do PT que, como sempre, negam, como negaram o mensalão, os assassinatos de Celso Daniel, Toninho de Campinas, e, agora, a estranha morte do escritor Ives Hublet.

Eles não têm limites: a sordidez deformou-lhes o caráter, o próprio períspirito, "deificaram-se", cínicos, como o  Capo que lhes dá a linha de atuação!

Como ficou claro para mim, espirita, que nem sempre a voz do povo é a voz de Deus; que o norte e o nordeste, são, por circunstâncias históricas, o campo fértil dos reacionários!

A Bahia, por exemplo, foi o único estado que atirou contra a Coluna Prestes, que, entre outras causas, lutava por eleições limpas...E o que vemos agora? Exatamente o foco explorado pelo Grande Guia, são essas regiões, mantidas através dos séculos em estado de miséria, sem noção de cidadania, que anestesiadas pelas inúmeras bolsas, poderão levar à presidência do país a nova burguesia sindical!

Esta corja não acredita em Deus, não acredita na lei matemática de causa e efeito. Megalômanos, egos inflados pela sede de poder, não sabem que são finitos na matéria e que terão de prestar contas aos senhores do Carma!

Não duvidem: eles serão capazes de tudo! Das mais abjetas ações terroristas à calunia, difamação, quebras de sigilos, "guerrilheiros virtuais", como se autodefinem, enfim, o mais puro fascismo travestido de "esquerda!"

Aguardem novos golpes baixos! O repertório é inesgotável!

Que José Serra denuncie à nação o verdadeiro significado do cataclisma chamado Lula da Silva!

Estamos Juntos!

Carlos Vereza

"Nas veredas do Vereza"

Corumbá

sábado, 21 de agosto de 2010

Imagine

Imaginem um presidente brasileiro conservador. Aliás, mais do que isso: imaginem um presidente de extrema-direita. Sim, eu sei que não é fácil, afinal o Brasil está acostumado a ter há décadas, uma disputa entre as várias matizes da esquerda, sem que haja um representante sequer da direita.

Mas, ainda assim, peço um esforço a vocês. Tentem imaginar, apenas por um momento, que o Brasil tem um presidente extremista de direita. Feito isso, imaginem que o sujeito tenha escrito uma carta mais ou menos nos seguintes termos:

“Queridas Companheiras e Companheiros

Há 20 anos, 42 partidos e movimentos conservadores da América Latina e do Caribe reuniram-se em São Paulo – convidados por nós – para um Encontro sem precedentes na recente história política de nosso Continente.

Nascia o que um anos depois, no México, seria chamado de Foro de São Paulo.

Vivíamos tempos difíceis no início dos anos noventa.

Em muitos países começava a ganhar força um discurso radical de esquerda, alimentado por líderes oposicionistas carismáticos, como Lula da Silva e Hugo Chávez, inspirados no exemplo do tirano homicida chamado Fidel Castro. Esses caudilhos ameaçavam as democracias vigorosas e dificultavam a luta dos trabalhadores.

Pairava sobre nosso Continente a ameaça de um novo espectro comunista.

(…) A predominância dessas idéias de extrema-esquerda, era reforçada pela profunda crise das referências tradicionais da direita radical. Suas políticas não permitiam explicar a realidade mundial mas, sobretudo, mobilizar as grandes massas.

A reunião de São Paulo e tantas outras que se seguiram nestes 20 anos tiveram como mérito fundamental criar um espaço democrático de conhecimento e de discussão das extremas-direitas. Esse espaço não existia, muitas vezes, nem mesmo em nossos países.

(…) Hoje, nossa região vive uma situação radicalmente diferente daquela de vinte anos atrás. Muitos dos que nos encontramos no passado nas reuniões do Foro de São Paulo como forças de oposição, hoje somos Governo e estamos desenvolvendo importantes mudanças em nossos países e na região como um todo.

