sábado, 28 de julho de 2012

Mensalão foi o maior caso de corrupção do país, diz Gurgel

Enviado por FELIPE SELIGMAN em 28/07/2012


Em sua última manifestação formal antes do início do julgamento do mensalão, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou aos ministros do Supremo Tribunal Federal um documento no qual afirma que o caso foi "o mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil".

A expressão faz parte de um vasto memorial que foi entregue na última semana aos 11 integrantes do Supremo e obtido pela Folha. O julgamento começa na quinta.

Ao enviar o material, Gurgel visa facilitar o trabalho dos ministros, caso advogados contestem provas citadas pela acusação, ou afirmem que não existem indícios sobre um ou outro ponto.

O que Gurgel fez foi pinçar das mais de 50 mil páginas do processo o que chamou de "principais provas" contra os acusados. Esses documentos (como perícias, depoimentos e interrogatórios) foram separados pelo nome de cada réu, em dois volumes.

Nos últimos dias, advogados de defesa também entregaram os seus memoriais.

No texto em que Gurgel chama o mensalão de o mais "escandaloso esquema", o procurador retoma uma frase que usou nas alegações finais, enviadas ao Supremo no ano passado, quando havia dito que a atuação do STF deveria servir de exemplo contra atos de corrupção.

Agora, diz que "a atuação do Supremo Tribunal Federal servirá de exemplo, verdadeiro paradigma histórico, para todo o Poder Judiciário brasileiro e, principalmente, para toda a sociedade, a fim de que os atos de corrupção, mazela desgraçada e insistentemente epidêmica no Brasil, sejam tratados com rigor necessário".

Em outro ponto, ele afirma que o mensalão representou "um sistema de enorme movimentação financeira à margem da legalidade, com o objetivo espúrio de comprar os votos de parlamentares tidos como especialmente relevantes pelos líderes criminosos."

Em sua manifestação final, Gurgel tentou relembrar alguns detalhes fundamentais, como o papel do núcleo financeiro do esquema.

"Impressiona constatar que as ações dos dirigentes do Banco Rural perpassaram todas as etapas do esquema ilícito, desde sua origem (financiamento), passando pela sua operacionalização (distribuição) e, ao final, garantindo a sua impunidade pela omissão na comunicação das operações suspeitas aos órgãos de controle", afirma.

Ao resumir o que a ação contém, o procurador concluiu: "Colheu-se um substancioso conjunto de provas que não deixa dúvidas à procedência de acusação".

Corumbá

folha.uol.com.br

sábado, 9 de junho de 2012

Lula divide, ultrapassa e não teme militância do PT

Enviado por Ricardo Noblat - 09.06.2012


Faltou ao menos um elemento nos cálculos feitos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para executar seu plano de interferir diretamente nas articulações para o lançamento de candidatos a prefeito em São Paulo e Recife: a militância do PT, que começa a enfrentá-lo.

Em diferentes pontos do Brasil, de São Paulo a Recife, mas passando por Porto Alegre e Belo Horizonte, os petistas que fazem o dia a dia das bases da legenda vão mostrando, cada um ao seu modo, que os ditames de Lula não estão combinando em nada com o que realmente eles desejam.

Em rede nacional, a imagem de um cartaz com os dizeres "Lula, você não manda em Recife", marcou o comício de desagravo ao prefeito João da Costa, na quinta-feira 7, que reuniu milhares de pessoas no aeroporto da capital pernambucana.

Com este tipo de apoio, Costa anunciou a entrada no Diretório Nacional do partido com um protesto contra a imposição, pilotada por Lula, da candidatura do senador Humberto Costa em lugar da sua, no Diretório Municipal.

Em silêncio, mas na prática absolutamente alheia à candidatura de Fernando Haddad, a militância do partido na maior cidade do País também vai se recusando a comprar o nome imposto por Lula. Até aqui, nenhuma grande manifestação pública a favor dele ocorreu.

Em Belo Horizonte, o quadro é de divisão total: o partido fará no domingo 10 um encontro para escolher um candidato a vice-prefeito, na chapa de Marcio Lacerda, do PSB, entre nada menos que sete pré-candidatos.

Antes, a legenda já enfrentara uma primeira divisão, ao barrar a candidatura do atual vice Roberto Carvalho ao cargo de prefeito, por 6 votos contra 4 no Diretório Municipal. Nessa hora, Lula preferiu não se meter.

