quinta-feira, 3 de junho de 2010

Carta para o Chico Buarque

Enviada por José Danon*, em 02/06


Chico, você foi, é e será sempre meu herói. Pelo que você foi, pelo que você é e pelo que creio que continuará sendo. Por isso mesmo, ao ver você declarar que vai votar no Lula “por falta de opção”, tomei a liberdade de lhe apresentar o que, na opinião do seu mais devoto e incondicional admirador, pode ser uma opção.

Eu também votei no Lula contra o Collor. Tanto pelo que representava o Lula como pelo que representava o Collor. Eu também acreditava no Lula. E até aprendi várias coisas com ele, como citar ditos da mãe. Minha mãe costumava lembrar a piada do bêbado que contava como se tinha machucado tanto. Cambaleante, ele explicava: “Eu vi dois touros e duas árvores, os que eram e os que não eram. Corri e subi na árvore que não era, aí veio o touro que era e me pegou.” Acho que nós votamos no Lula que não era, aí veio o Lula que era e nos pegou.

Chico, meu mestre, acho que nós, na nossa idade, fizemos a nossa parte. Se a fizemos bem feita ou mal feita, já é uma outra história. Quando a fizemos, acreditávamos que era a correta. Mas desconfio que nossa geração não foi tão bem-sucedida, afinal. Menos em função dos valores que temos defendido e mais em razão dos resultados que temos obtido. Creio que hoje nossa principal função será a de disseminar a mensagem adequada aos jovens que vão gerenciar o mundo a partir de agora. Eles que façam mais e melhor do que fizemos, principalmente porque o que deixamos para eles não foi grande coisa. Deixamos um governo que tem o cinismo de olimpicamente perdoar os “companheiros que erraram” quando a corrupção é descoberta.

Desculpe, senhor, acho que não entendi. Como é, mesmo? Erraram? Ora, Chico. O erro é uma falha acidental, involuntária, uma tentativa frustrada ou malsucedida de acertar. Podemos dizer que errou o Parreira na estratégia de jogo, que erramos nós ao votarmos no Lula, mas não que tenham errado os zésdirceus, os marcosvalérios, os genoinos, dudas, gushikens, waldomiros, delúbios, paloccis, okamottos, adalbertos das cuecas, lulinhas, beneditasdasilva, burattis, professoresluizinhos, silvinhos, joãopaulocunhas, berzoinis, hamiltonlacerdas, lorenzettis, bargas, expeditovelosos, vedoins, freuds e mais uma centena de exemplares dessa espécie tão abundante, desafortunadamente tão preservada do risco de extinção por seu tratador. Esses não erraram. Cometeram crimes. Não são desatentos ou equivocados. São criminosos. Não merecem carinho e consolo, merecem cadeia.

Obviamente, não perguntarei se você se lembra da ditadura militar. Mas perguntarei se você não tem uma sensação de déjà vu nos rompantes de nosso presidente, na prepotência dos companheiros, na irritação com a imprensa quando a notícia não é a favor. Não é exagero, pergunte ao Larry Rother do New York Times, que, a propósito, não havia publicado nenhuma mentira. Nem mesmo o Bush, com sua peculiar e texana soberba, tem ousado ameaçar jornalistas por publicarem o que quer que seja. Pergunte ao Michael Moore. E olhe que, no caso do Bush, fazem mais que simples e despretensiosas alusões aos seus hábitos ou preferências alcoólicas no happy hour do expediente.

Mas devo concordar plenamente com o Lula ao menos numa questão em especial: quando acusa a elite de ameaçá-lo, ele tem razão. Explica o Aurélio Buarque de Hollanda que elite, do francês élite, significa “o que há de melhor em uma sociedade, minoria prestigiada, constituída pelos indivíduos mais aptos”. Poxa! Na mosca. Ele sabe que seus inimigos são as pessoas do povo mais informadas, com capacidade de análise, com condições de avaliar a eficiência e honestidade de suas ações. E não seria a primeira vez que essa mesma elite faz esse serviço. Essa elite lutou pela independência do Brasil, pela República, pelo fim da ditadura, pelas diretas-já, pela defenestração do Collor e até mesmo para tirar o Lula das grades da ditadura em 1980, onde passou 31 dias. Mas ela é a inimiga de hoje. E eu acho que é justamente aí que nós entramos.