(…) Uns poucos tentam caracterizar o Foro de São Paulo como uma organização autoritária. É o velho discurso de uma esquerda que foi apeada do poder pela vontade popular. Não se conformam com a democracia de que se dizem falsamente partidários.

A contribuição de meu partido e outros partidos de extrema-direita do Brasil para esta nova realidade do Continente é de todos conhecida.

(…) O Brasil mudou e vai continuar mudando nos próximos anos.

Mudou junto com seus países irmãos do Continente.

Mudou como está mudando a Argentina que agora acolhe mais este encontro do Foro de São Paulo.

Recebam, queridos amigos, o abraço do seu irmão e companheiro”

Continuando o nosso exercício de imaginação, considerem que os destinatários da carta acima, assinada pelo presidente brasileiro de extrema-direita, sejam integrantes de partidos com inspiração em Mussolini, Pinochet, Franco, bem como em herdeiros políticos dos militares que governaram Brasil e Argentina durante décadas de ditadura. Imaginem, assim, que tais movimentos políticos sejam as forças políticas integrantes do tal Foro de São Paulo.

Ah, quase esqueci! Considerem também que, além dos movimentos políticos acima mencionados, essa entidade representativa das extremas-direitas da América Latina contasse, ainda, com a participação de um grupo paramilitar, conhecido internacionalmente por sequestrar, torturar, estuprar, matar e traficar drogas.

Como a opinião pública reagiria diante de semelhante organismo internacional? O que diriam a OAB, a CUT, o MST e a CNBB? Qual seria o posicionamento da imprensa e dos intelectuais brasileiros a respeito? Como se comportaria a academia brasileira? Gente como Emir Sader, Marilena Chauí, Maria da Conceição Tavares, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim diriam o quê?

Ora, não é difícil concluir que o mundo desabaria sobre a cabeça do tal presidente brasileiro de extrema-direita, não é mesmo? E com razão! Um fórum com clara inspiração fascista e totalitária, formado por movimentos cujo ideário descende de tiranias assassinas, não mereceria mesmo respeito algum! Vou além: não mereceria sequer existir! A democracia não pode, por amor aos seus princípios, tolerar a existência daqueles que, se pudessem, os destruiriam.

Agora, diante de tudo o que vai acima, considerem que o tal Foro de São Paulo realmente existe, e que não é apenas fruto de um exercício de imaginação proposto por mim. Considerem ainda que ele realmente é composto por partidos e movimentos políticos de inspiração ditatorial, e que tem entre seus membros um grupo paramilitar como o descrito ao alto. Mas atentem para o seguinte: considerem que ele não é de extrema-direita, mas de esquerda.

O que custo a entender, o que não me parece nada lógico, é o seguinte: por que repudiamos – acertadamente, diga-se! – um Foro de São Paulo de extrema-direita, mas aceitamos um de extrema-esquerda? Por que seria escandaloso um presidente brasileiro mantendo relações com partidos inspirados em Mussolini e Franco, mas não causa escândalo algum ver Lula sentando à mesa com gente que se espelha em Stalin e Mao Tse-Tung? Por que seria inadmissível ver o governante do país chamando um grupo paramilitar de direita de “companheiro”, mas é aceitável que o presidente atual derrame abertamente seu amor pelas FARC?

Que deturpação descabida de valores morais é essa, capaz de nos levar a rejeitar o nazismo e o fascismo, ao mesmo tempo em que ainda nos faz parecer aceitável conviver com o socialismo e com o comunismo? Se concordamos todos em rejeitar uma das faces do horror, por que não concordamos também em rejeitar o horror por inteiro? Por que o totalitarismo de esquerda é tolerado no Brasil, a ponto de termos no poder um presidente que mantém relação pessoal de amizade com Fidel Castro? Por que o “terrorismo progressista” é tolerado no Brasil, a ponto de termos um presidente que se senta à mesa com as FARC?