Em Porto Alegre, a deputada Manuela D´Ávila, do PC do B, ficou a ver navios em lugar da prometida, pelo governador Tarso Genro, aliança com o PT. "Aqui, até o último momento, insistimos na unidade", disse ela, que considera legítima a candidatura do petista Adão Villaverde.

Não se viu para a capital dos pampas nenhuma mensagem de Lula para balizar as opiniões.

Jogando com mão pesada, nos casos de Recife e São Paulo, ou excluindo-se do processo, como acontece em Belo Horizonte e Porto Alegre, Lula trabalha como se militância não houvesse – e, neste sentido, a ausência de inclusão desse elemento em seus cálculos políticos não é sem querer, mas proposital.

O que Lula está fazendo é asfaltando, a seu modo, a aliança com o PSB do governador Eduardo Campos, hoje o maior pauteiro das ações do PT. Em gratidão ao racha promovido em Recife, Lula antevê Campos como vice em sua possível chapa como candidato a presidente em 2014.

O ex-presidente sempre acreditou ser, pessoalmente, maior que a legenda do PT. Para ele, ter a militância agora contra si não faz tanta diferença assim, uma vez que, nas suas contas, essa própria militância terá de seu unir a seu favor em 2014, porque não haverá outra alternativa.

Infalível no passado, essa fórmula, a partir das possíveis derrotas de Lula e seus candidatos em 2012 - mais outro 'detalhe' chamado reeleição da presidente Dilma Rousseff -, tende a ser questionada cada vez mais fortemente.

Corumbá

domingo, 3 de junho de 2012

Abaixo o voto secreto

Enviado por Eliane Catanhêde – 03/06/2012


Lula deu a largada na eleição de São Paulo no programa do Ratinho, a CPI saiu da tumba com a quebra do acordão PT-PSDB e aumenta a pressão para o fim do voto secreto já no julgamento de Demóstenes Torres em plenário.

Na eleição, começam o resgate de Fernando Haddad, dos irreais 3% para os tradicionais 30% do PT em São Paulo, e o trajeto para o segundo turno entre PT e PSDB. Chalita fortalece o PMDB na negociação.

Na CPI, Marconi Perillo afunda e respinga no PSDB em ano eleitoral. A cúpula e os candidatos não devem estar nada felizes com os voos do tucano ao Cachoeira.

Mas as maiores emoções ficam por conta da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do titanic Delta, grande contratante do PAC e a maior recebedora de recursos do governo federal desde 2007 - além de queridinha de nove entre dez governos estaduais. Vem coisa.

E, enfim, é tempo de acabar com essa excrescência do voto secreto para a cassação de mandatos. Eu, tu, ele e todos nós eleitores temos o direito de saber como nossos eleitos vão votar no caso Demóstenes, ainda mais sob os ventos da lei de acesso às informações públicas.

As evidências das ligações do ainda senador com Cachoeira são flagrantes e o destino dele no Conselho de Ética parece selado. O problema é o plenário, com o voto secreto e suas excelências votando corporativamente. Afinal, quantos Demóstenes e Cachoeiras há entre eles?

O projeto que enterra o voto secreto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça em junho de 2010 e depende de um único fator para ser votado: vontade.

Pela pressão, quebrou-se o acordão PT-PSDB na CPI. Pela pressão, o Senado será compelido a votar o projeto e evitar o vexame da Câmara, que absolveu a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), apesar de provas, fotos, fitas e ficha corrida familiar.

A hora é agora.

Corumbá

Eliane Catanhêde - elianec@uol.com.br

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Detalhes de uma leitura digital

Enviado por por Carol Bensimon * em  24/04/2012


    Peço desculpas antecipadas para quem não gostaria de ouvir mais uma opinião sobre e-books e o futuro da leitura. Na verdade, não quero dar exatamente uma opinião, mas apenas chamar atenção para alguns pontos que, como usuária de um iPad, me fazem acreditar que não devo largar o papel tão cedo. Então tá.

Parece uma grande vantagem o leitor poder customizar as páginas do livro que está lendo, isto é, escolher o tamanho da fonte de forma a deixar sua experiência mais confortável etc. etc. No entanto, tanto no Kindle como no iPad, essa interferência do usuário tem uma consequência bem desagradável: o espaço entre as palavras varia, já que não há separação de sílabas, transformando o livro todo em um justificadão do Word. Você pode argumentar que só pessoas muito chatas ou editores ou designers têm algum problema com isso, mas eu diria que todos têm, mesmo que não percebam. Se não, por que existiram profissionais chamados diagramadores?