Nós, que neste país tivemos o privilégio de aprender a ler, de comer diariamente, de ter pais dispostos a se sacrificar para que pudéssemos ser capazes de pensar com independência, como é próprio das elites - o que, a propósito, não considero uma ofensa -, não deveríamos deixar como herança para os mais jovens presentes de grego como Lula, Chávez, Evo Morales, Fidel - herói do Lula, que fuzila os insatisfeitos que tentam desesperadamente escapar de sua “democracia”. Nossa herança deveria ser a experiência que acumulamos como justo castigo por admitirmos passivamente ser governados pelo Lula, pelo Chávez, pelo Evo e pelo Fidel, juntamente com a sabedoria de poder fazer dessa experiência um antídoto para esse globalizado veneno. Nossa melhor herança será o sinal que deixaremos para quem vem depois, um claro sinal de que permanentemente apoiaremos a ética e a honestidade e repudiaremos o contrário disto. Da mesma forma que elegemos o bom, destronamos o ruim, mesmo que o bom e o ruim sejam representados pela mesma pessoa em tempos distintos.

Assim como o maior mal que a inflação causa é o da supressão da referência dos parâmetros do valor material das coisas, o maior mal que a impunidade causa é o da perda de referência dos parâmetros de justiça social. Aceitar passivamente a livre ação do desonesto é ser cúmplice do bandido, condenando a vítima a pagar pelo malfeito. Temos opção. A opção é destronar o ruim. Se o oposto será bom, veremos depois. Se o oposto tampouco servir, também o destronaremos. A nossa tolerância zero contra a sacanagem evitará que as passagens importantes de nossa História, nesse sanatório geral, terminem por desbotar-se na memória de nossas novas gerações.

Aí, sim, Chico, acho que cada paralelepípedo da velha cidade, no dia 1º de outubro, vai se arrepiar.

Seu admirador número 1,
Zé Danon


*José Danon é economista e consultor de empresas

Corumbá

sábado, 22 de maio de 2010

Impasse

Enviado por ELIANE CANTANHÊDE, em 21/05

Enquanto o Brasil bate de frente com os EUA, uma sensação se consolida mundo afora: com ou sem o acordo mediado pelo Brasil, com ou sem as sanções engendradas pelos EUA, o regime da dupla Kamenei-Ahmadinejad vai acabar fabricando a bomba atômica. E seja o que Deus quiser.

Pelo acordo, o Irã enriquece levemente uma parte do seu urânio, envia para a Turquia e recebe de volta para uso civil. Isso significa que o Irã decidiu parar de enriquecer o resto de seu urânio e de se habilitar a ter a bomba? Improvável.

Já as sanções articuladas no Conselho de Segurança da ONU pelos EUA preveem controle de financiamentos e transações bancárias, além de venda e trânsito de armas.

E daí? É suficiente para amedrontar os iranianos? Ou, ao contrário, só irá justificar um aprofundamento das pesquisas nucleares?

Ao entrar e ir tão fundo nas negociações com o Irã, o Brasil busca um (abstrato) protagonismo internacional e uma (concreta) cadeira permanente no Conselho de Segurança, ora tateando, ora extrapolando limites. O resultado é que o país está no foco da tensão internacional - e se contrapondo à maior potência. Os EUA ficaram de um lado, o Brasil, do outro.

Aliás, não deixa de ser curiosa a pressa dos americanos. O acordo foi num dia e, já no dia seguinte, os EUA lideravam a reunião do Conselho pró-sanções. Soou como uma certa "dor de cotovelo" pela capacidade de ação brasileira, junto com um: "Ponha-se no seu lugar!".