Ou, para colocar as coisas de uma outra forma, a ponto de termos uma candidata que militou em grupos paramilitares, aqui mesmo no Brasil, com grandes chances de se tornar presidente?

Esta é, enfim, a curiosidade antropológica que mais me instiga no momento presente. Sei que o povo mais pobre, aquele sustentado pela bolsa-esmola oficial, não dá a menor importância para escolhas políticas e ideológicas. Escolheria um tirano (de esquerda ou de direita, tanto faz), se este garantisse o saldo do cartãozinho de benefício social ad eternum. Mas e a porção “pensante” do país? E a academia? E o jornalismo? Por que ainda há gente que não se escandaliza ao perceber que o principal partido do Brasil – assim como o principal líder político da atualidade – tem, sim, bandidos de estimação?

Não me assusta que o PT tente esconder o Foro de São Paulo, ou, por vias oblíquas, diminuir a importância dele. Não me assusta que marqueteiros de plantão se ocupem em fazer apenas a tal “campanha positiva”, exaltando até aquilo que nunca foi feito. Isso é do jogo. O que me assusta é notar que o mesmo país capaz de se escandalizar com o Fiat Elba de Collor, com os dólares de Roseana ou com a cueca daquele petista, não veja nada de errado em uma carta na qual Lula confessa sua relação direta (e antiga!) com a escória da América Latina.

Temos, assim, a prova de que o terror foi relativizado, criando-se, assim, o terrorismo – e o totalitarismo – “do bem”. Como é pra ajudar “ozoprimido”, na tentativa de construir o tal “outro mundo possível”, então tá tudo certo.

Em qualquer sociedade minimamente civilizada, aquela carta de Lula seria motivo para “impeachment”. Entraria para a história como “a carta testamento” do petista: aquilo que acabou com sua presidência e com as chances do seu partido de continuar no governo. Mas o Brasil atual, de civilizado, tem muito pouco.

Corumbá

sábado, 14 de agosto de 2010

Meu vizinho criminoso

Os repetidos casos de agressões e assassinatos por motivos banais apenas confirmam a deterioração dos valores sociais que, de algum modo, têm assegurado a ordem nesta nossa sociedade minada. Ordem superficial constantemente ameaçada, não só em relação à vida, mas também em relação a tudo que possa ser violado quando não há princípios sólidos regulando a conduta de cada um. Três assassinatos ocorridos nos últimos dias dão bem as indicações de quanto todos nós estamos ameaçados.

Um descuidado adolescente, Michael Jackson Ribeiro Martinez, correu para tomar um ônibus na Baixada Fluminense e esbarrou numa mulher que carregava uma criança no colo. Já dentro do ônibus, o homem que a acompanhava telefonou pelo celular para alguém que, num ponto seguinte, embarcou e disparou quatro tiros no garoto de 17 anos. Num shopping da zona norte de São Paulo, Juliana Cravo, de 29 anos, acompanhada da mãe, na escada rolante, recebeu uma cuspida no rosto, dada por uma criança que, acompanhada da tia, se divertia cuspindo para baixo.

A vítima foi reclamar com a responsável pela criança, sendo agredida por ela e outras três mulheres, a socos e pontapés, diante de uma loja de departamentos. Morreria quatro dias depois em consequência das agressões. Finalmente, no Dia dos Pais, à noite, em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, o tecelão Airton Fernandes voltava para casa com a mulher e cinco filhos quando, ao se desviar de um buraco, o espelho retrovisor de seu carro bateu no espelho retrovisor de um carro que vinha na direção contrária. Foi perseguido a tiros pelo outro motorista, que acertou uma das crianças. Ao sair do carro, apesar dos apelos de sua família ao atirador, este disparou e o matou na hora.