Antes de começar a ler um livro, eu adoro ter uma noção do todo. Não se trata de saber simplesmente o número de páginas; é mais um passeio caótico e apressado pelo que está por vir, a partir do qual temos uma ideia do tamanho dos capítulos, se o livro é dividido em partes, se os parágrafos costumam ser longos ou curtos, se há diálogos e, em caso positivo, de que forma são postos no texto etc. etc. Mesmo durante a leitura, devo confessar, é bem comum que eu dê uma espiadinha no final do capítulo que estou lendo, questão de medir distância – às vezes o mundo lá fora nos obriga a isso, infelizmente.

E quando você interrompe a leitura e, antes de colocar o livro sobre o criado-mudo, dá aquela olhadinha no bloco de páginas e na posição em que se encontra o marcador? Em um e-book, não dá para fazer.

O que eu mais leio no iPad são, de fato, revistas. Ainda sou muito apegada aos livros, como objetos, para preferir suas versões eletrônicas. Mas revistas eu compro com frequência, afinal de que outra maneira poderia ler a Les Inrockuptibles daquela semana por cerca de dois reais e cinquenta centavos? O problema é que às vezes eu compro uma revista e esqueço que comprei. Quero dizer, não é como entrar no banheiro e vê-la em cima do bidê. Ela está na biblioteca, que por sua vez está dentro de um aplicativo, que por sua vez está na segunda página de apps do seu iPad.

Isso me parece uma coisa que inevitavelmente o iPad terá que corrigir em suas versões futuras (ou então criar mais um aplicativo para gerenciar todos os aplicativos de leitura): eu tenho revistas dentro do app daWired, da Books, da Les Inrocks, da Trip, ou então dentro de agregadores de revistas como o Zinio e oLeKiosque; tenho histórias em quadrinhos no Izneo BD; livros no Kindle (sim, há um aplicativo Kindle para iPad) e no Fnacbook, e assim por diante. Dá pra esquecer um dossiê inteiro sobre psicofármacos por meses e meses. Como eu disse, não aconteceria se estivesse em cima do bidê.

Em junho, quando eu colocar os pés na América para uma road trip solitária, vou comprar um iPad 3 e um Kindle. Veja bem, eu estou abraçando esse negócio chamado futuro. Ainda assim, sinto que talvez haja uma pequena distorção ao ver um vídeo bonito como o de um app chamado Paper, que já alcançou a marca dos milhões de downloads.

Eu não sei desenhar mas acho que, mesmo que soubesse, não sairia andando com meu tablet na mão e desenhando uma aquarela ao mesmo tempo. E acredito que já teria guardado meu tablet na bolsa quando o metrô chegasse na estação. Quero dizer: não é papel. Ainda não.

Corumbá

 

*Carol Bensimon nasceu em Porto Alegre, em 1982. Publicou Pó de parede em 2008 e no ano seguinte a Companhia das Letras lançou seu primeiro romance, Sinuca embaixo d’água (finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura)]

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Doença incurável

Enviado por Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Finalmente descortinou-se ao menos uma razão de ser para o Ministério da Pesca: servir de ponte para o trânsito do dinheiro público aos cofres de um partido. No caso, o PT que, diga-se, não é o único a se valer do expediente.

A mesma prática revelou-se em episódios anteriores e voltou a aparecer nas denúncias que levaram ministros à queda ou à berlinda ao modo de uma derrocada em dominó.

Havia nos escândalos recentes envolvendo ministros do PC do B, PDT, PMDB, PR e PSB, o traço - em alguns mais acentuadamente que em outros - do uso da máquina administrativa para algum tipo de favorecimento privado. Partidário ou familiar e, portanto, pessoal.

A denúncia sobre o ministério da Pesca é tão cristalina quanto as que durante o ano passado detectaram a transformação de pastas em feudos de partidos usuários do aparelho (nos dois sentidos) de Estado como fonte de financiamento.

A diferença aqui é que quando se trata do PT o tratamento é mais brando do lado do governo e mais petulante, para não dizer cínico, da parte dos acusados em sua infinita capacidade de negar as evidências. Por mais evidentes que sejam.

Vejamos resumidamente o que nos mostra o "caso das lanchas", a partir de minuciosos relatos dos repórteres do Estado: em 2009, o Ministério da Pesca concluiu uma negociação com a empresa Intech Boating para a compra de 28 lanchas-patrulha no valor de R$ 31 milhões.

A transação deu-se sem necessidade de comprovação da necessidade da aquisição - tanto que a maior parte (19) não foi usada - e acabou caindo na rede do Tribunal de Contas da União sobre licitações supostamente dirigidas.