O desequilíbrio é enorme. Segundo balanço da França, só 3 dos 15 países do Conselho (com assentos permanentes ou rotativos) são contra as sanções: Brasil, Turquia e Líbano. Todos os demais fecharam com os EUA, pró-sanções, enquanto o Irã parece dar de ombros.

O Brasil, pois, ganha tanto os holofotes como o risco de perder feio.

Ao tentar evitar o isolamento do Irã, pode estar se isolando junto com ele. Típico abraço de afogados.

elianec@uol.com.br

Corumbá

domingo, 16 de maio de 2010

13 motivos para suspeitar que a pesquisa da Vox Populi foi feita sob encomenda.

Suspeitar é elogio…

1. No Centro-Oeste, onde está localizado grande parte do agronegócio e onde governadores são fazendeiros, Marina Silva(PV) alcançou o dobro de intenções de votos (12%) do que no Norte(6%), seu "habitat eleitoral". Um fenômeno assolou o Centro-Oeste: Serra caiu 13% e Dilma também perdeu 1%. Os números da Vox Populi contrastam com as pesquisas de todos os institutos que fizeram levantamentos locais, registrados nos TRE(S), inclusive da própria Vox Populi.

2. A justificativa para o crescimento espantoso de Dilma Rousseff foi a superexposição obtida com os comerciais do PT. Em alguns lugares, mostrou a pesquisa, apenas em alguns lugares. No Centro-Oeste ela caiu 1%. No Nordeste, ela ficou exatamente com os mesmos números. No Sul ela perdeu 4%. A candidata só aproveitou a superexposição no Sudeste e no Norte, onde cresceu, em cada região, estrondosos 8%. Não é super engraçado? Então anotem mais essa: a pesquisa pergunta se o eleitor falou sobre politica nos últimos dias, justamente para ver o efeito da propaganda. Pois não é que 78% não falaram, contra 76% da pesquisa anterior? E que, no Sudeste, este número foi de 81%?

3. Estranhamente, a Vox Populi informa que realizou pesquisa em Porto Alegre, mas não fez entrevistas na cidade, segundo dados depositados no TSE. Estranhamente...

4. Aproximadamente 40% da amostra da pesquisa publicada ontem repetiu municípios da pesquisa anterior, realizada em abril, que por sua vez repetiu praticamente 100% das cidades onde a empresa realizou a mesma pesquisa em janeiro de 2010. O Brasil tem mais de 5.500 municípios e a empresa informa ao TSE que a escolha dos locais a serem pesquisados é feita de forma aleatória.

5. Há cidades, neste universo, como Capão Leão, no Rio Grande do Sul, onde os roteiros indicados para os entrevistadores foram exatamente os mesmos, nas três pesquisas realizadas pelo instituto. As mesmas ruas. Os mesmos bairros três vezes consecutivas. Exemplos de cidades repetidas nas três pesquisas realizadas pelo instituto em 2010: Araguari(MG), Buritama(SP), Careiro(AM), Igaratá(SP), Marizópolis(PB), Presidente Médici(RO), Serra Talhada(PE), Crateús(CE), Tatuí(SP) e Taquara(RS).

6. Em São Paulo, o número de bairros foi reduzido em relação a pesquisas anteriores. Foram retirados da amostra locais como Perdizes e Bela Vista, justamente onde predomina o eleitorado tucano, conforme votações obtidas por seus candidatos nas últimas eleições. No entanto, foram mantidas nas três pesquisas bairros como Grajaú e Jardim Ângela, maiores colégios eleitorais do PT.

7. A pior avaliação de José Serra (PSDB) está no Centro-Oeste; apenas 36% tem uma imagem positiva do tucano. No Nordeste, por exemplo, 49% têm uma opinião favorável sobre Serra. No Sudeste, a avaliação positiva de José Serra é de apenas 50%, enquanto Dilma Rousseff alcança 55%. Não é impressionante?

