sábado, 17 de setembro de 2011

Leila Lopes: lições da Miss Universo

Enviado por Vitor Hugo Soares – 17/09/2011

A turma politicamente correta de plantão que me perdoe, mas devo registrar neste espaço de opinião a quem possa interessar: fiquei acordado até altas horas na madrugada da segunda para a terça-feira, ligado na transmissão do concurso Miss Universo, feita de São Paulo pela TV Band para milhões de espectadores no Brasil e no mundo inteiro (sim senhor!).

Um evento pela primeira vez realizado no Brasil e cujo resultado foi histórico: a vitória da representante de Angola, Leila Lopes, na festa da beleza mundial. Não me arrependo um segundo sequer do sono perdido. Afinal, é isso que me permite afirmar agora: poucos fatos jornalísticos foram tão importantes e merecedores de repercussão esta semana, apesar do estranho pouco caso dispensado ao assunto pela maioria da imprensa brasileira.

Principalmente, as redes mais poderosas de televisão - salvo evidentemente a própria Band, uma das promotoras do concurso de beleza.

Um acontecimento exemplar destes dias de setembro. Tanto sob o ponto de vista da própria magnitude da festa social em si e dos recursos dispensados em sua realização e cobertura (humanos, técnicos e financeiros), mas também quando analisado como fato relevante de comportamento e indiscutível significado social e político. Em alguns países, é verdade, bem mais que em outros.

Considero-o tão ou mais expressivo e digno de registro, análises e suíte de repercussão, quanto o surpreendente recorde (?) conseguido esta semana pelo governo da petista Dilma Rousseff - cada vez com mais forte coloração peemedebista e influência do senador José Sarney e do vice-presidente, Michel Temer: seis ministros atirados pelas vidraças do Palácio do Planalto antes da administração completar nove meses. Um deles, membro do PT, conseguiu na Pesca um abrigo de consolação.

Pode contar, usando agora os dedos das duas mãos. E pelo bafafá da surda guerra interna de poder, o efeito dominó pode não parar na surreal pedra (estorvo talvez fosse uma expressão melhor) representada pelo ex-ministro do Turismo, cuja escolha do substituto parece tão estranha e sem sentido quanto a indicação inicial.
Pelo menos para os interesses do turismo nacional e elevação da capacitação técnica e ética da equipe do primeiro escalão do governo, tão apregoada pela presidente.

E para não perder o foco jornalístico do começo destas linhas, voltemos ao concurso de Miss Universo. À noite da consagração de Leila, uma cinematográfica Miss Angola, nascida em Benguela e residente em Londres, onde estuda Administração e Gestão Empresarial.

A partir desta semana ela passou a ter residência oficial e tratamento de estrela em New York, o que destaca a relevância atribuída à sua escolha como máxima representante e embaixadora da beleza mundial.

Foi uma noite e um dia seguinte para não esquecer. E não apenas para as moças concorrentes (em geral moldadas no padrão de qualidade internacional para miss desenvolvido na Venezuela); os organizadores do concurso de beleza e as poderosas empresas multinacionais de olhos no atraente filão publicitário que o evento representa.

Além do enorme interesse do público (apesar dos preconceitos de tantos), incluindo países do porte dos Estados Unidos, que teve uma de suas mais importantes redes de TV associada à Band na transmissão do evento monumental na capital paulista.

No caso do Brasil, basta registrar que a Rede Band praticamente dobrou a sua audiência na noite de segunda e madrugada de terça-feira.

Uma festa de arromba, de encher os olhos desde o início. Um final eletrizante e surpreendente de fato, e não apenas na retórica bombástica comum nas coberturas de eventos do gênero.

No palco, na plateia do Credicard Hall, e na frente dos aparelhos de TV no Brasil e em inúmeros países mais. Nervos alterados, tensão à flor da pele, angústia, muita beleza de todo lado.