Estamos acostumados a entender que homicídios são praticados por pessoas de algum modo já situadas do "lado de lá" da normalidade, habituadas ou propensas a praticar a violência extrema, gente, como se diz, do ramo da criminalidade. Os casos a que me refiro, no entanto, são de homicídios praticados por gente como nós. É isso que devemos temer. Os "do lado de lá" são naturalmente suspeitos, de certo modo conhecemos suas manhas, horas e lugares em que atacam, modo como atuam, o que pretendem. São os criminosos da escuridão. Sabemos, ou supomos saber, como nos defender deles, porque lhes conhecemos os códigos, as práticas, as limitações e até os medos. Sobretudo, eles sabem que estão agindo criminosamente. Justamente por isso atuam no território demarcado, conhecido e estigmatizado do crime.

Contra os do "lado de cá", no entanto, se dá o contrário. Eles praticam a violência no interior mesmo da nossa rotina, atingindo-nos de dentro dos nossos códigos de conduta e até em nome deles. São os criminosos da claridade. Provavelmente, em situação invertida, os que acabaram sendo finalmente vítimas teriam tido algum tipo de reação à ação que, na circunstância, foram eles que praticaram. O que chamou o comparsa para matar o afoito adolescente reagiu ao descabido de ver a acompanhante empurrada, apesar de ter uma criança no colo.

Nenhum de nós seria solidário com o autor do empurrão. A que reagiu à reclamação contra o sobrinho malcriado que cuspia nos outros entendeu que criança pode tudo, pois ela mesma ao se omitir autorizara a criança à incivilizada malcriadez. Dependendo do tom da reclamação, qualquer um de nós teria ponderado que a criança agira mal, mas era criança. O que teve o espelho retrovisor do carro involuntariamente atingido entendeu como ofensa a sua pessoa o que era mero dano de patrimônio. Nenhum de nós teria se conformado com o acidente, sobretudo se o que o causara não parasse para se explicar.

Mas nos três casos os agressores deram respostas desproporcionais às ações que motivaram as respectivas reações. São casos que dão indicações de uma falha generalizada da civilidade que torna a vida em sociedade possível. O que indica que as instituições e os mecanismos de socialização das pessoas para a vida em sociedade ou falharam de um modo geral ou em algum momento deixaram uma lacuna na transmissão dos valores de referência que tornam a sociedade viável.

É inútil pedir mais segurança em casos assim, quando o que se precisa é de mais educação. Muitas pessoas, no Brasil inteiro, transitaram de condições sociais mais simples para o que é propriamente o padrão de conduta da sociedade complexa. Em qualquer sociedade esse trânsito, característico do advento da sociedade moderna, é muito complicado. Muitas pessoas são incorporadas à modernidade seguindo padrões de conduta antimodernos, que acabam se tornando também autodefensivamente antissociais, como nesses casos. O que em sociedades de transição mais lenta, providas de mecanismos eficazes de ressocialização dos que mudam de situação social, se resolve com escola, aqui acaba sendo inevitável resolver com cadeia, o que é sempre uma solução tardia, que custa a vida de inocentes, de um lado, e a liberdade de retardatários, de outro.

baseado em texto de José de Souza Martins

Corumbá

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O grande perdedor do debate? É você, eleitor

Querem uma opinião isenta, objetiva e sem paixões sobre o debate da Band? Tenho essa: Plínio precisa urgentemente de um neto que o impeça de aparece em rede nacional defendendo ideias que, de tão velhas, provavelmente têm a idade dele. Gostaram? Bom, se não gostaram tenho outra opinião: Marina deve entender – e rápido! – que o discurso do oprimido que “passou dificuldades na vida” só funciona com Lula. Tá boa essa? Não?! Bom, então mais uma: Dilma precisa desistir desse negócio de participar de debate. E precisa, também, contratar uma fonoaudióloga. Esta última providência, aliás, é a mais urgente!