8. É assombroso que 12% dos entrevistados não saibam responder que tipo de imagem tem sobre José Serra, no Centro-Oeste. No Norte e Nordeste, por exemplo, só 3% e 4% do eleitorado, respectivamente, não têm opinião a respeito. Mas o mais incrível é que, no Centro-Oeste, pela mesma pesquisa, 96% conhece José Serra, mas 12% não sabe responder o que pensa sobre ele.

9. No que se refere às citações espontâneas, o Sudeste também apresenta um dado surpreendente: Serra tem apenas 14% de citações espontâneas, contra 17% de Dilma. Já no Nordeste, o tucano é citado espontaneamente por 13% dos eleitores e a petista por 22%. A conclusão é que o tucano é tão popular em São Paulo quanto em Pernambuco.

10. Onde Dilma Rousseff alcança a sua melhor performance na votação espontânea? No Norte, pois lá 29% citam a candidata na hora! Para quem tem um percentual de 41% na região, segundo a Vox Populi, é realmente um milagre.

11. Outro dado incrível! Somente 34% dos eleitores do Nordeste não sabem responder qual é o seu candidato, na pesquisa espontânea. No Sul, tido como tão politizado, 45% não sabem em quem vão votar. O Sudeste, tão desenvolvido, tem 48% de alienados. O Centro-Oeste, por sua vez, apresenta 41% de desinteressados. E o Norte, para completar, também não está bem informado, mas está sem segundo lugar no Brasil, com 41%. As regiões até então tidas como as menos politizadas tiveram um salto de qualidade que merece tese de doutorado.

12. De uma hora para a outra, as mulheres deixaram de votar em José Serra. Agora ele tem apenas 35% dos votos entre as mulheres e 34% entre os homens. Dilma, no entanto, continua sendo preferida pelos homens e rejeitada pelas mulheres: 42% contra 34%. Onde as mulheres que largaram José Serra foram, somente milagres estatísticos podem dizer.

13. Por fim, tendo em vista todos os dados acima apresentados, a rejeição de José Serra no Centro-Oeste subiu para 31%! Dilma fica com apenas 15%. No Sudeste, Serra também é mais rejeitado do que Dilma: tem 20% contra 15% da petista.

A conclusão é que Serra conseguiu o impossível: fazer tudo errado, enquanto Dilma fez tudo certo nos últimos 30 dias.

Corumbá

sábado, 15 de maio de 2010

Igreja Católica desembarca do PT

Enviado por Ruy Fabiano* - 15.5.2010

Na origem do PT, no início da década dos 80 do século passado, há a convergência inédita de três segmentos da sociedade: sindicalistas da indústria automobilística, esquerda acadêmica e comunidades eclesiais de base, representando a ala progressista da Igreja Católica.

A articulação entre eles permitiu que o partido, mais que qualquer outro, antes ou depois, se enraizasse na sociedade, expandisse seus tentáculos e produzisse uma militância ativa e disciplinada, que nenhum outro até hoje logrou constituir.

O projeto de cada um desses segmentos era – e é – distinto. A uni-los, havia a luta comum contra a ditadura. Associaram-se à frente democrática, então comandada pelo PMDB de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, sem se permitir grande proximidade.

Derrubada a ditadura, mantiveram distância dos sucessivos governos, tornando-os alvo de críticas sistemáticas.

Passou a uni-los a questão social, cada qual focando-a a seu modo, sem conflitos que ameaçassem a convergência. Os sindicalistas tinham – e têm – visão utilitária, pragmática. Lutam por conquistas trabalhistas concretas, nos termos do sindicalismo de resultados, inicialmente criticado por Lula – e hoje marca das três centrais que dominam o setor.

Já a esquerda acadêmica e o clero progressista conferem tom ideológico à questão social, que compatibilizaram sem dificuldades com o discurso sindical. Lula mesmo já disse mais de uma vez que “nunca fui de esquerda; fui torneiro-mecânico”. Mas tem ciência de que a aliança de seu partido é pela esquerda.