No fim o veredicto do júri, momento mais esperado e definitivo: Miss Angola, Leila Lopes, bela, lúcida e carismática africana de 25 anos venceu o Miss Universo 2011, em sua 60ª edição.

Muita gente - incluindo este jornalista - acreditava que a angolana ficaria entre as cinco finalistas. Poucos, no entanto, salvo alguns de seus conterrâneos presentes no auditório da grande festa, apostavam que ela levaria o cetro para Luanda.

"Mas a espigada e bela morena Leila Luliana da Costa Vieira Lopes, 25 anos, se converteu de forma contundente na primeira angolana coroada como a primeira e mais bela do universo", registrou com entusiasmo e pontada de inveja um jornal da Venezuela, país onde o concurso sempre obtém espaços generosos.

Mas Leila Lopes além de tudo, fez história no Brasil, porque desde 1999 a organização do Miss Universo não tinha uma soberana negra. A última foi Mpule Kwelagobe, de Botswana, que curiosamente herdou o cetro de outra beleza de ébano, Wendy Fitzwilliams, de Trinidad y Tobago, registrou ainda o jornal latino-americano.

A Folha e outros grandes jornais brasileiros abriram espaços em suas edições online para o concurso e seu desfecho. Principalmente para a primeira e reveladora entrevista da vencedora. "Meu sorriso contagia as pessoas e mostra minha personalidade. Sou alegre e consegui mostrar que sou divertida", disse a Miss Universo 2011".

Sobre algumas reações racistas à sua vitória, principalmente na Internet, Leila foi contundente e definitiva como sua beleza: "Racismo não me atinge. Os racistas, sim, devem procurar ajuda, porque não é normal uma pessoa pensar assim no século 21".

Bonita e justa escolha. Feliz reinado para a angolana Leila Lopes, desde terça-feira a incontestável número um entre as mulheres mais belas do planeta.

Corumbá

Vitor Hugo Soares é jornalista.

E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Tenho fé ou a defesa do indefensável

Volto a falar do assunto, pelo agravante ético que ele expõe: a absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) por 265 companheiros, em voto secreto.

Tão grave quanto aprovar o passado sujo, foi os deputados votarem às escuras, no anonimato, com medo e talvez até, vergonha – se é que existe – de serem vistos acobertando e aprovando a canalhice, a desonestidade. Medo de que se saiba de sua participação nessa atitude sórdida e que isso comprometa sua elegibilidade futura. Medo que o seu eleitor saiba que o deputado que ele elegeu foi a favor ou contra essa decisão que, em suma, legitima a desonestidade no poder.

Por pressão da sociedade e da mídia, 383 deputados federais aprovaram o fim do voto secreto nas votações do Parlamento.

Voto secreto deve ser o voto do cidadão, que representa sua vontade, seu desejo, que não deve depender de interesses ou imposições de outrem. O Parlamento, com nossos representantes por nós eleitos, deve ter uma posição clara para toda a sociedade que os elegeu. Sua opinião pessoal, na hora de declarar seu voto, deve ser do pleno conhecimento daqueles que os escolhem, permitindo assim uma escolha mais consciente quando for depositar seu voto em seu representante.

O fim do voto secreto morreu nas gavetas do Parlamento tão logo o clamor popular arrefeceu.

Assim, através da obscenidade do voto secreto, a maioria anônima dos deputados federais acaba de nos informar que o passado, mesmo que sujo,  não tem nenhum valor na vida política.

Na minha opinião, a sessão em que a deputada teve seu mandato mantido, foi um dos piores e mais sombrios momentos da Câmara Federal. Um momento sujo, baixo, aético e corporativista em que vale tudo, inclusive defender o que não tem defesa.