O debate promovido pela Band foi morno, sem graça e pouco – ou quase nada – decisivo. A culpa é do formato rígido criado pela justiça eleitoral, que tratou de transformar disputas políticas em meros embates numéricos. Ganha aquele que tiver os melhores números para apresentar (não necessariamente verdadeiros…), e que souber aliar isso a uma desenvoltura minimamente aceitável. Não dá, por exemplo, para tentar defender o governo Lula, tido pelos petistas como o mais perfeitamente maravilhoso e eficiente da história do mundo gaguejando a cada três palavras, como fez a ex-terrorista.

Não houve um candidato que dominasse o debate. Considero que Serra “venceu por pontos”, pois foi inegavelmente mais claro em suas falas, além de ter demonstrado que consegue, com muito mais propriedade que os demais, se ajustar às regras do programa televisivo. Obviamente que isso é devido à maior experiência eleitoral de Serra: quem participou de mais debates, se sai melhor do que quem nunca antes participou de um.

Marina foi uma decepção. Mostrou que não tem programa – só “bandeiras”- o que é algo muito grave, afinal ela está há algum tempo fora de qualquer cargo, só preparando sua candidatura. Além disso, em que pese a falta geral de encanto dos candidatos desta eleição, o rosto e a voz de Marina são espantosamente ruins diante das câmeras. Isso é algo que ela provavelmente vai trabalhar, não apenas para os próximos debates, mas para as próximas eleições.

Plínio, dizem, foi a “sensação” do debate. Não concordo. Ele agiu como um legítimo wild card, ou seja, como alguém que está lá sabendo que é “café-com-leite”. O socialista sabe que não tem nenhuma chance de vencer, por isso sente-se livre para não apresentar nada de concreto. Pôde gastar todo o tempo que lhe foi dado para fazer algumas piadas, elaborar um punhado de ironias muito bem aplicadas e, principalmente, desfilar uma infinidade de clichês esquerdistas que não suportam 30 segundos de confronto com a lógica. Eu, por exemplo, não entendo por que ninguém perguntou a Plínio como diabos ele pretende limitar todas as propriedades. No papo, ou na bala mesmo?

Dilma foi a que mais surpreendeu negativamente. Até eu, que sou um “porco direitista, reacionário, conservador, preconceituoso” que voto em Serra, nunca pensei que a ex-terrorista fosse tão despreparada para o exercício do contraditório. Francamente, não há nem o que discutir: Dilma se atrapalhou para dar “boa noite”, logo no início do programa. Sem falar que estourou praticamente todos os tempos que teve. Sempre imaginei que ela não era boa de debate, mas nunca pensei que fosse assim tão péssima! De resto, a fala de Marta Suplicy(-Favre-Belisário-Wermus), companheira de Dilma, resume tudo: “Tanta preparação pra isso?!” Pois é… Quando alguém como Marta, capaz de tomar uma descompostura de ninguém menos que Paulo Maluf, reclama do desempenho de alguém num debate, é porque a coisa foi feia mesmo.

Mas, aos meus olhos, o grande derrotado do debate da Band foi mesmo o formato ridículo que nasceu a partir das infindáveis normas impostas pela justiça eleitoral, a começar pela imposição de convidar vários candidatos, não apenas os principais. Por que diabos um sujeito velho como Fidel Castro – na idade e nas ideias – deveria ter o mesmo espaço que os dois favoritos, Serra e Dilma? Ora, não sejamos politicamente corretos. Vamos aos fatos: Plínio não é igual aos dois principais candidatos. Logo, não deve ser tratado como eles, pois isso não é… democrático!

E o que dizer dessa limitação absurda de tempo? Marina vem pergunta: “Serra, como você vai resolver o problema da saúde pública?” Aí o mediador se vira pro tucano e avisa: “Dois minutos, candidato.” Dois minutos?! Pra falar sobre saúde pública?! Seria preciso uma semana… É um formato vencido, que não engrandece em nada a democracia. A grande vantagem de um debate eleitoral é ver os candidatos partindo pra cima, atacando, na esperança de nocautear o oponente. Do jeito que é hoje, eles são todos estimulados a jogar na retranca, esperando um erro do adversário, coisa que, com o batalhão de assessores que cerca cada um, se torna praticamente impossível.

