quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Só BC atuando não basta para segurar inflação

Enviado por Míriam Leitão - 20.01.2011

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A nota do Copom divulgada ontem diz que vem mais aumento dos juros por aí. O Brasil tem uma taxa alta demais, agora está em 11,25%. Mas nada no horizonte indica queda da inflação. O IPCA pode reduzir um pouco nos três primeiros meses, porque no mesmo período do ano passado foi muito alto, mas há pressões de alimentos, por razões climáticas, aumento de demanda, de custos e dos gastos do governo.Tudo isso vai na mesma direção: alta da inflação.

Se no começo do governo, na primeira reunião, o BC não elevasse os juros, as apostas no mercado seriam de que o BC de Dilma não lutaria contra a inflação. Ou seja, quando há o sinal de que o BC piscou, todo mundo aceita aumentar seu preço, porque o cliente topa. A coisa desanda e há risco de descontrole.

Nas últimas três décadas, houve um trabalho de organização da economia. A inflação caiu, os juros diminuíram, mas ainda são altos. Precisamos resolver isso. O governo precisa gastar menos, senão, fica o BC, sozinho, subindo os juros para conter a inflação.

Corumbá

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A novíssima elite

Enviado por Eliane Catanhêde

Tem toda a razão Fernanda Torres ao dizer que "ser considerado parte da elite virou ofensa das mais graves" e em seguida perguntar: "Mas quem é a elite?".

Os bancos, que nunca lucraram tanto, as empreiteiras, eternamente gratas a Lula, a oligarquia, recheada de ministérios? Ou as levas de petistas em todos os escalões?

Há inclusive a elite enxovalhada por Lula e pelos lulistas radicais sempre que lhes falta explicação para alguma peraltice tipo mensalão. Aí, a elite somos nós, que damos um duro danado, ganhamos a vida honestamente, temos apreço aos princípios e exigimos moralidade e exemplo dos governantes.

Hoje, nada encarna melhor a neoelite que o time de Ronaldinhos de Lula -os Lulinhas. Os meninos são uns craques. Entraram pobres em 2003 e saem com seis empresas em 2011, um deles vivendo em apartamento de R$ 12 mil mensais pagos por empresário com contratos, ora, ora, com o governo do pai.

Não se pode discordar de Nelson Jobim quando ele diz que é "ridícula" a crítica a Lula por usar dependências militares para veraneio depois da Presidência. Também não é totalmente absurda a fala de Marco Aurélio Garcia de que um passaportezinho diplomático a mais ou a menos não faz mal a ninguém, referindo-se ao passaporte exclusivo de autoridades que Lulinhas sacaram no último dia do governo.

São, sim, coisas menores. O problema é a cultura, a soma do veraneio, dos passaportes, da Gamecorp, dos padrinhos, dos atos assinados à sombra, das empresas, do aluguel pago pelo amigo. O resultado é que Lula se sente dono do Brasil, acha que os filhos têm de aproveitar a "oportunidade" e desconsidera o exemplo que ele dá à nação como mito, como ídolo que é.

Se o presidente pode, a ministra da Casa Civil pode, o amigão Sarney pode, todo mundo pode. É educativo. Ou melhor, deseducativo.

Nunca antes neste país se viu uma herança tão maldita.

elianec@uol.com.br

Corumbá

domingo, 2 de janeiro de 2011

Adeus, Lula

Enviado por Yashá Gallazzi*, em 01/01/2011

Como no filme de Wolfgang Becker, onde Christiane Kerner acabou se vendo forçada a dar adeus ao facínora Lênin, as viúvas de Lula terão que dar adeus ao apedeuta logo mais.

Lula não fará nenhuma falta ao mundo civilizado. Os inegáveis acertos do governo petista, todos decorrentes da adoção de políticas antes rejeitadas pelo próprio PT, se tornam pequenos diante do rebaixamento institucional e da deturpação de valores morais que marcaram os anos de Lula no Planalto.