Na dificuldade de expor toda minha indignação em palavras frente a essa atitude sórdida e covarde de nossos representantes, reproduzo trecho do editorial do Jornal do Commercio, do Recife, de hoje, que sintetiza meu pensamento a respeito:

“Definitivamente, a Câmara Federal acaba de aprovar a ficha suja, contrariando a vontade popular expressa na iniciativa legislativa que parecia o grande momento de aprimoramento democrático, fazendo-se ouvir o povo e transformando a sua vontade em norma jurídica.”

Pode ser que, pelo menos, esse episódio triste sirva para despertar no País, em cada um de nós, o sentimento de que basta de hipocrisia e desonestidade e que novos votos tornem a nação mais ética e honesta em próximas eleições.

Tomara!

Corumbá

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A diversificada tecnologia da corrupção (Editorial)

O Globo

Assim como o Brasil não foi fundado em 2003, como queria fazer crer a propaganda lulopetista, a corrupção não surgiu nos últimos oito anos na vida pública do país. Mas, reconheça-se, tomou grande impulso a partir de um modelo de montagem de governo em que a principal preocupação não é a busca por melhorias na qualidade da administração, mas a quantidade de votos assegurados no Congresso, para garantir a “governabilidade”.

Em nome dela, amplas e estratégicas áreas da máquina pública foram cedidas a partidos aliados, com carta-branca para administrarem os respectivos orçamentos, em todo ou em parte, como bem entendessem.

Durante este tempo diversificaram-se os métodos de desvio de recursos do Tesouro de forma ilícita. Há desde a simulação de gastos com marketing e publicidade para retirar dinheiro de estatal (BB/Visanet), como foi feito para ajudar a lubrificar o esquema do mensalão, até métodos clássicos de superfaturamento de obras por meio de aditivos.

O golpe está registrado no currículo do PR na administração que fez no Ministério dos Transportes e seu Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit).

Do Ministério da Agricultura, sabe-se da relação promíscua do ex-ministro Wagner Rossi (PMDB) e filho, Baleia, deputado estadual paulista pelo partido do pai, com uma empresa fornecedora de vacinas antiaftosa, e da acusação contra a cúpula da Pasta feita por Jucazinho – ou Oscarzinho, como era conhecido -, por sua vez destituído por desviar dinheiro da Conab.

Por ser um ministério entregue ao PMDB com "porteira fechada" — assim como, em alguma medida, foi feito nos Transportes com o PR —, é provável que uma auditoria atenta revele usos e costumes obscuros bastante consolidados. Pode-se imaginar o tipo de rastros que deixou o lobista Júlio Fróes, de livre trânsito na comissão de licitações da Pasta.

Já no Turismo, de Pedro Novais, capturado pelo PMDB maranhense e sua sublegenda do Amapá, onde o senador José Sarney tem base eleitoral, permitiu-se o uso da gazua da emenda parlamentar para o sequestro de dinheiro do contribuinte.

O golpe de usar gastos com “formação de mão de obra”por ONGs para justificar a subtração de dinheiro do Erário foi usado no Amapá e, soube-se depois, em Sergipe, por meio de um convênio de tramitação relâmpago pelo ministério.

As alegadas despesas com treinamento serviram para a aprovação a jato de convênio milionário com uma ONG sergipana sem qualquer experiência no que prometia executar: formar 18 mil cozinheiros, garçons, motoristas de táxi, entre outros profissionais, para estimular o turismo no estado.

A organização já recebeu R$ 3 milhões dos R$ 8 milhões prometidos, embora não houvesse matriculado um único aluno, revelou O GLOBO. O Turismo se candidata a ser outro generoso vazadouro de recursos públicos.

Ao contrário do que alguns pensam, não há "udenismo" nas denúncias, até porque o Brasil de hoje pouco tem a ver com o da década de 50. O Estado tem mecanismos de combate à corrupção, e não há a necessidade de movimentos políticos que tendem a gerar crises institucionais em nome da moralização. Eles não podem é ser impedidos de funcionar.