Debates bons eram os de antigamente, quando Brizola chamava Maluf de “filhote da ditadura”, e este respondia dizendo que o pedetista não havia estudado o suficiente, sem apalear para chicanas ridículas como o tal “direito de resposta”. Ou quando Lula acusava Collor de ser um Pinóquio, e o alagoano respondia chamando o petista de analfabeto. E ninguém ousava se meter no duelo, que era travado livremente por dois políticos. Sem falar que o povo adorava isso! E ainda adora. Acho engraçados esses marqueteiros de agora, que não querem discutir política ou ideologia por medo das tais ofensas pessoais (as baixarias). Ué, mas nós adoramos isso! Não fosse assim, as novelas não teriam tanta audiência.

Enquanto as regras engessadas que regem os debates brasileiros não forem flexibilizadas, continuaremos vendo duelos de gerentões, cada um esgrimindo números ao seu bel prazer, sem que seja possível, sequer, contradizer aqueles que mentem de forma deliberada. Nunca mais poderemos ver uma cena épica como a do debate entre Montoro e Quadros, onde este aplicou aquele que, a meu ver, é o maior golpe de mestre da história dos debates televisivos brasileiros. Procurem o vídeo no YouTube, está lá. Aquilo era política. O que temos hoje é algo mais chato do que campeonato juvenil de curling.

baseado em texto de Yashá Gallazzi

Corumbá

 

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mundo deve combater barbaridades contra as mulheres

Enviado por Míriam Leitão - 05.08.2010

O caso da iraniana ganhou grande repercussão internacional e chama a atenção para outros casos de mulheres submetidas a tratamento indigno, à morte por apedrejamento. Ela é acusada de adultério, confessado após 99 chibatadas, ou seja, sob tortura.

O governo do Irã diz que o mundo está desinformado e que, na verdade, o crime é outro, ela teria ajudado a matar o marido. Eles vêm mudando a acusação contra ela, à medida em que aumentou a pressão internacional a partir do abaixo assinado, iniciado pelos filhos dela.

Isso mostra como o mundo ainda trata a mulher de forma primitiva. Hoje, o Bom Dia Brasil mostrou o aumento dos casos de violência contra a mulher, de cárcere privado. Uma delas, de São Paulo, era algemada antes de o marido sair para o trabalho, passando o dia assim.

Em inúmeros países, há outras violências, como mutilação sexual. Em países muçulmanos, quando alguém da família comete um crime, a mulher é punida através de estupro coletivo. Essas barbaridades acontecem no século XXI. A mulher já conquistou tantas coisas, mas a luta continua. O caso dessa iraniana é um que chama a atenção e clama por justiça.

Na morte por apedrejamento, a mulher é enterrada até o peito, não pode tentar se defender e é apedrejada, no início, com pedras menores para que sinta bastante dor antes de morrer. A consciência humana não pode mais conviver com esse tipo de crime. É preciso se mobilizar contra essas barbaridades que continuam acontecendo.

O Irã tem cometido muitos crimes contra os direitos humanos, matado opositores que protestaram contra a fraude nas eleições. O mundo precisa pressionar e fazer o oposto do que fez o Brasil, que mandou uma carta à ONU pedindo que os países que desrespeitem os direitos humanos não sejam pressionados publicamente, mas que se tente o diálogo.

A pressão internacional ajudou a acabar com o apartheid. O mundo democrático não pode abrir mão do dever de pressionar. Está errado o governo brasileiro. Deve-se lutar por essa vida e pelas mulheres que, hoje, estão sendo submetidas a todo tipo de maltrato.

Corumbá

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Asilo à iraniana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem uma "personalidade emotiva" e fez sua proposta de conceder asilo à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani sem "informação suficiente" sobre o caso, disse nesta terça-feira o porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Ramin Mehmanparast.