Essa aliança manteve-se até aqui sem maiores conflitos. Eis, porém, que o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) promove a primeira cisão grave – aparentemente incontornável – nesse pacto partidário. A Igreja Católica está desembarcando dele. Caminhou lado a lado com a esquerda acadêmica até que a agenda de ambos – humanismo x religião - entrou em conflito.

Enquanto os uniam causas institucionais (fim da ditadura) e questões sociais (capitalismo x socialismo), foi possível conciliá-las.
Quando, porém, a agenda da esquerda passa a incluir questões comportamentais de vanguarda, que põem em xeque a moral cristã – aborto, casamento e adoção de crianças por casais gays, proibição de símbolos religiosos em locais públicos -, o convívio chegou ao limite.

O enunciado da ruptura foi dado na 48ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), esta semana, em Brasília. Os bispos deixaram de lado suas diferenças ideológicas – os progressistas, que compatibilizam cristianismo e marxismo, e os ortodoxos, que consideram os dois credos incompatíveis – e desancaram em uníssono o PNDH 3.

O governo já recuou em diversos pontos da questão: suprimiu a liberação do aborto, a proibição de símbolos religiosos, mas não as cláusulas que se referem aos gays, cujas conquistas foram alvo de foram condenação veemente por parte dos bispos, que reiteraram proibição a que ingressem na Igreja.

Como coroamento desse processo, a Assembléia produziu um manifesto em que recomenda aos fiéis que votem em "pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana.

Embora o manifesto não faça menção explícita ao PNDH 3, o cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer cuidou de fazê-lo, ao declarar que, naquele decreto, "além da descriminalização do aborto, há outras distorções inaceitáveis, como a união, dita casamento, de pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por pessoas unidas por relação homoafetiva e a proibição de símbolos religiosos”.

Será possível desfazer o impasse e conciliar as agendas? Pior: será possível dissociar Dilma Rousseff do PNDH? Na quarta-feira, em Porto Alegre, ela declarou que "estive presente em cada programa do governo". De fato, o PNDH foi concebido e executado na Casa Civil da Presidência da República.

*Ruy Fabiano é jornalista

Corumbá

sábado, 8 de maio de 2010

Aluno não gosta de estudar

Texto de Bahige Fadel*, em 08/05/2010

Embora não fosse uma grande novidade, causou-me preocupação o resultado de uma pesquisa realizada recentemente com estudantes universitários. Ao serem interrogados sobre suas preferências no período de estudos, a grande maioria respondeu que prefere as baladas e as festinhas universitárias. Apenas 16% dos alunos disseram que gostam de estudar.

Dirá o leitor: “O resultado da pesquisa é normal. É lógico que os jovens prefiram as baladas e as festinhas às aulas. Qualquer um responderia dessa forma. Seria mentiroso se não fosse assim.”

Como eu sei que a observação do leitor será essa, fico, ainda, mais preocupado. É que tenho a convicção de que não deveria ser assim. Estou certo de que isso ocorre, porque os estudantes não têm plena certeza de seus reais objetivos. Quando se tem um objetivo em mente, a gente se dedica integralmente a esse objetivo e tem prazer em realizar o que deve ser feito para atingi-lo.

Quando me falam que a escola de antigamente era melhor que a de hoje, que os professores de antes eram muito melhores, sou totalmente contrário. Sempre fui de opinião de que a escola de hoje e os professores atuais são bem melhores que os de antigamente. O que mudou foi a situação, foram as circunstâncias.

O leitor dirá que há um paradoxo entre essa afirmação e os resultados da pesquisa. Como é que a escola e os professores de hoje são melhores, se os alunos não gostam de frequentar essa escola com esses professores? Como é que na escola de antigamente, que, segundo minha opinião, era pior, os alunos manifestavam mais interesse?