Os defensores da “era Lula” tentarão sempre sacar a numeralha das pessoas que saíram da pobreza, das famílias incluídas nos programas sociais e coisas do tipo. Mas sempre serão esmagados pela lembrança de um governo que emprestou apoio moral a todas as piores ditaduras do mundo. Lula acertou em muitas coisas? Sim! Principalmente quando decidiu manter o que já existia. Mas como ficam os valores? De que adianta crescer a 4, 10, 20% ao ano, se tal “sucesso” é usado para defender, de forma oblíqua, o apedrejamento de mulheres?

Lula não me representa. Nunca representou. A marca mais indelével do governo dele? A mesquinharia. Sim, isso mesmo! Esqueçam mensalão, dossiês, Dirceu, Palocci ou qualquer coisa do tipo. Nada sintetiza melhor o governo de Lula do que a baixeza de sua conduta pessoal, a maneira pedestre com que ele sempre se portou.

Como quando afirmou, outro dia, que é bom terminar o mandato e “ver os EUA em crise”. Bom por quê? Para quem? Onde está o fundamento lógico que embasa tal afirmação? Quem, senão um sujeito claramente sociopata, poderia se expressar de forma tão desassombrada, tão evidentemente equivocada?

As falas improvisadas de Lula são o espelho da alma dele. É quando se livra dos estribos impostos pelos assessores e marqueteiros que o sujeito revela o que está guardado no seu íntimo. O Lula de verdade é aquele que compara o assassinato de opositores do regime iraniano a um Flamengo versus Corinthians, ou o que se recusa a condenar uma tirania que apedreja mulheres em praça pública porque, bem… cada país é “autônomo”.

Não sentirei saudade alguma do sujeito que chamou Kadafi de “companheiro”, ou que disse “se inspirar” no ditador do Sudão. Não fará falta alguma ao meu mundo um homem capaz de declarar, ainda no início de sua carreira política, que admirava Hitler, e que – permitam-me ser sutil… – “flertava” com animais… Adeus, Lula!

Se Lula não existisse, não precisaria ser inventado. É daquelas personagens que, num futuro não tão distante, servirão para que a sociedade atual seja motivo de chacota por parte de historiadores. Dirão: “Aquele povo medíocre, que elegeu no mesmo período Tiririca, Sarney e Lula…” Imaginem as gargalhadas zombeteiras diante de excrescências como a tal plataforma de petróleo batizada com o nome do petista.

Lula representou o triunfo da ignorância. A exaltação do apedeuta. Durante os últimos anos, virou chique desdenhar de uma boa leitura e de uma formação acadêmica de qualidade. Outro símbolo dessa era triste que se encerra é a famosa tirada de Lula, dizendo que depois de terminado o mandato não iria dar aula na França e nos EUA, mas ficaria em São Bernardo mesmo. Ora, ele não vai mesmo! Mas não porque não queira. Que nada! Ele não vai porque não pode! Porque para dar aula em certos lugares é preciso saber concordar o sujeito com seu verbo, se é que me entendem…

O ano de 2010 termina e leva embora o último bafo de Lula como mandatário maior do país. Nada poderia ser mais auspicioso! Pelo menos, ao que tudo indica, teremos um ano novo em que o Brasil não servirá de arrimo político e moral para gente que acha “normal” atirar pedras nos olhos de mulheres. Já é uma melhora muito grande, não tenham dúvida!

Feliz 2011! Adeus, Lula!

*Yashá Gallazzi é editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Corumbá

sábado, 18 de dezembro de 2010

Nas salas de aula não existe presença obrigatória

Texto do professor José Predebon, organizador e co-autor do livro Profissão Professor (Cia dos Livros).
E-mail: jose@predebon.com.br

Nenhum aluno fica em classe se não estiver interessado. Pode até estar lá, sentado, para não ter falta. Mas seu coração e mente não estão presentes, só seu corpo. Problema do professor? Claro que grande parte dos mestres pensa que desinteresse de alunos não é seu problema, e lhes basta ter a consciência tranquila de estar cumprindo o programa de sua disciplina.