Corumbá

terça-feira, 12 de julho de 2011

Pagot nega descompostura de Dilma com cúpula do Dnit

O diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte (Dnit), Luiz Antonio Pagot, esclareceu aos senadores que está de férias, e não afastado temporariamente do cargo.

Em resposta ao senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), ele negou que as cúpulas do Dnit e do Ministério dos Transportes tenham enfrentado uma "descompostura" da presidente Dilma Rousseff.

O tucano perguntou se ele confirmava a informação da Revista Veja de que Dilma tenha afirmado, em reunião com as cúpulas do Dnit e dos Transportes, que esses órgãos estavam "descontrolados" e que seus gestores "precisavam de babás". O diretor do Dnit respondeu que não acredita em "ministério descontrolado".

Ele confirmou a reunião com a presidente, mas ressaltou que as cobranças de Dilma foram respeitosas.

Comentário:

É, as cobranças devem ter sido muito respeitosas: “Senhor, faça-me o especial favor de demitir sumariamente aqueles seus quatro diretores corruptos e ladrões”. Vindo de Dilma e acreditando em sua fama, resta saber o que quer dizer “respeitosa”. É um anjo! Rabo preso é uma beleza, Pagot não pagou o pato, paga-lo-á Dilma, quem sabe?

Corumbá

Agência Estado

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Conectado enfim

Bem, assim como fui desconectado no dia 6, fui novamente conectado hoje.

Assim como não consegui descobrir porque fui desconectado, também não descobri porque fui conectado.

Portanto, a partir de agora, os dois blogues – Blog do Corumbá e Análises do Corumbá - voltam a se separar e voltam também aos seus objetivos iniciais.

Muito obrigado pela compreensão de todos.

Corumbá

Deborah Guerner se licencia por mais três meses do Ministério Público do DF

Foto
DEBORAH GUERNER

A promotora Deborah Guerner, acusada de receber propina para vazar informações sigilosas no escândalo da Caixa de Pandora, renovou nesta segunda (11) sua licença médica.

Guerner, que já estava afastada de suas funções desde abril, apresentou ao Ministério Público do Distrito Federal um atestado de 90 dias.

Segundo a promotoria, Deborah tem direito a se manter ausente através de licenças por um período de até dois anos antes de ter de cumprir a obrigatoriedade de uma perícia na junta médica do órgão.

Comentário:

Quem criou ou propôs esta norma, sabia o que estava fazendo. Dois anos mentindo sem precisar nem estar doente, sem precisar provar nada…já pensou numa empresa responsável que precisasse mostrar serviço? O que será que ela fazia no MP? Por que eu tenho que pagar o salário dela?

Corumbá

baseado em texto de Cláudio Humberto

Nota de Esclarecimento.

JOSÉ RAUL TEIXEIRA

Quero informar aos caros amigos que visitam o meu site, que está sendo divulgada uma página no FACEBOOK como se fosse minha. O seu autor faz constar minha foto, capas de alguns livros psicografados por mim e dados do Remanso Fraterno, nossa obra social, o que é fácil de se obter nas publicações que faço.
Mais ainda, o responsável pela página (que deseja passar-se por mim) está respondendo a perguntas que são enviadas à referida página, em meu nome, e muitos pensam que seja eu o autor dessas respostas.
Venho preveni-los de que NÃO me pertence tal página. NÃO tenho nada no FACEBOOK. NÃO costumo responder a perguntas por esse veículo.
Como o autor de tudo isso faz uso do meu nome, imagem e obras indevidamente, não pode ter boas intenções. Por isso medidas judiciais já estão sendo tomadas a respeito.
Peço-lhes para que divulguem que tal página do FACEBOOK não é de minha responsabilidade nem de minha autoria, e que nada tenho a ver com ela.
Muito obrigado,
Raul Teixeira.
O site do Remando Fraterno, instituição do Raul é http://www.remansofraterno.org.br

Grupo de Estudos Espíritas Paz de Espírito

Corumbá