Não vejo paradoxo algum. Confirmo que, antigamente, era um orgulho para toda a família quando uma pessoa conseguia frequentar a escola. Imaginem, agora, que sentimento dominava as pessoas, quando alguém da família conseguia matricular-se numa faculdade. Sem dúvida, muito grande. Era motivo de notícia em jornal: “Filho da terra matricula-se na Faculdade de Medicina.” E nem precisavam chegar ao ensino universitário. Os mais velhos hão de lembrar com que orgulho se falava da menina que conseguia formar-se na Escola Normal.

Hoje, ao contrário, poucas pessoas desejam a carreira de professor do ciclo I do ensino fundamental (professor primário).

Minha preocupação aumenta, pois vejo que, com escolas melhores, o interesse dos alunos, como a pesquisa confirma, está cada vez menor. A preferência do aluno, ao chegar à universidade, é participar das baladas e das festinhas universitárias, que, evidentemente, não são regadas a suco de laranja.

Nos ensinos fundamental e médio, esse desinteresse se confirma, ao vermos o elevado índice de evasão escolar, principalmente no período noturno e as salas de aula às moscas, nas sextas-feiras, em boa parte das escolas, principalmente no período noturno também.

Há solução para esse problema? – perguntará o leitor. Evidentemente que há. Mas a solução não é tão fácil nem se concretizará em curto espaço de tempo. É preciso que haja um trabalho sistemático, envolvendo as escolas, as autoridades, as famílias e a sociedade de uma maneira geral.

Deverá ser um trabalho educativo de fôlego, que não se esgotará em alguns meses ou alguns anos. É preciso que haja a conscientização de todos para a importância da educação, que deverá conviver em harmonia com uma nova sociedade, que oferece às pessoas alternativas de vida, mas que nenhuma delas dispensa a educação de boa qualidade.
* Bahige Fadel, de Botucatu (SP), supervisor de ensino aposentado e atualmente professor do Total COC.

E-mail: bahige@uol.com.br.

Corumbá

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A vitória santista

Enviado por Raphael Curvo* em 6/05/2010

Antes de escrever sobre a raça do Santos, vou dar uma passada pela nossa classe política que passivamente vê e aceita os desmandos e aberrações do presidente ante a legislação eleitoral brasileira. É coisa de escracho. É ainda mais triste o papel desempenhado pela justiça no faz de conta que penaliza um infrator. Olhe que estou mencionando o Presidente da República, aquele que, por dever de ofício, deveria ser o número um em respeito à Lei e não seu principal infrator. Fico a pensar qual será o comportamento do presidente a partir do momento em que a campanha política chegar às ruas.

O atentado frustrado em New York (USA) foi um alívio à turma presidencial brasileira – Amorim, o Garcia “top-top”, Franklin Martins e cia. O terror tem como um dos principais financiadores o Irã do Ahmadinejah, idolatrado pelo presidente do Brasil que para lá viaja no dia 17 deste. Personagens como esse é que estão como principais na agenda internacional do governo brasileiro. A demanda política com o Irã é de longo prazo e esse encontro de nada servirá à equação de tensão no oriente médio. Tem sabor de vingança à frustração de Doha.

Mas vamos ao que mais interessa do que esse samba de criolo doido que é o governo do Brasil. Os meninos da Vila Belmiro ressuscitaram o futebol arte que parecia enterrado pela geração de técnicos que tomaram conta do futebol brasileiro. Estes treinadores fazem dos nossos astros do futebol, em todos os clubes, meros objetos de suas manipulações. Determinam faixas de campo em que cada um deles pode agir e empregar seu talento. Limitam a sua criatividade com a observação dos riscos e traçados em quadro negro sobre como se deve proceder no transcorrer das partidas. Aprisionados pelas táticas de seus treinadores, jovens talentos são oprimidos na sua evolução na arte de jogar futebol. Temerosos pelo seu futuro e daqueles que dele dependem, os jovens jogadores se vêem aprisionados, melhor dizendo, se auto aprisionam. Ser criativo e ousado torna-se um grande risco ao seu exercício profissional.