Em 2010, o secretário de Planejamento do ministério, Karim Bacha, pediu uma doação para a campanha do PT ao governo de Santa Catarina de R$ 150 mil ao dono da empresa fabricante das lanchas. Pedido feito, pedido obviamente aceito por aquele que ganhara um contrato cujo valor, na comparação, tornava a doação irrisória.

Pois a questão aqui não é de montante, nem do fato de os recursos terem sido devidamente contabilizados. A contribuição foi legal, como alega a hoje ministra das Relações Institucionais e à época candidata ao governo de Santa Catarina, Ideli Salvatti, e depois titular da Pesca.

Ilegítima - para dizer bem pouco, já que o direcionamento da licitação é ainda uma suspeita - foi a "troca" perfeitamente caracterizada na solicitação feita por intermédio do ministério.

Aqui não está em jogo só a conduta dos ministros (Ideli e seu antecessor Altemir Gregolim), embora esteja também.

O dado mais relevante é a prática que se repete, se estende aos outros partidos participantes do governo e é responsável pela produção de denúncias numa série, pelo visto, interminável.

Mata-borrão. A julgar por algumas reações diante dos ótimos índices de aceitação da presidente Dilma Rousseff, as pesquisas seriam, além de uma espécie de salvo-conduto ao erro, um fator de aniquilação do senso crítico.

Celebrar a avaliação positiva é uma coisa. Inclusive porque se as pessoas estão gostando da atuação de Dilma, governo e governistas devem mesmo comemorar.

Outra coisa bem diferente é achar que pontuação em pesquisa é um valor absoluto perante o qual devem se curvar os fatos nem sempre levados em conta pela maioria.

Maioria esta que na mesma pesquisa condena a pesada carga tributária, mas não conecta o fato ao desempenho da presidente.

Aparências. Ainda pensando na dupla face do senador Demóstenes Torres: havia no governo Lula algo mais respeitável que as maneiras, a fala e a figura de Antônio Palocci?

Foi praticamente o fiador da ascensão do PT ao poder e acabou, com todo o reconhecimento de valor, sob os escombros de uma casa de lobby em Brasília.

O ensaio de ressurreição que viria depois, com Dilma, foi apenas um estertor.

Corumbá

Como avaliar um professor

Enviado por Fernando Reinach - O Estado de S.Paulo

Até que ponto é possível avaliar um professor medindo o aprendizado dos alunos? Um estudo desenvolvido nos EUA demonstrou que esse método, se bem aplicado, mede até a velocidade com que professores iniciantes melhoram seu desempenho.

Quando eu era estudante, os alunos eram avaliados todos os meses e ao final do ano. Isso ainda acontece, mas a avaliação dos alunos passou a ter uma segunda função: avaliar a qualidade dos professores e da escola. Esse sistema permite avaliar professores sem submetê-los a avaliações diretas. Talvez você não saiba, mas os professores, apesar de passarem a vida avaliando alunos, reagem violentamente quanto a escola ou o governo tenta avaliá-los diretamente.

Para esse fim, foram criados exames como o Enem. E com eles vieram as listas das "melhores" escolas secundárias e universidades. Seriam aquelas cujos alunos receberam as melhores notas nesses exames. Infelizmente, essa classificação pode ser enganosa. Ela parte do princípio de que todas as escolas recebem alunos com a mesma qualificação.

Imagine duas escolas. Em uma os alunos tiraram 10 no Enem e em outra, 8. Nas listas, fica implícito que a escola 10 é melhor que a 8. Mas isto só é verdade se ambas as escolas receberam, no início, alunos com a mesma formação.

Imagine que a escola 10 recebeu alunos que sabiam o equivalente a 7. Ela foi capaz de transformar 7 em 10 (eles aprenderam 3). Mas imagine que a escola 8 recebeu alunos que sabiam o equivalente a 2. Ela transformou alunos 2 em 8 (eles aprenderam 6). É fácil argumentar que a escola em segundo no ranking é aproximadamente duas vezes mais eficiente que a escola 10.

O fato é que não sabemos quais são as melhores escolas secundárias ou as melhores universidades. Esse fato não só distorce a avaliação, mas explica porque a maioria das escolas deseja receber os alunos mais bem preparados e se livrar dos mal preparados. A única maneira de não incorrer nesse erro é medir o conhecimento de cada aluno no inicio e no final do curso e avaliar os professores e as escolas em função do progresso obtido pelos alunos ao longo do curso.