A questão não é simples. Uma série de fatores presentes na atualidade fez surgir agora uma geração que contesta o sistema como nunca acontecera antes. Penso que não se trata de uma degenerescência social, mas do produto do cruzamento entre a era da comunicação, agora com a internet, com o ímpeto do desejo de mudança dos jovens, melhor percebido desde 1968.

Nossos alunos de hoje, pesquisados, declaram que a maior utilidade que encontram na escola é a formação de sua rede de relacionamentos. Vemos que são também atraídos pelo diploma que, de alguma forma, pensam, deve facilitar sua vida. De resto, franzem o nariz: “não quero seguir o caminho de meus pais, que não são felizes”. Como esses jovens receberão o bastão do revezamento social?

Nesse contexto, nós, professores, só poderíamos mesmo nos sentir pouco desejados, e, por isso, pouco ouvidos e respeitados como mestres. Esse panorama, claro, não é geral, há ressalvas. A primeira é de uma parcela (estima-se em 20%) de jovens com vocação para o aprendizado – os curiosos que procuram informações, de todo tipo. Outra exceção é a de alunos de universidades públicas, na qual entraram por meio de uma rigorosa seleção, e que por isso tendem a valorizar o aproveitamento das aulas. Algo parecido acontece em escolas muito procuradas, onde o ingresso também é difícil. Finalmente, também são mais interessados os que se sacrificam, trabalhando de dia e estudando à noite, e entendem a necessidade do conhecimento para sua carreira.

Entretanto, no geral, vemos que quando a maioria dos alunos está na escola para “cumprir tabela”, a contragosto, não se pode esperar boa disposição deles para com os professores. Eles fazem parte da “chatice da escola”. São uma extensão dos pais, que dizem uma coisa e fazem outra. Jamais pode ocorrer ao aluno, nessa condição, procurar estabelecer com o professor uma relação que não seja a obrigatória, pouco mais do que responder a chamada. Por isso, se houver possibilidade de mudança, esta precisa vir do professor. Só ele pode tomar a iniciativa de estabelecer uma relação diferente. Ou constrói uma ponte e a atravessa para chegar ao aluno, ou fica deste lado falando sozinho, também cumprindo sua tabela, dentro de um contexto perverso. Cabe ao professor tomar a iniciativa, ainda que ele, pessoalmente, nada tenha a ver com a culpa de sua geração que construiu uma sociedade problemática. Cabe a ele, portanto, também usar a criatividade como uma ferramenta para que suas aulas possam ser mais aproveitadas.

Colegas professores, claro, a criatividade não resolve os problemas do ensino brasileiro, mas pode se tornar a ferramenta para fazer a diferença no seu trabalho pessoal. Sempre há campo para nós, mestres, nos colocarmos muito além da “obrigação básica do programa”. Se nos posicionarmos assim, e também a favor dos alunos, nunca nos conformando de antemão com seu pouco interesse, e se adicionarmos a magia da criatividade ao planejar nossas aulas, aí sim, teremos feito a nossa parte. Concluímos lembrando que mudanças não são fáceis, mas muitas vezes são necessárias.

Corumbá

domingo, 12 de dezembro de 2010

Emergente? Só a cabeça

Enviado por CLÓVIS ROSSI em 12/12/10

PARIS - Eis o país que Dilma Rousseff vai receber:

1 - Os brasileiros que ganham mais de R$ 10.200 são apenas 3 milhões. Os brasileiros que sobrevivem com menos de R$ 1 mil vão a 79 milhões. Detalhe: estamos falando de renda familiar, não individual.
Ou, em porcentagens: apenas 1,5% dos brasileiros habitam o que Elio Gaspari chamaria de andar de cima. Uma massa formidável de 41% mora mesmo é no porão. Outros 40%, pouco mais ou menos, ocupam o andar de baixo.
Estatística à parte, o mais elementar sentido comum manda chamar de pobres esses 80%.