Esta é a verdade no nosso futebol. Os treinadores tem pavor do talento que pode ofuscar a sua propalada capacidade em dirigir um time de futebol. Domingo passado esta situação ficou as claras com o treinador santista. Aliás, o Dorival Jr. já havia demonstrado esse seu medo quando resolveu ainda no primeiro jogo da decisão, mudar a característica do time vencedor e de exuberante futebol. Manteve a mesma postura no jogo contra o Atlético mineiro pela Taça Brasil. Colocou na defensiva um time que só sabe atacar. Com isso facilitou a vida do bravo adversário, o Santo André e do time de Minas Gerais. Neymar e Ganso são verdadeiras nitroglicerinas à vaidade do Dunga. Talentos nesse nível podem ofuscar e retirar méritos que julga ser só dele caso ganhe a Copa. Não há outra plausível explicação ao deixar de lado jogadores como os acima citados e Ronaldinho Gaúcho em favor de Josué, Kleberson, Gilberto Silva, Júlio Batista, Adriano e cia. Saibam os senhores leitores, e quantos estão comigo, se não levar esse trio, a seleção volta nas quartas de final.

Em razão da estupidez do Dorival Jr, quase acontece uma das maiores injustiças no futebol brasileiro: o Santos FC não ser campeão. Marco de uma nova era no futebol do Brasil, esse time santista terminou o campeonato paulista com 10 pontos de vantagem sobre o Santo André. Mais, em três confrontos venceu dois, um inclusive, na casa do adversário. É uma diferença considerável e a injustiça se faria com apenas uma vitória do Santo André por dois gols. É mais ou menos a diferença entre o presidente Obama, com 7.740.557 indicações e o presidente do Brasil com 12.371 indicações na lista da revista TIME na relação das mais influentes personalidades do mundo. Quem é o cara? Faltava aos meninos da vila calar o último argumento dos contrários que diziam que a gurizada iria tremer em decisões.

Pois bem, mesmo com sete homens na linha contra nove do adversário, se superaram e mostraram gigantesca personalidade ao segurar o placar e o título. A postura louca de Dorival Jr. de exaurir o poder ofensivo do Santos com substituições do Neymar e Robinho, foi contida pela personalidade de Paulo Henrique, o Ganso, que se recusou a sair e deixar a mercê do massacre adversário o resto do time. E não foi só ele, Rodrigo Mancha também não aceitou a sua substituição. O Santos FC há muitos anos vem, de épocas em épocas, provocando mudanças no comportamento do futebol brasileiro. A orientação deve vir do treinador, mas o futebol aplicado é dos jogadores. Não se pode reprimir talentos, a arte de jogar futebol, o espetáculo da bola pela rigidez das táticas de pranchas e quadros negros dos vestiários. Organizar uma defesa é válido, mas aos atacantes significa impedi-los de serem ofensivos e concretizar o êxtase do futebol, o gol. Fora a cautela, que retorne ao futebol brasileiro a filosofia do jogo ofensivo, de muitos gols.

*Raphael Curvo – santista, jornalista, advogado pela PUC-RIO e pós graduado pela Cândido Mendes-RJ

Corumbá

domingo, 25 de abril de 2010

Condecorações

As condecorações outorgadas pelas autoridades de   um País se destinam a premiar, publicamente, atuações destacadas de qualquer pessoa ou entidade em inúmeros  campos de atividade.

Quanto maior o cuidado na premiação, maior o valor que a comenda tem para quem a recebe. Distribuir condecorações a rodo, sem maiores critérios, só faz com que a comenda perca significado, valor.

E é isso que tem acontecido em nosso outrora valoroso País.

A Ordem de Rio Branco se destina a premiar pessoas que se tenham destacado no campo das relações internacionais, podendo ser conferida em um de vários graus.