Infelizmente, isso não está totalmente implantado no Brasil. Mas é isso que é feito em muitos Estados dos EUA. E foi utilizando esse tipo de dado que os pesquisadores estudaram o processo de melhora dos professores.

Nos EUA, a profissão de professor passou ser atividade de inicio de carreira. Se em 1988 o número de anos de experiência dos professores de ensino secundário era de 15, agora ela se aproxima perigosamente dos 3. Cinco anos depois de contratados, mais de 50% deles abandonaram a profissão. O resultado é que as crianças estão sendo educadas por professores inexperientes.

Daí a questão: quão rápido esses professores iniciantes melhoram sua capacidade de ensinar? Ou qual a perda sofrida pelo sistema educacional por causa da pouca experiência dos docentes?

Foram analisados os dados de 1,05 milhão de crianças avaliadas no início e no final de cada ano, para cada uma das matérias. Para cada criança, é conhecido cada professor e sua experiência anterior, seus colegas de classe e outros dados. Usando metodologias estatísticas, esses dados foram cruzados e as correlações estatisticamente significantes foram identificadas.

Os resultados mostram que em ciências exatas a capacidade dos professores de ensinar aumenta rapidamente durante os primeiros quatro anos de magistrado e depois se estabiliza. Para professores de matemática e biologia, esse aumento é menos significativo, mas também se estabiliza aos quatro anos. Os outros professores não melhoram tanto ao longo do tempo e sua eficiência inicial se mantém. E foi descoberto que os professores mais eficientes nos primeiros anos de carreira eram os que tinham maior chance de não se demitirem após cinco anos. Esses resultados explicam parte do fato de o ensino de ciências exatas piorar nos EUA.

Para nós, brasileiros, esse estudo demonstra como é possível dissecar o desempenho de cada professor analisando o dos alunos. Pena que avançamos tão devagar.

Corumbá

domingo, 11 de março de 2012

Instruções da Fifa

Enviado por Luís Fernando Veríssimo – 11/03/2012
Chegaram as instruções da Fifa para como devemos nos comportar durante a Copa do Mundo de 2014. Os brasileiros que não respeitarem as recomendações da Fifa podem ser multados ou, dependendo da natureza da falta, sofrerem sanções mais graves. Tome nota.

Começando pela recepção a autoridades e delegações estrangeiras, nos aeroportos: devemos refrear nossa mania de não apenas apertar a mão como dar uma batidinha no ombro, o que denota uma intimidade que não existe e pode constranger o visitante.

A Fifa aceita que se organizem recepções festivas aos estrangeiros, já que, afinal, eles estarão chegando na terra do carnaval, mas pede moderação.

As baterias de escola de samba devem se apresentar nos aeroportos só com os instrumentos mais leves, que não reverberem tanto, e as mulatas devem cuidar para não ofender os recém-chegados com trajes muito sumários. Quer dizer, nada de bumbo ou tapa-sexo.

Na questão da vestimenta: a Fifa faz restrições ao conjunto bermudas/shortinhos e havaianas. Não o proíbe totalmente mas prefere que ele não seja usado em ocasiões como coquetéis e recepções oficiais, ainda mais que o Blatter estará de gravata.

Saias curtas para mulheres serão toleradas desde que a distância entre cintura e barra da saia não seja menor do que 18 centímetros. Haverá fiscais da Fifa em locais de congraçamento social para fazerem a medida.

Os penteados e as tatuagens também serão controlados e a Fifa recomenda que a nação inteira dedique-se a regimes alimentares e exercícios físicos para emagrecer até 2014, porque do jeito que estamos não dá.

A Fifa observou que os brasileiros falam muito alto em restaurantes. Estabelecerá um limite de decibéis que se for ultrapassado levará ao fechamento do estabelecimento e à internação da clientela em cursos intensivos de locução e etiqueta, pelo menos até o fim da Copa.

A Fifa estuda uma mudança no nosso nome, de República Federativa do Brasil para Estados Unidos do Brasil, ou — levando em conta que a língua mais falada por aqui já é o inglês — Estados Unidos da América Legendado.

Também pensa em mudar as nossas cores, porque verde e amarelo, francamente. Mas isso fica para outra etapa, quando a Fifa reorganizará os estados brasileiros, inclusive suprimindo alguns, e intervirá na nossa taxa de juros.

Finalmente, a Fifa não está contente com o nosso governo. Acha a Dilma muito mandona, mais mandona do que ela, e já está providenciando sua substituição.

Corumbá