2 - Por incrível que possa parecer, há brasileiros em condição ainda pior, conforme constatou o jornal "O Estado de São Paulo", ao visitar dados do Ministério de Desenvolvimento Social:
"Entre as 12,7 milhões de famílias beneficiárias do Bolsa-Família, 7,4 milhões (58%) encontram-se na faixa de renda entre R$ 70 e R$ 140 mensais por pessoa da família. Dessas, 4,4 milhões (35% do total dos beneficiários) superaram a condição de extrema pobreza com o pagamento do benefício. Mas ainda restam 5,3 milhões (42%) de miseráveis no programa".
Posto de outra forma, quase a metade dos pobres entre os pobres não levanta cabeça nem mesmo com a ajuda do governo, de resto indispensável para que pelo menos não morram de fome.

3 - Dispenso-me de rememorar os dados desastrosos sobre educação, divulgados esta semana e já abundantemente comentados. Fico apenas na constatação de que o desnível educacional entre a escola dos mais ricos e a dos mais pobres é uma forma de perpetuar as condições acima descritas.
Dá para dizer que um país assim é emergente? Só pelo critério usado pelo pesquisador Francisco Soares (UFMG): "É como se tivéssemos tirado a cabeça fora d'água, mas a praia ainda está muito longe".

Corumbá

A verdade que restou

Metade das obras do PAC não foi concluída. Só depois de pronto o muito que falta o PAC 2 tentará sair do papel. A conta da gastança chegou, e a alternativa para os cortes anunciados pelo ministro Guido Mantega é o colapso dos investimentos públicos. Domada há 16 anos pelo Plano Real, a inflação anda regurgitando e não será sufocada por falatórios. O legado de Lula enfim começa a mostrar o que há por trás da enganadora embalagem.

A quatro anos da Copa do Mundo, a seis dos Jogos Olímpicos, os cartolas que exploram os principais eventos esportivos do planeta já desconfiam de que parcerias com sócios brasileiros são um negócio de altíssimo risco. Os colossos urbanísticos e os milagres arquitetônicos prometidos pelo maior dos governantes desde Tomé de Souza seguem confinados na discurseira em mau português.

Refeito o balanço de 2009, o IBGE descobriu que os estragos decorrentes da crise econômica foram bem mais severos que arranhões provocados por marolinhas. Números divulgados pelo FMI acabam de revelar que o crescimento do PIB durante os dois mandatos de Lula foi de 4% ao ano. A média é inferior às registradas no mesmo período na China (10,95%), na Índia (8,2%) e na Rússia (4,8%). O lanterninha no BRIC também ficou abaixo da média da América Latina (4,64%). No ranking do desenvolvimento de educação organizado pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Brasil apareceu numa constrangedora 53ª colocação entre os 65 países incluídos na pesquisa.

O lote mais recente de notícias inquietantes não mudou o tom do mais extenso palavrório ufanista desde o Dia da Criação. Começou com a posse de Lula e vai terminar com a posse de Dilma. Teria durado exatamente oito anos se não fossem as três ou quatro semanas de férias em praias isoladas e 10 ou 15 dias de silêncio malandro: não havia o que dizer. O falante incontrolável ficou foragido da imprensa depois do estouro do escândalo do mensalão, depois do acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas e depois do primeiro turno da eleição presidencial deste ano. Descontados esses períodos de silêncio, a discurseira não respeitou sequer domingos, feriados e dias santos.

Assim será até a última fala do trono. Sem dinheiro sequer para pagar as  indenizações devidas aos parentes dos militares mortos no Haiti, o presidente que deveria estar afivelando malas embarcou outra vez no trem-bala, anunciou a compra de um avião novo e ordenou a Guido Mantega que mantenha o ritmo da gastança durante a interinidade de Dilma Rousseff. O Brasil que Lula inventou é um pobretão que se faz de rico usando um fraque puído nos fundilhos.

Corumbá

domingo, 21 de novembro de 2010

Vida normal em Brasília

Enviado por Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Com notável rapidez, a vida política brasileira se normalizou depois das eleições. Há apenas três semanas, o clima era de intensas emoções. Hoje, tudo está calmo.