Como é fácil de entender, o grau máximo é (ou era, até há dias passados) outorgado a poucas pessoas, brasileiras ou estrangeiras, que realmente tenham contribuído de forma significativa para as relações internacionais do Brasil.

O verbo está no passado porque na presente semana a maior comenda que o País, através do Ministério das Relações Exteriores, concede a pessoas físicas foi concedida às Senhoras Marisa Letícia Lula da Silva, à cônjuge do Ministro Celso Amorim, à do Vice-Presidente da República e, ainda mais surpreendentemente, à funcionária que sucedeu à Senhora Dilma Rousseff na Casa Civil, Sra.(Srta.) Erenice Guerra.

Que grande contribuição essas Senhoras deram para o Brasil, no âmbito das Relações Exteriores, de forma a merecerem que lhes fosse concedida a mais alta comenda que o País concede a uma pessoa física ?

Com relação às esposas do Sr. da Silva e do Sr. Amorim, só posso imaginar que tenha sido o fato de suportarem as incontáveis viagens ao exterior feitas pelos respectivos maridos (!!), sem considerar que, pelo menos no caso da Sra.. Marisa Letícia, ela acompanhou o marido em muitas dessas viagens !

Mas no outros dois casos, nem isso!

Então, onde foi parar o extremo cuidado que o governo federal tomava “antes” de aprovar a outorga da comenda da Ordem de Rio Branco ?

Vale aqui um parêntese: o Ministério da Aeronáutica já havia concedido sua mais alta condecoração à Sra.. Marisa Letícia Lula da Silva há alguns anos (nem comento…).

O Presidente da Silva tem cometido grande quantidade de atos falhos, tanto em assuntos internos do Brasil como, e lamentavelmente, nas relações internacionais. O prestígio que havia conquistado (“esse é o cara”, disse o Presidente Obama) já não mais existe, a ponto de o diário “El País”, da Espanha, ter publicado ser o Sr. da Silva uma grande fraude !

O caso de Honduras foi emblemático: até o mais respeitado jurista das fileiras do PT, Sr. Dalmo Dallari, escreveu em artigo que o ocorrido naquele País não tinha sido golpe, mas sim, o cumprimento de um dispositivo constitucional. Isso não sensibilizou o Governo brasileiro, que manteve sua posição, ao ponto de não reconhecer o resultado das eleições hondurenhas.

A posição do Brasil no problema iraniano também está contribuindo para a perda de prestígio e de reconhecimento do Brasil como um País confiável. Aliás, já que começamos o presente texto mencionando condecorações, penso ser bem possível que o Governo do Sr. Ahmadinejad condecore o Presidente do Brasil pelo incondicional apoio que tem recebido do Sr. da Silva…

Em termos pessoais, a maior gafe internacional do Sr. da Silva foi a de se recusar a visitar o túmulo do ex-Presidente de Israel, que representa para aquele País o que os túmulos dos soldados desconhecidos representam em outros Países.

E a maior evidência que nós brasileiros podemos ter da perda de prestígio do Sr. da Silva são os exatos 120 segundos que durou o recente encontro de nosso Presidente com o Sr. Obama em Washington !

Encerrarei com uma referência ao dia de hoje, em que homenageamos Joaquim José da Silva Xavier, nosso herói Tiradentes, condenado à morte por desejar a independência do Brasil.

Tiradentes deu a vida por seu ideal de ver o Brasil independente do jugo de Portugal. “Independência ou Morte” era o lema da época.

Incrivelmente, nos dias atuais, há um grupo de maus brasileiros que está conspirando para que o Brasil volte a ser dependente, submetido a um regime político que foi responsável pela morte de milhões de pessoas por esse mundo afora, tanto que hoje só existe nos países mais atrasados em todos os sentidos: Coreia do Norte e Cuba e hoje se está insinuando em algumas republiquetas da América Latina.

É óbvio que me refiro ao comunismo.

É lamentável que haja brasileiros que ainda defendam esse sistema!

baseado em texto de Peter W. Rosenfeld

Corumbá