Esta foi a primeira reação oficial do Irã à proposta feita no sábado por Lula para que Ashtani, condenada à morte por apedrejamento no Irã sob acusação de adultério, se asile no Brasil.

O porta-voz respondia, durante uma entrevista coletiva, à pergunta de um jornalista que havia questionado se havia ou não interferência do presidente brasileiro nessa questão.

A oferta brasileira de asilo a Ashtiani foi feita no fim de semana. O presidente fez um "apelo" ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para que "permita ao Brasil conceder asilo a esta mulher”, disse Lula, durante um comício em Curitiba.

A proposta brasileira foi apoiada por ativistas que defendem os direitos humanos no Irã, mas foi criticada por setores mais conservadores ligados ao governo do país.

E você, o que acha? O presidente Lula está certo em oferecer asilo à iraniana? Deveria ter intercedido antes? Ou está interferindo em questões que não dizem respeito ao Brasil?
Mande a sua opinião!

Corumbá

domingo, 1 de agosto de 2010

O mundo tenta salvar uma mulher

– Quem nunca pecou que atire a primeira pedra. Dessa forma, conta a Bíblia, Jesus desafiou um grupo de pessoas e as convenceu a não matar a pedradas uma mulher adúltera, como estavam prestes a fazer. As cenas, embora ambientadas 2 mil anos atrás, são bastante atuais. No lugar de Jesus, porém, são anônimos, políticos e celebridades de todo o mundo a bradar pela vida de Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma iraniana condenada pela Justiça de seu país, em pleno século 21, a morrer apedrejada.

Aos 43 anos, Sakineh é acusada de cometer adultério com dois homens e, desde maio de 2006, divide uma cela com outras 25 mulheres acusadas de homicídio na prisão de Tabriz, no noroeste do Irã. Originalmente, ela havia sido sentenciada a receber 99 chicotadas (o que já foi executado), mas seu caso foi reaberto quando a Justiça iraniana a acusou de ter matado o marido. Ela foi inocentada desse crime, mas a pena relativa ao adultério foi revista, e a iraniana acabou sentenciada à pena capital, em 2007.

– Durante o trajeto de 15 minutos até o tribunal, ela estava apenas preocupada com os filhos, mas não estava esperando nada perto de apedrejamento. Por dias, ela parecia um fantasma, vagando em choque, mas quando voltou a si, só chorava. Eu não a vi sem chorar até o último dia em que passei com ela na prisão – relatou a ativista política Shahnaz Gholami, antiga companheira de prisão de Sakineh.

Documentos obtidos pelo Comitê Iraniano contra o Apedrejamento mostram que dois dos cinco juízes que trataram do caso de Sakineh concluíram não haver evidências de adultério.

– É chocante. Ela foi sentenciada a morrer apedrejada porque três juízes acham, apenas acham, que ela teve um relacionamento fora do casamento – disse Mayram Namazie, do comitê.

O anúncio de que a aplicação da pena poderia ser iminente despertou uma grande mobilização internacional, e países como França, Grã-Bretanha e EUA criticaram a decisão de Teerã. Um abaixo-assinado aberto há cerca de um mês na internet deu impulso mundial à campanha. O documento conta com mais de 540 mil assinaturas. Diante de tanta exposição, as autoridades iranianas mudaram o método de execução, para enforcamento. Os prisioneiros no corredor da morte são informados de quando serão mortos somente pouco antes da execução, aumentando seu sofrimento e o da família. Às vezes, seus advogados não são informados sobre a data com 48 horas de antecedência, como determina a lei iraniana.

Após proibir os filhos de Sakineh de falar com a imprensa e impedir a mídia do país de repercutir o caso, o governo do Irã foi atrás do advogado da iraniana, o conhecido ativista dos direitos humanos Mohammad Mostafai. Ele está desaparecido desde o início da semana, após as autoridades de Teerã terem emitido um mandado de prisão contra ele.

Tudo isso em nome da religião.

Corumbá