Se Serra tivesse vencido, o quadro seria, com certeza, diferente. Os três poderes da República teriam entrado em compasso de espera, ninguém sabendo como ficariam e qual seria o jogo entre eles. O mais afetado seria o Executivo, por razões evidentes. O Planalto e a Esplanada estariam no meio de um turbilhão.

Para dizer uma coisa óbvia, a facilidade com que a rotina voltou a Brasília é um sinal de nosso amadurecimento democrático. Vivemos quase o século XX inteiro atravessando instabilidades, golpes, contragolpes, ditaduras. Nas poucas eleições mais livres que fizemos até 1964, ainda era possível dizer que “se Fulano disputar a eleição, não vence; se vencer, não toma posse; se tomar, não governa”.

Após a volta das eleições diretas, já passamos por quatro transições presidenciais, algumas traumáticas, outras pacíficas. A passagem do poder de Sarney para Collor teve o imenso simbolismo do reencontro com a democracia, depois da mais longa ditadura de nossa história. Tudo naquele momento era extraordinário.

A posse de Itamar tampouco se compara às seguintes, pois aconteceu no auge da crise do impeachment. Ali, as jovens instituições da nova democracia brasileira se tornaram adultas.

De Itamar para Fernando Henrique, houve apenas uma mudança de guarda, sem sobressaltos. Embora entre os dois as coisas nunca tivessem sido tranquilas, para fins externos tudo parecia simples: um presidente saía e entrava outro, os dois farinha do mesmo saco, pois Fernando Henrique era o ex-ministro que Itamar havia indicado para sucedê-lo. À primeira vista, seria apenas uma continuidade ortodoxa, mas ela nada tinha de trivial, pois representava a bem-sucedida conclusão de um longo processo de recuperação da normalidade institucional.

Já a transição de Fernando Henrique para Lula teve mais drama. A biografia e a trajetória do eleito faziam com que a perspectiva de sua chegada ao poder deixasse o sistema político e a sociedade sob tensão. A incerteza sobre como seria seu governo levantou o valor do dólar e fez com que a inflação disparasse, mesmo depois da Carta aos Brasileiros e de sua garantia de que honraria os contratos e os compromissos assumidos.

Mas o mais importante era o sentimento da originalidade daquela transição, com o primeiro líder popular que chegava à Presidência. Tudo nela despertava a curiosidade e atraía a atenção do país.

Este ano, as coisas andam tão tranquilas em Brasília que o assunto da passagem de governo ocupa espaço relativamente pequeno na imprensa. Especulações a respeito do ministério, dúvidas quanto a mudanças de prioridades, fofocas sobre quem sobe e quem desce nas apostas relativas à composição do futuro governo, continuam a existir, mas estão longe de ser a maior preocupação do momento.

Os temores de muitas pessoas sobre Dilma começam a se dissipar. Nada do que ela disse e fez depois de eleita os justifica: não está “escondida” sob a sombra de Lula, mostra ter iniciativa e capacidade de liderar, coordena (sem precisar de avalistas) o processo de montagem e de formulação das metas de sua administração.

Parece que Dilma será uma presidente diferente. Agora mesmo, na hora em que seus antecessores dedicavam a maior parte do tempo a conversações a respeito de nomes para integrar o governo, ela prefere se concentrar na discussão de programas. Ao invés de tratar as promessas de campanha como águas passadas, tem cobrado dos assessores projetos que assegurem que sejam cumpridas.

Enquanto isso, a vida também segue normal no Congresso. As movimentações de alguns peemedebistas para fazer o “blocão” com outros partidos da base nada têm de novo e não significam que Dilma terá mais dificuldades que Lula para dialogar com senadores e deputados. São apenas brigas por espaço no próprio Congresso, que lá dentro serão resolvidas.

Por mais que alguns torçam para que a presidente enfrente problemas desde o início do governo, não é isso que a maioria da sociedade deseja. (O que é mais um fator favorável a que ela comece bem seu mandato).

Corumbá